Bem vindo de volta, Ghost
Visualmente, o jogo mantém a ótima identidade que o consagrou, porém agora com otimização bem-vinda para 60fps em até 4K nativamente: as noites ganharam um tom mais escuro e imersivo, enquanto os efeitos de chuva, o barro nas estradas e a sujeira acumulada nos veículos continuam impecáveis. A base do mundo e as funcionalidades, inclusive, seguem as mesmas.
Infelizmente, os problemas de performance também. Em testes feitos em diversas configurações, foi perceptível a queda de frames em situações mais pesadas e até mesmo em momentos aleatórios — especialmente à noite, na chuva, ou ao entrar em áreas urbanas com maior densidade de luzes e detalhes. Faltou um polimento de otimização maior nesse aspecto. Talvez seja algo inerente à versão do motor utilizado no game, o mesmo de Assassin’s Creed Origins, também lembrado pelos problemas de desempenho, já que ambos utilizaram a AnvilNext 2.0.
O novo arco de missões traz uma premissa interessante ao colocar o protagonista Nomad trabalhando junto a uma agente da CIA (Emily Price) em uma missão confidencial para caçar Ines Cortes, a “La Llorona”, uma ex-agente transformada em líder de seita. O ponto fraco da nova narrativa é que, embora a atmosfera criada seja tensa, a construção do culto peca pela falta de profundidade nas motivações dos seguidores.
Enfrentamos tenentes fanáticos e irredutíveis nos interrogatórios, mas as razões para essa devoção cega não ficam claras para o jogador. Tratando-se de membros de uma seita, é curiosa a falta de cuidado — lembrando o primor que a própria Ubisoft demonstrou em Far Cry 5. Por fim, a revelação final sobre o passado entre a antagonista e a agente da CIA acaba perdendo impacto emocional, deixando a expectativa de que os desdobramentos venham em futuros conteúdos.
Há ainda o retorno da missão crossover do Predador, deixando de ser um evento temporário para se integrar permanentemente ao jogo. Embora seja uma caçada divertida e bem ambientada na selva boliviana, ela continua gerando um estranhamento, já que os elementos fantásticos da caça ao Yautja vão um tanto contra a proposta de narrativa militar e realista de Ghost Recon. Ainda assim, é uma adição bem-vinda para dar sobrevida ao título.
Atualizado para os novos padrões da Ubisoft
As novas opções de personalização de mundo, HUD e parâmetros táticos são um dos grandes acertos do update. Temos agora diversas ferramentas para ajustar e ampliar a imersão — como desativar o brilho que identifica caixas e itens coletáveis, remover indicadores visuais de trajetória de granadas e itens, além de poder controlar a densidade de patrulhas, o clima dinâmico e até mesmo escolher o tamanho exato do seu esquadrão de IA (de 1 a 3 companheiros no modo solo) — que mostram o quanto a Ubisoft abraçou as próprias tendências de design e flexibilidade. Ajustar esses elementos eleva drasticamente a liberdade e a imersão de um jogo tático, permitindo moldar a experiência do jeito que o jogador preferir.
Novas e velhas histórias
Last Rites cumpre bem o papel de celebrar o aniversário da franquia e revitalizar Ghost Recon Wildlands com adições valiosas. Por um lado, o update brilha ao atualizar o jogo para as tendências modernas de customização e imersão. Por outro, segue preso aos velhos problemas da engine AnvilNext 2.0 com quedas persistentes de desempenho e deixa a desejar em uma narrativa que subaproveita o potencial de sua nova antagonista. Em suma, é um retorno muito bem-vindo à Bolívia, mas que chega acompanhado de questões técnicas e narrativas que poderiam ter sido melhores.
Revisão: Ives Boitano

