Cheiro de armadura nova
A principal diferença entre as duas versões é a variedade de abordagens. Enquanto o original, de 1986, apresentava uma campanha única focada no domínio territorial da Inglaterra do século XII, a nova versão divide a experiência em três formas que se complementam. Uma delas é o exato mesmo jogo, mas atualizado com suporte a controles modernos; outra é uma versão retrabalhada, que atualiza a interface e a arte pixelada do clássico; e, por fim, um modo completamente novo, com estrutura de roguelike e construção de baralho, sendo esse o que irá de fato dialogar com o público moderno. Essa nova opção transforma o título em um jogo de cartas e rolagens de dados, o que garante grande rejogabilidade e uma camada de imprevisibilidade, que o jogo original não tinha por limitações da época.
Na parte visual, o paralelo entre as duas versões mostra escolhas bastante conscientes por parte dos desenvolvedores. O jogo de 1986 impressionou por se utilizar muito bem da paleta de 32 cores dos computadores Amiga com ilustrações que pareciam pinturas em uma época dominada por gráficos extremamente simples. Na versão atual, o estúdio decidiu não abandonar essa identidade e optou por uma pixel art moderna, que emula o estilo de suas ilustrações dos anos 80.
Essa escolha visual é acompanhada por pequenas melhorias na interface, permitindo que o jogador identifique rapidamente elementos no mapa, mova tropas sem a burocracia clássica e visualize informações que antigamente ficavam ocultas. Além disso, toda a parte de áudio, tanto de combates quanto de músicas, foi repaginada no modo clássico e renovada em novas roupagens, mantendo a mesma identidade consagrada.
A lenda retorna para ficar
A recriação dos minijogos também demonstra o cuidado da equipe em atualizar uma jogabilidade que era fortemente dependente da precisão mecânica da época. No título original, os duelos de espada durante os saques aos castelos eram duros, enquanto as disputas de justa com lanças exigiam uma precisão extremamente punitiva nos comandos.
Na versão atual, esses confrontos ficaram muito mais fluidos, como mecânicas de bloqueio e parry na luta de espadas, além de um novo sistema de controlar o equilíbrio do cavalo nas justas. Já o cerco por catapultas, que no passado dependia exclusivamente de um mini jogo para derrubar muralhas, ganhou uma alternativa mais tática no modo reformulado, sendo possível resolvê-lo por testes de atributos e cartas de suporte.
O grande crédito desse novo projeto é reconhecer os méritos do jogo de 1986 e transformá-lo em algo irreconhecível (como ocorreu com Prey em 2017, que utilizava somente o nome do jogo original de 2006). Como o clássico funcionava muito mais como um espetáculo do que como um simulador de conquista, a versão moderna preserva a agilidade das partidas originais enquanto amplia as mecânicas e possibilidades, oferecendo novos sistemas para quem busca mais profundidade. O resultado é uma homenagem respeitosa, podendo se desempenhar até mesmo como um documento histórico, permitindo ao jogador analisar como o design de jogos pode evoluir sem perder a essência da obra original.
Prós
- O jogo preserva a identidade e a essência do original;
- A inclusão dos novos modos, repaginado e roguelike, trazem grande rejogabilidade e dinamismo para o público atual;
- Mantém o clássico e marcante estilo de arte da obra, combinando-o com uma interface mais limpa e intuitiva;
- A atualização das dinâmicas de combate, com novas mecânicas nas lutas de espada, como o parry, são indispensáveis para a proposta de atualizar o título.
Contras
- A disputa dos torneios de justas continua sendo punitiva e pouco intuitiva, mesmo com as atualizações.
Defender of the Crown: The Legend Returns — PC, PS5, XSX, Switch — Nota: 9.5Plataforma utilizada para análise: PC
Revisão: Julia Loffreda Costa
Análise redigida com cópia digital cedida pela Nordcurrent Labs



