Análise: Montabi é simples, carismático e entrega um combate tático desafiador

Mesmo com algumas limitações, o título traz a dinâmica de montar equipes em um RPG prático e divertido.

em 06/08/2026

Seguindo a linha dos jogos de coleção e batalha de criaturas, Montabi nos leva para um mundo onde uma equipe de vilões começou a sequestrar os pequenos seres que dão nome ao título. Para impedir esse plano, o jogo se estrutura como um roguelike de construção de baralhos, no qual precisamos superar sequências de combates cada vez mais desafiadores. Apesar da premissa simples, a obra se mostra extremamente acessível e cativante, entregando batalhas táticas que cobram um planejamento afiado do jogador.

Uma ideia familiar

A história nos leva para um mundo em que humanos e montabis, monstrinhos dotados de poderes especiais, vivem em harmonia. Além de viver com seus treinadores, os montabis também utilizam suas habilidades em tarefas do dia a dia, de acordo com a necessidade das pessoas. Mas além disso, seus poderes são colocados à prova em batalhas táticas, em que os treinadores elaboram estratégias para definir quem é o mais poderoso da cidade.

Tudo andava em harmonia até que a Gangue X, dos vilões do jogo, começa o seu plano de sequestrar os montabis para os controlar em seus objetivos malignos. Nesse contexto, passamos a controlar um dos três protagonistas da aventura: o Treinador, a Lutadora ou o Chefe de Cozinha, em uma jornada para salvar os pequenos monstrinhos e trazer de volta a paz na cidade.




A campanha de Montabi é dividida em três ambientes, localizados dentro da cidade. Inicialmente, escolhemos um montabi dentre três opções (que variam em cada run) e partimos de um ponto inicial com diferentes caminhos cheios de pontos de interesse. Esses pontos podem ser batalhas, nas quais ganhamos experiência ao vencermos, lojas para comprar itens, locais para ganhar amuletos (que nos dão benefícios variados) ou eventos aleatórios, que podem ser benéficos ou não. Ao final de cada ambiente, enfrentamos um chefe, que libera o caminho para a próxima etapa.

No geral, a estrutura é simples e bem repetitiva. As três áreas que visitamos possuem variações visuais, mas sempre dentro da temática urbana, presente em todos os aspectos do jogo. As arenas de batalha são localizadas entre edifícios e lojas, e o design de muitos elementos segue o estilo de HQs, com cores vibrantes e bordas escuras bem marcadas.




Seguindo essa mesma lógica, os montabis também seguem essa estética urbana. Entre as mais de 60 opções de monstrinhos, temos coisas como um hidrante, um besouro-táxi e uma máquina de lavar, além de animais antropomorfizados. No geral, os visuais são criativos e os monstrinhos são carismáticos, principalmente pela apresentação de suas habilidades nas cartas de combate. 

Infelizmente, no momento, o jogo não conta com tradução para português brasileiro e isso é realmente uma possível trava para quem não domina algum dos idiomas disponíveis. Todas as cartas, habilidades e itens possuem descrições que são importantes para a construção de sinergias nas batalhas, o que é fundamental para conseguir finalizar o jogo.



Um roguelike padrão, mas um combate bem-elaborado

Em sua base, Montabi traz uma estrutura muito básica e tradicional de roguelike, em que, ao final de cada run, ganhamos experiência de acordo com o nosso desempenho e desbloqueando novos itens, amuletos, montabis e treinadores — visto que começamos apenas com uma opção. Mesmo que não tenha nada revolucionário, essa dinâmica funciona bem para motivar a continuidade da jogatina.

O seu grande diferencial fica na forma como desenvolve o combate. Em vez de batalhas tradicionais em turnos, como em Pokémon, aqui as arenas possuem uma estrutura em grade 3x3, em que nossas peças precisam ser pensadas como em um jogo de xadrez. Junto do treinador, que também é um elemento ativo no combate, podemos colocar até dois montabis para nos acompanharem diretamente. Além do monstrinho inicial que escolhemos, ganhamos um item capaz de capturar aqueles ainda selvagens que derrotamos no caminho, ampliando nossa equipe para até cinco membros.




O treinador funciona como o rei, sendo a peça que precisa sempre estar com vida. Os montabis precisam ser escolhidos de uma forma que suas habilidades entrem em sinergia para defender o treinador e também atacar, o que pode ser feito de diversas formas. Por haver tantas opções, é possível bolar muitas estratégias diferentes: há aqueles que focam em levantar escudos para não tomar dano, os que plantam armadilhas, os que aplicam status e assim por diante. 

Caindo um pouco na mesmice

A forma aleatória como os montabis aparecem em cada run acaba nos obrigando a adaptar as ideias de combate de acordo com o que temos disponível. Claro que é possível fazer mudanças ao longo do jogo, mas, de forma geral, eu acabava mais preso ao que me era disponibilizado no início, pois subir o nível dos montabis depois de certo momento era mais limitado.




E isso não fica isento de problemas. Ao longo das partidas, foi fácil ver que algumas estratégias eram mais eficientes que outras, principalmente as que envolviam ser mais ofensivo, focando em muitos ataques logo na primeira rodada e trabalhando a movimentação das peças. Ser defensivo poucas vezes era efetivo, mesmo em batalhas contra chefes, os quais aplicavam muito mais dano que os inimigos comuns.

Isso se passa, principalmente, pelas cartas que temos à disposição e pelos itens e amuletos equipados. Há muito mais opções e variedades que facilitam um ataque massivo do que uma abordagem passiva. Quando isso foi bem combinado com habilidades de armadilhas, era relativamente fácil acabar com as batalhas.

E digo isso pensando no fato que joguei na dificuldade intermediária. O jogo possui cinco dificuldades, que conseguem atender desde jogadores mais novatos, sem experiência em jogos de estratégia, até os mais exigentes, em busca de um desafio de verdade. Neste caso, senti que o jogo acabou ficando mais cansativo, pois as batalhas passavam a se estender mais pela maior quantidade de vida dos inimigos e pela necessidade de focar rodadas inteiras apenas na movimentação precisa da sua equipe.



Uma surpresa das boas

Mesmo com uma base mais tradicional de roguelike, Montabi se destaca pela forma criativa como desenvolve seu combate e mundo, trazendo uma camada estratégica para a luta com monstrinhos. Mesmo não sendo a experiência mais elaborada, e por vezes sendo um pouco repetitiva, Montabi se mostra como uma boa alternativa para os jogos do gênero, principalmente por adequar bem a dificuldade para diferentes tipos de jogadores.

Prós

  • O combate tático é bem-elaborado e permite a criação de muitas estratégias;
  • O ambiente urbano e o estilo de HQs dão personalidade ao mundo e aos personagens;
  • Há uma boa variedade de montabis, todos com habilidades únicas baseadas em suas características;
  • Há níveis de dificuldades que adaptam a jogatina para diferentes tipos de jogadores.

Contras

  • Ausência de tradução para português brasileiro;
  • A campanha é curta e a estrutura das áreas, repetitiva;
  • Há estratégias claramente desbalanceadas, que facilitam ou dificultam muito a campanha;
  • Nas dificuldades mais elevadas, as batalhas tendem a ficar mais cansativas e monótonas.
Montabi — Switch/PC — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Julia Loffreda Costa
Análise feita com cópia digital cedida pela Akupara Games
OpenCritic
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Gustavo Souza
é geólogo, entusiasta de tecnologias e apenas mais um mineiro que não vive sem café e pão de queijo. Está sempre com um console portátil na mão e gosta de passar o tempo jogando uma partida de FIFA, cuidando de uma pequena fazenda e dirigindo seu caminhão pelas estradas europeias.
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