Produzido e publicado pela AdventureWorks, LIFTED é uma aventura de plataforma em que acompanhamos Ari, um jovem que é recrutado pelo professor Raventhorpe para viajar no tempo e encontrar a lendária Tiara de Nefertari. O jogo combina sessões de plataforma e puzzles em fases ambientadas em diferentes períodos históricos e se destaca pela jogabilidade simples e história divertida, apesar de alguns problemas pontuais que aparecem ao longo da campanha.
O aluno, o professor e a chinchila
A história de LIFTED começa com Ari, um jovem estudante que vai atrás do Professor Raventhorpe em busca de atividades extras para aumentar sua nota na disciplina de história. O professor vê nisso a oportunidade perfeita para usar o aluno como ajudante em mais um de seus planos mirabolantes: pegar a Tiara de Nefertari no Egito Antigo para presentear uma professora por quem ele é apaixonado.
Sem saber a localização exata da relíquia no presente, o plano consiste em usar uma máquina do tempo para pegá-la direto no país africano no ano de 1817. É assim que o estudante e Julius, uma chinchila de estimação, são recrutados para essa curiosa missão.
Esse contexto bem-humorado acompanha os protagonistas em incursões por diferentes períodos históricos, como o Caribe em 1712, com direito a perseguição de piratas, e o México no ano de 900. A narrativa como um todo possui o tom clássico de um filme de aventura infantil, abusando de clichês em seus diálogos, piadas e na construção dos personagens.
Embora algumas cenas cheguem a ser um pouco bobinhas, a proposta é muito bem ajustada para o público mais jovem. Um ponto positivo que ajuda na imersão consiste na dublagem completa em inglês de todos os personagens e legendas em português brasileiro.
Um jogo de plataforma básico, mas com boas ideias
LIFTED é um jogo de plataforma 2.5D, no qual a movimentação é restrita a quatro direções, mas os personagens e cenários são totalmente modelados em 3D. O trabalho de ambientação é um dos pontos fortes do jogo, trazendo fases ricas em detalhes e cores que retratam cenários variados, como o Egito Antigo, o Caribe cheio de piratas e templos mexicanos.
Para dar mais dinâmica à exploração, o game utiliza uma câmera que acompanha o jogador pelas plataformas, criando uma sensação de profundidade bem divertida. O level design também merece destaque por mesclar de forma equilibrada as seções de pulos precisos com quebra-cabeças relativamente simples de resolver, baseados em manipular caixas e alavancas.
A estrutura das fases segue um padrão bem definido: começam de forma cadenciada para introduzir uma nova mecânica, como o gancho para balançar, o salto pelas paredes ou plataformas especiais, passam por alguns puzzles e terminam com uma perseguição intensa, com destaque para a perseguição em um carrinho de mina, lembrando as clássicas fases de Donkey Kong Country.
Os quebra-cabeças, apesar de bem pensados, deixam um pouco a desejar em relação à variedade. Boa parte dos desafios consistem em mover e achar combinações de caixas e alavancas para desbloquear o caminho. Apenas na última fase o jogo se arriscou um pouco e explorar desafios baseados na reflexão de luzes, que realmente me fizeram parar para pensar um pouco.
Infelizmente, a aventura é muito curta e pode ser concluída em cerca de três horas. Existe um fator replay mínimo focado em coletar itens escondidos que liberam novas roupas para Ari, mas não há muita motivação real para revisitar o game após os créditos.
Acessível, mas com problemas
A proposta central de LIFTED é ser um jogo altamente acessível. O título não pune o jogador severamente e traz um sistema de renascimento muito rápido caso você caia em buracos ou encoste em espinhos. Além disso, há opções no menu para facilitar os quebra-cabeças e os saltos, o que se mostra uma excelente pedida para crianças pequenas que ainda estão aprendendo a mexer no controle. O único momento em que o desafio aperta é nas perseguições que encerram as fases, onde o cenário desaba e qualquer erro te joga direto para o início daquela seção.
O verdadeiro problema do jogo não está na sua dificuldade, mas sim na falta de polimento. O título peca gravemente na precisão de certos comandos. A própria câmera, que ajuda na dinâmica das fases, por vezes se posiciona em ângulos péssimos que atrapalham muito na hora de calcular corretamente a distância até a próxima plataforma.
Para piorar, há uma imprecisão gritante na colisão do personagem com galhos e cipós usados para balançar. Não foram poucas as vezes em que eu pulava e a colisão simplesmente não funcionava, resultando em muitas mortes e me fazendo repetir certos trechos várias vezes. Quando a câmera ruim se somava a esses problemas de colisão, o jogo gerava um nível de frustração considerável.
Ainda assim, uma ótima pedida
Mesmo com falhas técnicas que incomodam um pouco, LIFTED ainda se sustenta como uma aventura prazerosa se você tiver um mínimo de paciência para relevar os problemas de colisão. O ritmo rápido e a facilidade de navegação compensam os erros de execução. No fim das contas, o jogo entrega uma ótima e divertida porta de entrada para o mundo dos videogames, sendo uma recomendação certeira, principalmente para o público infantil.
Prós
- A proposta muito acessível, ótima para introduzir crianças ao gênero de plataforma;
- A ambientação histórica é bem-feita e conta com cenários coloridos e detalhados;
- A câmera dinâmica e mecânicas variadas dão um bom ritmo às fases;
- O sistema de renascimento rápido diminui a frustração dos erros.
Contras
- Problemas de colisão em cipós e galhos usados para balanço;
- Os ângulos de câmera dinâmicos que atrapalham a noção de espaço em certas plataformas;
- A campanha é muito curta e com baixo incentivo para ser jogada novamente.
LIFTED — PC — Nota: 7.5
Revisão: Johnnie Brian
Análise feita com cópia digital cedida pela AdventureWorks










