Análise: Agefield High: Rock the School se inspira em Bully, mas sua execução é precária e não merece passar de ano

O título da Refugium Games poderia ser um bom sucessor para o jogo da Rockstar, porém pouca coisa realmente funciona para isso.

em 25/08/2026

Dentre os principais jogos lançados no início deste século, Bully se tornou um marco muito grande para o público. O título da Rockstar ousou em colocar os jogadores para causar confusão dentro de uma escola, fazendo-nos assistir aulas, brigar com valentões e ajudar o Jimmy Hopkins em seu ano letivo. Desde então, muitos sentem falta e desejam uma continuação de um dos games mais famosos da era do PlayStation 2.

Nesse sentido, Agefield High: Rock the School chegou neste mês para preencher (ou pelo menos tentar) essa lacuna deixada pela Rockstar. Na história, acompanhamos Sam, um rapaz que se mudou para a cidade de Agefield com sua mãe e irmã após o divórcio de seus pais e agora terá que terminar o ano letivo em uma nova escola. Mesmo com boas ideias envolvendo as aulas, combate, exploração e missões, Rock the School deixa muito a desejar por conta de sua jogabilidade capaz de destruir até os melhores conceitos.



Bem-vindo a Agefield 

A nova casa de Sam está localizada bem no subúrbio da cidade, com uma ambientação bem tradicional que é vista em filmes e séries norte-americanas. Além disso, como o jogo se passa no início dos anos 2000, todo o estilo de vida das pessoas, seja pelos móveis da casa, roupas e carros, são representadas com a estética da época.

No primeiro dia na escola, Sam já se depara com tudo o que o estereótipo de filmes besteirol costumam colocar nos filmes: o jogador de rugby brigão, a líder de torcida burra, o nerd que sofre bullying, a gótica sem amigos, e por aí vai. Como a proposta do game é satirizar tudo o que costumamos ver nesses filmes, vale destacar que a produção fez um bom trabalho em construir uma ambientação que realmente faz parecer um produto da época, mesmo que o humor seja completamente datado hoje em dia.




Essa caracterização não se limita apenas aos colegas de classe. Na nossa vizinhança temos o idoso ex-combatente de guerra, professores que ficam perseguindo alunas, um grupo de crianças com esconderijo na floresta e muitos outros. Entre as aulas, temos horários vagos nos quais podemos interagir com esses personagens para cumprir missões principais e secundárias, que avançam a história e nos premia com dinheiro e itens cosméticos, respectivamente.

Essa caracterização é basicamente o único ponto forte do jogo, trazendo personagens e diálogos engraçados, mesmo com o humor questionável. A história não é exatamente uma qualidade, mas funciona bem como um plano de fundo para nossas ações. Junto de nossos amigos, começamos a causar confusão na escola e planejar como chamar a atenção no baile de formatura no final do ano. É basicamente um roteiro de filme besteirol adolescente genérico, mas que consegue arrancar umas risadas vez ou outra.

Uma coisa que vale destacar é que o jogo se encontra com legendas e interface traduzidas para português brasileiro, o que ajuda bastante, principalmente em missões que temos escolher falas certas para dar continuidade. No geral, a qualidade da tradução é boa, trazendo gírias e falas comuns da época.



Um bocado de ideias interessantes

Agefield High: Rock the School é um título de ação e mundo aberto que traz o básico do que normalmente é visto no gênero. Temos um mapa para explorar e nosso principal meio de locomoção é uma bicicleta que desbloqueamos logo nas primeiras missões. No local, temos pontos de interesse que iniciam aulas, missões principais e secundárias, além de lojas em que podemos comprar itens cosméticos para o Sam.

Aqui, o jogo traz uma boa variedade de conceitos, explorando diferentes mecânicas em contextos variados, mesmo que a execução não seja das melhores. Começando pelas aulas, que seguem uma grade de horário pré-definida nos dias de semana, com disciplinas como inglês, alemão, matemática, música e geografia. Claro que a participação das aulas é opcional, porém temos que tomar cuidado com os inspetores que tentam nos punir quando faltamos aula.




Em cada aula há um minigame simples: inglês e alemão consistem em completar e traduzir palavras, respectivamente; matemática nos obriga a fazer contas; em geografia precisamos indicar qual país está marcado no mapa; e música há um Guitar Hero simplificado. No geral, não é nada muito elaborado e tende a ficar repetitivo com o tempo.

As missões primárias e secundárias exploram uma maior variedade. Seja entrando na casa do valentão da escola para roubar uma bicicleta, perseguir um ladrão pelas ruas, cortar a grama do vizinho, defender alunos que sofrem bullying ou até entregar os pedidos de uma lanchonete com a bicicleta, há uma gama de ideias explorada ao longo da jogatina que mostram que havia um potencial em Agefield High.

No geral, o jogo não mostra nada muito além de uma experiência comum de mundo aberto. A temática escolar é bem aproveitada com as missões, em especial quando introduzem personagens novos e também caricatos e praticamente toda a campanha é sustentada com piadas e cenas engraçadas ao longo das cutscenes. Por sinal, vale destacar que estão totalmente dubladas, mesmo que a atuação de voz seja medíocre e o modelo dos personagens não tenham muitas expressões faciais.



Problemas técnicos que atrapalham a experiência

Mesmo com as boas ideias, a experiência com Agefield High é completamente destruída por problemas técnicos. O jogo tenta explorar missões stealth, combate, exploração, mas todas as mecânicas são falhas e mal elaboradas. Além disso, os gráficos, dublagem, e as animações dos personagens também deixam a experiência monótona com o tempo.

Começando pelas aulas, elas poderiam ser um dos grandes destaques do game. Quem jogou Bully na época lembra de como era divertido fazer as aulas e desbloquear recompensas, ou até mesmo matar aula e fazer outras atividades. A Refugium Games tentou simular essa ideia, porém fracassou, principalmente por não trazer quase nenhum benefício para completar essas missões. Não ganhamos nada além de dinheiro, que na prática não tem muita utilidade na história.




Fora isso, fazer contas, completar palavras e apontar países pelo mapa-mundi não são as coisas mais interessantes de se fazer. A única experiência que se salva (e olhe lá) é a aula de música, na qual temos um Guitar Hero simplificado rolando. Mesmo assim, não é algo que realmente me fazia ter vontade de fazer ao longo da campanha, pois tocar músicas genéricas repetidamente não era algo divertido.

Explorar o mundo com a bicicleta ainda era, de certa forma, gratificante, principalmente pela boa ambientação. Mas sempre que entrava em alguma missão, logo vinha o arrependimento. Seja pelo sistema de stealth para entrar na escola à noite e manipular as notas da prova, ou entrar em combate com os valentões, nada parece funcionar direito. É uma sensação de que as mecânicas não estavam completamente desenvolvidas.




O combate é o mais impactado nisso tudo. Na hora de sair no soco com os valentões, a sensação era de estar controlando robôs com movimentos limitados. Todas as ações, seja socar, chutar, empurrar ou bloquear, são travadas, fora o hitbox impreciso, o que dificultava terminar uma missão. Isso era ampliado em lutas contra mais de um oponente, em que era difícil mudar o foco de ação entre eles, além de possuírem uma inteligência artificial limitada.

Não era uma ou duas vezes que os inimigos começavam a socar o ar ou se enrolavam tentando me atacar ao mesmo tempo. Essa imprecisão se estende para os bugs encontrados ao longo da campanha. Embora nenhum tenha impedido o progresso, era comum ver personagens em pose de T, presos em paredes ou simplesmente desaparecendo. Como disse, isso não me impediu de prosseguir com o jogo, mas é um indicativo que o desenvolvimento ainda não parece completo.



Nota baixa e reprovado 

No fim das contas, Agefield High: Rock the School fica muito distante de ser o sucessor espiritual que os fãs de Bully tanto esperam. A Refugium Games até acerta ao construir uma ambientação carismática que homenageia os clássicos filmes adolescentes dos anos 2000, oferecendo boas piadas e uma grande variedade de ideias para as missões. No entanto, a execução trágica de suas mecânicas básicas acaba com qualquer chance de diversão. É um título que tenta abraçar muitas coisas, mas falha no fundamental e acaba reprovado com méritos.

Prós

  • A ambientação nostálgica, que retrata muito bem a estética e o clima dos filmes adolescentes dos anos 2000;
  • A grande variedade de ideias para as missões principais e secundárias ao longo da cidade;
  • A presença de localização completa com interface e legendas em português brasileiro de boa qualidade;
  • A caracterização divertida e caricata dos moradores, professores e alunos da vizinhança.

Contras

  • O sistema de combate extremamente travado, com hitbox impreciso e inteligência artificial limitada;
  • As aulas e minijogos genéricos, que se tornam repetitivos e não oferecem recompensas relevantes;
  • Os problemas técnicos e bugs frequentes, como personagens presos em paredes e animações em pose de T;
  • A atuação de voz e as expressões faciais dos modelos de personagens que deixam a desejar.
Agefield High: Rock the School  — PC — Nota: 4.0
Revisão: Thomaz Farias
Análise feita com cópia digital cedida pela Refugium Games
OpenCritic
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Gustavo Souza
é geólogo, entusiasta de tecnologias e apenas mais um mineiro que não vive sem café e pão de queijo. Está sempre com um console portátil na mão e gosta de passar o tempo jogando uma partida de FIFA, cuidando de uma pequena fazenda e dirigindo seu caminhão pelas estradas europeias.
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