Análise: Mortal Shell II entrega um soulslike desafiador e acessível em uma experiência excelente

Controle o Arauto da mãe Umbral em uma missão sagrada para recuperar ovos que estão na posse de adversários formidáveis.


Meses atrás, após uma impressionante beta de mais ou menos três horas de duração, minhas expectativas para Mortal Shell II não poderiam ter sido mais elevadas. Felizmente, podendo agora experimentar sua versão completa, posso adiantar com tranquilidade que elas foram superadas.


Muitos pontos que elogiei nas primeiras impressões, como a direção de arte e a jogabilidade, se mantiveram, mas também notei alguns problemas, como a baixa variedade de armas, que vou compartilhar na análise.

O Arauto e a sua missão sagrada

O título se inicia introduzindo que, há muito tempo, um objeto caiu do céu e, dele, saiu uma entidade que ficou conhecida como Mãe Umbral. Logo, ela conquistou muitos seguidores que a consideraram uma deusa. No entanto, certo dia, uma entidade maligna começou a enfraquecer a figura divina e corromper o mundo.


Agora, com a situação em caos total, a última esperança é o Arauto, uma entidade poderosa capaz de possuir as carcaças de guerreiros mortos. Representando o jogador, ele deve explorar as terras desoladas em busca da fonte de poder da mãe de seus Ovuns, que estão espalhados pelo mundo em posse de criaturas monstruosas.

A demonstração me deixou animado pela parte narrativa, mas, após experimentar o jogo completo, acaba que a narrativa deixa de ser o foco, ficando mais dispersa. Para ser sincero, me lembrou a maneira como a trama de Dark Souls é apresentada, com algumas coisas sendo interpretativas e outras estando nos detalhes ou diálogos com NPCs.


Tive a sensação de que a história acabou virando um elemento secundário, pois, por exemplo, o objetivo principal, que é recuperar os ovos, nunca é explicado diretamente, porque a maior parte deles está com chefões específicos atrás de portões gigantes.

Mas, em contrapartida, as carcaças recebem uma importância grande na obra; cada uma das oito traz memórias sobre sua vida e uma parte delas acrescenta bastante à trama, ajudando a entender melhor a extensão do culto à Mãe Umbral e até onde os indivíduos estavam dispostos a ir por ela.


Além disso, as lembranças, representadas sempre por flashbacks, mostram mais detalhes das personalidades de cada casca e suas motivações, o que as ajuda a se tornarem carismáticas e únicas. Como tudo no jogo recebeu uma boa tradução em português, fica fácil entender os diálogos.

Eles são muito mais do que os olhos podem ver

Mas, se a trama acabou deixando a desejar para mim, sua jogabilidade continua sendo excelente. Mortal Shell II é um soulslike rápido e cadenciado durante os combates. Podemos utilizar ataques fracos e fortes, os quais são mais rápidos ou lentos dependendo da arma utilizada, e, como de costume no gênero, também podemos defender e esquivar.


Contudo, nesse momento, entra um dos diferenciais da obra: o jogo é bem acessível, entregando um vasto leque de defesas disponíveis, desde a clássica, em que você evita tomar dano a cada ação precisa executada, até o endurecimento, no qual o personagem se torna uma rocha, refletindo ataques.

Além disso, o título não possui barra de stamina, tornando-o assim uma experiência brutal e frenética. Os combates sempre têm bom ritmo, graças à mescla de atacar e utilizar alguma defesa no momento certo, para abrir a guarda do inimigo e executá-lo com uma finalização.


A jogatina se torna ainda melhor graças às oito carcaças únicas, cada uma trazendo abordagem diferente para os confrontos. Por exemplo, Tiel, o ladino, consegue ficar invisível ao utilizar sua habilidade especial e também ao se esquivar na última hora. Com ele, os embates são algo mais voltado para atacar e fugir, de preferência, com suas armas assinatura: o machado e a adaga.

Já Gragu, um clássico berserker, é um verdadeiro tanque, dando socos nos inimigos para arremessá-los ao longe e recebendo menos dano. E essas são apenas duas carcaças; cada um dos corpos oferece um leque de possibilidades diferentes. Em contrapartida, achei que a obra possui pouca variedade de armas. 


Ao todo, existem oito armas corpo a corpo, contando com espadas, machados e martelos; e a mesma quantia à longa distância, como escopetas e metralhadoras, embora elas tenham pesos diferentes e estratégias distintas de usar. Acho que poderiam ter uma diversidade maior, mas, por outro lado, o leque de runas disponíveis para cada arma ajuda a amenizar sua falta de diversidade, deixando-as mais únicas graças às habilidades que vão ganhando. 

Outro ponto que não me conquistou muito foram os chefões, pois não é que suas lutas sejam ruins ou careçam de desafio, mas a todo momento sentia que faltava algo neles, talvez visuais mais marcantes ou até mesmo alguma história para que eles fossem mais cativantes.

Lar, doce lar

Para finalizar, preciso falar sobre a base principal do Covil Lúgubre; o local não mudou nada comparado à sua versão disponível na demonstração gratuita. Seu visual continua tendo um charme único, mesclando paredes brancas e áreas com mata e cavernas.


Os NPCs que habitam lá são interessantes até certo ponto, principalmente pelas suas anatomias diferentes, como o mercador Merrick, que é extremamente alto para os padrões, a treinadora Genessa, com sua característica máscara dourada, e Zhirelle, uma verdadeira gigante que fica responsável por cuidar das cascas.

Infelizmente, senti que faltou algo mais marcante no local para ele ser mais chamativo, talvez desenvolver melhor os cultistas que ficam lá rezando para a tal divindade e oferecendo serviços, como lavar os pés do Arauto.

É aquele ditado: o segundo jogo é sempre melhor


Mortal Shell II
é um soulslike excelente que entrega uma jogabilidade simples e brutal, com carcaças únicas que mudam a maneira de se jogar, e um mundo aberto sombrio com paisagens deslumbrantes. Entretanto, existe carência na diversidade de armas corpo a corpo e de longa distância; e, além disso, os mini-chefes serem adversários comuns também atrapalha um pouco a experiência.

Prós:

  • A história de cada casca é interessante e ajuda a revelar mais detalhes sobre o universo;
  • Cada casca possui habilidades únicas, diferenciando a maneira como se joga com elas;
  • Jogabilidade brutal e simples, tornando-se viciante conforme o jogador vai ficando mais forte;
  • Mundo aberto, com atividades de qualidade para fazer durante as explorações;
  • Chefes desafiadores e criativos de enfrentar;
  • Legendas em português.

Contra:

  • Baixa variedade de armas disponíveis, sendo apenas oito opções físicas;
  • Mini chefes são apenas cópias de inimigos comuns com visual diferente;
  • Mesmo sendo boas lutas, alguns chefes poderiam ter sido melhor trabalhados;
  • A narrativa até tem potencial, mas acaba ficando como elemento secundário, dificultando a compreensão de alguns detalhes importantes;
  • Mesmo os chefões sendo desafiadores, carecem de visuais mais chamativos que os tornem mais marcantes.
Mortal Shell II – PS5/XSX/PC – Nota: 8.5
Plataforma: PlayStation 5
Revisão: Julia Loffreda Costa
Texto de análise redigido com cópia digital cedida pela Playstack
OpenCritic
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Thiago da Silva e Silva
É um universitário se formando em engenharia na UFRRJ,apaixonado por jogos desde a infância, principalmente RPGs.
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