Se tem uma coisa que os jogos de plataforma são bons é em criar mascotes carismáticos: Mario, Sonic, Alex Kidd, Rayman, Gex, Crash Bandicoot, Banjo & Kazooie, Conker, é só escolher. Opções não faltam nas últimas cinco décadas, e isso pode ter dificultado a vida das gerações mais novas de se destacarem.
Teeto pode não parecer o herói mais convencional, mas da sua maneira própria consegue oferecer uma aventura sólida e com um protagonista cheio de truques (graças à sua parceira).
A coelha cientista e a grande bolha azul
Nory é uma coelha de pelúcia metida a cientista que está tentando resolver um problema sério: devido a um acidente nos Laboratórios Ace, todos os humanos sumiram e o mundo foi tomado por criaturas constituídas de sombras. Outra consequência é que objetos inanimados, como móveis, frutas, eletrodomésticos e brinquedos, ganharam consciência. Inclusive, daí vem a “vida” de Nory.
Ela decidiu criar um ser que absorvesse as sombras, e deu a ele o nome de Michael. A experiência não deu certo e em vez de absorver, ele se multiplicou em vários serzinhos pequenos e fugiu. De volta à prancheta, ela continuou tentando e falhando até chegar à experiência T-33 T-0, a qual Nory batizou de Teeto.
Teeto faz exatamente o que Nory precisava. Ele consegue absorver as sombras, mas, além disso, ele também consegue assumir as características de outros objetos: ao absorver uma tomada, Teeto adquire poderes elétricos; absorver uma flor faz com que ele possa usar vinhas para se balançar; e também há outros objetos mais inconvencionais que podem ser absorvidos, como sofás, pilhas de lixo, pedaços de papelão e baldes de praia. Mesmo assim, todos eles têm uma particularidade importante para progredir.
No mais, ele possui os comandos básicos de um plataforma 3D: pulo duplo, com direito a poder planar no ar, e um golpe básico. Sendo bem sincero, a maior força do jogo está no seu level design. Há estágios que não saem do mesmo espaço, como o cômodo de uma casa ou um pequeno mercado, e outros que são em florestas e praias. O que pauta a duração deles é a pressa do jogador.
Sendo sincero, acho que de todas as 24 fases, só encontrei duas ou três sessões mais chatinhas de serem passadas, devido ao timing de objetos que sumiam e apareciam, mas nada que um pouco de prática não resolvesse. A grande maioria trazia um ótimo número de elementos e uso dos poderes do Teeto para acionar chaves e alavancas. Um único problema que ocorreu foi um congelamento na animação de queda, em que Teeto ficava “caindo”, mesmo parado no chão, mas isso ocorreu poucas vezes e parava ao apertar qualquer botão de ação.
Cruzar a fase do começo ao fim pode durar poucos minutos, mas aí entram os colecionáveis, que não são os mais difíceis de serem encontrados, mas aumentam consideravelmente o fator replay. Os pequenos Michaels que a Nory deixou fugir estão espalhados por todos os lugares e também temos que ficar de olho nas vionitas, pedras especiais que são obtidas após realizar missões paralelas ou são achadas pelos cantos. Por fim, as batalhas contra chefes também trazem uma ótima variedade de desafios, com a necessidade do uso de poderes na hora certa para causar dano.
Eu não nego que Teeto seja um jogo divertido e bastante cativante, mas também não dá para ignorar que a dificuldade baixa dele possa não ser tão atrativa para os jogadores veteranos. É possível platinar o jogo com tranquilidade em umas cinco horinhas, menos até. Existe a alternativa de ativar invencibilidade e tornar a jornada da bolota azul ainda mais suave. Por fim, é possível dividir a aventura com um amigo a qualquer momento de maneira local. O segundo controle fica com um Teeto Rosa e a tela é dividida ao meio.
101 Michaels
Existe outro elemento-chave para jogos de plataforma que Teeto usa muito bem: o bom-humor. Desde as falas sarcásticas de Nory com outros NPCs, até trocadilhos sutis com posteres de bandas, há diversos artifícios que tornam os diálogos leves, mesmo com uma narrativa que traz uma certa seriedade sobre o motivo do surgimento das criaturas das sombras (mas fiquem tranquilos, não darei spoilers).
Quem focar nas referências, também notará que as fases têm diversos trocadilhos que remetem à jogos e séries clássicas. São bem pensados, mas alguns não funcionam tão bem em português, apesar de arrancar risadas sinceras.
Teeto possui mais de 50 trajes especiais, alguns encontrados nos cenários e outros comprados com estrelas coletadas ao longo do jogo. E, convenhamos, a bolha azul fica uma graça fantasiado de unicórnio, vampiro, múmia, punk e até jogador de basquete.
Agora, se for para falar de variedade, os Michaels brilham. Muito mais do que só uma experiência que deu errado, cada um deles se transformou em algo. Podemos encontrar o Michael buquê de flores, o Michael Pen Drive, Michael Emo, entre muitos outros. Ao todo são 100, cada um representando uma ideia mais inesperada que a outra.
Tudo isso acontece com visuais coloridos e alegres, que conseguem suavizar até mesmo um prédio pegando fogo em meio a uma enorme criatura das sombras nos perseguindo. Fofo, não?
Esses elementos funcionam muito bem em conjunto, e a trilha sonora fecha esse conjunto, com melodias bem grudentas, que ficam na cabeça facilmente. Também vale citar que as fases de chefe e de perseguições tem tons mais pesados, com guitarras bem fortes, trazendo um pouco mais de energia para os momentos mais cruciais da aventura.
Tudo azul com orelhinhas de coelho
Teeto entrega uma ótima mistura de plataforma, carisma e bom-humor, mesmo com um desafio um pouco mais leve que o habitual encontrado nos jogos atuais, o que o torna ideal para quem quer tentar uma experiência completinha, mas não tem muita intimidade com o gênero. É o título ideal para quem busca a sua primeira platina, por exemplo.
Prós
- A ideia de usar poderes para mudar a habilidade especial do Teeto é bacana;
- Excelente level design geral e luta contra chefes bacanas e desafiadores;
- O bom-humor leve e inocente arranca risadas honestas;
- Achar os Michaels e ver todos eles é uma sub-tarefa divertida.
Contras
- A baixa dificuldade pode tornar o jogo desinteressante para quem quer algo mais difícil;
- Em alguns momentos, Teeto fica congelado como se estivesse caindo, mesmo parado.
Teeto — PC/PS5/Switch — Nota: 8.5Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Beatriz Castro
Análise feita com cópia digital cedida pela Super Rare Originals












