Após uma temporada de estreia intrigante e uma segunda com uma baita seleção de elenco, a SNK não tirou férias e está pronta para lançar mais um semestre repleto de novos combatentes em Fatal Fury: City of the Wolves. Como foi iniciado o cronograma em janeiro de 2026, teremos um novo personagem a cada mês, sendo que quatro deles já foram apresentados.
Rick Strowd, que apareceu pela primeira vez em Real Bout Fatal Fury 2: The Newcomers, retorna para abrir as portas da nova era dos Lobos Famintos quase 30 anos depois. Mais feroz do que nunca e com a mesma ginga de antes, a SNK nos deu a oportunidade de testá-lo antecipadamente, assim como as DLCs anteriores.
O Lobo Branco do Ringue retorna
No final dos anos 90, alguns personagens indígenas começaram a aparecer em jogos de luta, como T. Hawk de Street Fighter, Nightwolf de Mortal Kombat, Chief Thunder de Killer Instinct e Wolf de Virtua Fighter. Cada guerreiro incorporou elementos únicos de suas respectivas culturas nativas, e Rick foi mais um que trouxe uma interessante adição ao introduzir o pugilismo na mistura.
Apesar de ter um estilo de jogo bastante cativante e um design chamativo, Rick não teve as mesmas oportunidades que a outra novata de Real Bout Fatal Fury 2, Li Xiangfei, que fez participações em The King of Fighters. Para piorar, o indígena foi “transformado” na Vanessa em KOF, com a ruiva tendo uma versão mais ágil de seu moveset.
Para City of the Wolves, o guerreiro volta mantendo todo o seu estilo. Rick é considerado um rushdown, extremamente ofensivo e ideal para quem gosta de pressionar o adversário. Apenas um deslize e seus ataques poderosos se transformarão em combos devastadores, uma ameaça real em seu jogo de origem e que tem potencial para ser aqui também.
Como um combatente de média e curta distância, Rick pode confiar em seu Shooting Star para conseguir alcance do oponente rapidamente. O avanço pode ser seguido por um ataque sequencial que, em sua versão REV, serve de início para combos se cancelado no momento certo. Esse movimento possui uma versão defensiva chamada Divine Blast, ideal para ganhar espaço durante uma ofensiva adversária e puni-lo, se houver oportunidade para isso.
Para um oki ou para colocar alguma pressão no adversário, o Blazing Sunburst volta com a mesma finalidade: um lento e potente cruzado. Nesse golpe, percebi algumas possibilidades interessantes, como o extensor de combos com REV ou no meio de uma combinação normal como finta — algo que ainda não consigo executar com sucesso por falta de dedos habilidosos.
O Full Moon Fever, seu tradicional balanço esquivo, sofreu uma mudança. Em vez de ser utilizado para evitar ataques altos, agora é empregado para desviar de projéteis. Pode ser seguido de imediato por Shooting Star, sendo uma estratégia perfeita para se aproximar mais de jogadores retranqueiros.
E, claro, o Hellion retorna, continuando a ser seu movimento especial de assinatura. Ao formar um rastro de cruz com dois socos, pode ser utilizado tanto como um ataque antiaéreo, se bem cronometrado, quanto para juggling ou até de extensor na versão REV, pois o terceiro acerto adicional faz com que o oponente seja rebatido no chão. Trata-se de um elemento essencial para um bom combo, tanto no papel de intermediário quanto no de iniciador.
A pressão agressiva
No entanto, Rick não traz apenas ferramentas conhecidas; ele também possui uma técnica de stance. O Agressor Style posiciona o boxeador de forma que permite transitar para uma situação de 50 a 50, podendo ser um soco rápido, um golpe overhead, um counter físico, um pisão que atinge a parte inferior do oponente ou uma sequência de ataques que pode funcionar de finalização para uma sequência de socos rápidos.
Estou muito interessado em observar a execução do Agressor Style no ambiente profissional, especialmente considerando que sua função, a princípio, parece ser mais de pressão — de maneira similar ao Jhun Hoon de KOF. Apesar disso, os socos funcionam em combos com juggling, e claro, durante uma situação de counter.
Enquanto Rick deve dominar o espaço no meio de campo, ele tem a capacidade de fazer do adversário um verdadeiro saco de pancadas encostado na parede da arena. Vários de seus REV Accels são capazes de lançar o adversário ao ar, e, já que o Shooting Star REV atua naturalmente como um “cancelador de especial”, isso permite prolongar uma combinação sem se preocupar com o posicionamento da investida.
Nesses casos, os Ignition Gears são bons finalizadores. O Gaia Breath requer que o primeiro golpe curto conecte, para encerrar com um forte tornado. O Howling Bull acaba sendo o mais interessante, pois o vento dos ataques funciona como uma “hitbox invisível”. Como ele é capaz de anular projéteis, é útil para situações em que o adversário está muito seguro de seus reppukens a média distância e, além disso, consegue atingir a uma distância um pouco mais segura.
Por falar nisso, Howling Bull era seu P-Power em Real Bout Fatal Fury 2 e um dos mais quebrados do jogo, principalmente porque não permitia contra-ataques — ou seja, era plus até na defesa. Não confie nisso em City of the Wolves, pois falhar na ofensiva é convite para uma punição severa.
Por último, seu Hidden Gear é simples, começando com um golpe cruzado seguido de uma cutscene que lembra uma versão mais cinematográfica do Howling Bull. Nada que se sobressaia tanto no espetáculo visual — o que, lamentavelmente, é a norma em City of the Wolves.
É importante ressaltar que o acesso antecipado ao personagem oferece apenas uma demonstração básica de suas habilidades, permitindo apenas o uso nos modos treino e versus local para experimentação. Na segunda temporada, personagens como Jae Hoon e Blue Mary, que pareciam poderosos no papel, ficaram à sombra de outros. Assim, o meta a longo prazo nos mostrará a eficácia do pugilista. No entanto, já adianto que achei o personagem muito divertido.
Modernizando sem mudar a essência.
No que diz respeito ao visual, Rick já é um dos meus personagens favoritos do jogo. Seu design original permanece inalterado, com a calça branca e o sapato social contrastando com alguns adornos indígenas, como os belos colares e brincos. A principal alteração diz respeito às tatuagens, que antes eram predominantemente faixas azuis pelo corpo e agora se transformaram em símbolos tribais e desenhos mais complexos, tal qual sua gigante águia nas costas.
As animações também foram adaptadas para o 3D de forma satisfatória, apesar de não apresentarem a mesma elegância da época dos sprites. As tranças do Rick estão mais fluidas do que nunca, as transições entre os golpes estão naturais e sua personalidade ainda está em sua movimentação. As únicas alterações que não gostei foram a substituição da provocação por uma mais genérica e a pose padrão de luta, que perdeu os pulinhos.
Mais um semestre promissor se inicia
Rick Strowd, um tributo à época Real Bout da franquia, começa a terceira temporada com punhos na porta. Com todos os seus movimentos característicos e um potencial melhorado graças ao sistema REV, além de um visual bem adaptado para campos poligonais, o pugilista pode ter a oportunidade de brilhar novamente no ringue em Fatal Fury: City of the Wolves, após quase 28 anos de sua primeira e única participação nos confrontos principais da SNK.
Espero que, com a sua chegada, a SNK dê mais atenção ao legado deixado entre Fatal Fury 3 e Garou: Mark of the Wolves. Mary está no elenco, porém o retorno de personagens como Hon Fu, Franco Bash, Bob Wilson e Alfred Hawk seria extremamente apreciado. Os outros três personagens anunciados para a terceira temporada não fazem parte do meu pedido, mas ainda há mais duas vagas e (supostamente) mais duas temporadas previstas, então quem sabe? Até lá, teremos a oportunidade de desfrutar do estiloso Rick Strowd dia 21 de julho.
Revisão: Ives Boitano
Texto de impressões produzido com versão de teste para PC cedida pela SNK

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