No embalo da Copa do Mundo, algumas obras foram lançadas ou anunciadas. Entre uma tentativa oficial para dispositivos móveis e a continuação de um divertido futebol de anime, o desenvolvedor independente nospacelost trouxe uma proposta distinta chamada Kick, que combina elementos de plataforma com a significativa influência da física da bola. Tivemos a chance de testar o jogo antecipadamente, e ele mostra um grande potencial, apesar de alguns problemas.
Chutando para a vitória (de chegar à escola)
No controle de um garoto indo para a escola, precisamos fazer o percurso com a pelota nos pés e improvisar em meio ao caos urbano e residencial. Essa é a premissa de Kick e, conceitualmente, achei a ideia bastante intrigante. Cada etapa apresenta uma variedade de desafios e obstáculos que exigem o uso da física da bola para diferentes propósitos.
A principal mecânica — e o maior desafio — de Kick é manipular a bola. Para isso, existem várias maneiras de chutá-la e mover o menino ao mesmo tempo. Chutes altos, embaixadinhas para manter a bola no cabeceio e carrinhos para passar por espaços apertados são alguns dos movimentos essenciais para dominar.
Cada fase apresenta alguns obstáculos ao longo do percurso, que, de forma resumida, são componentes do cenário que não podem ser eliminados. Cancelas, cones e pessoas estarão sempre no trajeto, e é preciso redobrar a atenção para evitar jogar a bola em locais inadequados ou mesmo colidir com o aspirante a jogador nesses obstáculos.
O primeiro mundo faz um excelente trabalho ao nos ensinar gradualmente o que precisamos fazer, especialmente ao levar em consideração o percurso da esfera para nos auxiliar na coleta de itens no cenário, como letras para formar a palavra "GOAL" e moedas, que podem ser utilizadas para desbloquear novas bolas, algumas das quais possuem efeitos distintos.
A imprevisibilidade esférica
No entanto, o desafio é muito maior do que eu previa. As etapas de uma corrida ou o percurso do primeiro mundo, que requer a coleta de 100 moedas, são rigorosos e oferecem pouca margem para erros. Como não existem métodos de acessibilidade, cada nível se transforma em um ciclo de tentativas e erros.
A maioria desses problemas está relacionada à imprevisibilidade da física da bola. Senti falta de um botão que a interrompesse completamente ou que permitisse ajustes precisos de sua posição para preparar um chute em um ângulo específico. É possível mover o direcional analógico suavemente para fazer o garoto caminhar devagar, porém ainda não é tão preciso. Como o lançamento da versão final ainda deve demorar um pouco, espero que alguns desses problemas sejam resolvidos até lá, já que se trata de mera falta de polimento.
Admiro o esforço em tornar os desafios mais complexos do que simplesmente ir do ponto A ao ponto B. Além das corridas contra um cachorro e a sombra de um avião, há momentos em que precisamos tirar do galho de uma árvore a bola de uma criança e, assim, aprendemos o chute alto.
A beleza da vizinhança
Embora a jogabilidade tenha algumas falhas, Kick se sobressai bastante em termos de apresentação. Localizado no que parece ser um bairro residencial japonês, exploramos ruas, praças, becos e passamos por lojas e outros lugares que se transformam de maneira natural em playgrounds para a gameplay. Passa a sensação de que o próprio ambiente está contando uma história não registrada.
Enquanto o ambiente é criado em 3D, componentes como NPCs e vegetação são elaborados com ilustrações à mão, em um estilo que remete a animes do gênero "slice of life", tudo em um clima descontraído. Há também um humor peculiar, como o da moça com um guarda-sol que, quando removido por acaso, revela um cabelo esvoaçante inusitado.
Como pode ser visto em algumas imagens, o jogo contará com diversos ambientes além desses bairros mais simples, como uma zona de obras, um metrô e uma praia. Como cada um apresentará dificuldades e desafios distintos, a diversidade de Kick está assegurada.
Um chute na trave que pode ser convertido em gol
Apesar de ainda ser um pouco rudimentar em termos mecânicos, Kick possui uma forte personalidade ao incorporar os elementos fundamentais do futebol em um jogo de plataforma. Soa como uma versão mais contemporânea do clássico Soccer Kid, mas enfatizando o comportamento da bola, em vez de usá-la como uma arma. Com o polimento adequado e algumas implementações de acessibilidade, temos um ótimo candidato para peladas descompromissadas em 2026.
Revisão: Heloísa D’Assumpção Ballaminut
Texto de impressões escrito com cópia digital cedida pela Shoreline Games

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