Atualmente, dá para constatar que há uma saturação em diversos gêneros de games, e o de plataforma com certeza está entre eles, mas não julgo os desenvolvedores. Muitos cresceram embalados por Donkey Kong, Mario, Sonic, Crash e afins, então é natural nascerem muitos clones ou “primos distantes”.
Todavia, também há aqueles que conseguem expor ideias originais e únicas, ainda que de maneira mais discreta. Junkster coloca a criatividade do jogador à prova, pois só dá para progredir se construirmos nosso próprio caminho.
Reciclagem pesada
A unidade robótica UM-13 é especializada em coletar lixo e reutilizá-lo, criando plataformas, pontes, entre outros meios de travessia. Cada fase é retratada como uma história em quadrinhos que alguém está lendo sobre as aventuras do protagonista. Inclusive, elas vêm acompanhadas de peças de um diorama, que se tornam o objetivo principal assim que iniciamos cada fase.
UM-13 só conta com seu martelo para combater algumas criaturas, saltos duplos e seu poder de coletar peças coloridas de diferentes tamanhos. Podem ser vigas longas, rampas triangulares de concreto ou pisos quadrados. Essa mecânica de coletar e usar as peças a nosso favor é o que dita a mecânica de jogo. Apesar de ter uma ferramenta de ataque, o robozinho é frágil a diversos perigos da área, como esporos e lasers. Para superá-los, ele também pode construir veículos, que podem conter armas, serras circulares ou apenas pernas rápidas.
Os estágios não são longos, mas, como há a dependência da criatividade e objetividade de quem está no controle, nem sempre a solução mais óbvia é a utilizada, e uma ponte que poderia ter apenas quatro peças, acaba com mais de dez partes. Cada pedaço de lixo pode ser girado em diferentes ângulos, e isso pode ser um pouquinho mais chato de condicionar quando se trata das rampas diagonais, pois nem sempre elas encaixam da maneira que gostaríamos, então temos que retirar e fazer algumas vezes.
Outro uso para o material encontrado é o acionamento de painéis. Eles sempre terão o pontilhado no formato ideal para serem ativados, então é só ficar de olho nas pilhas de entulhos, pois nunca é proposto um puzzle que não possa ser resolvido de maneira tranquila. Podemos carregar 16 peças diferentes por vez, sendo oito durante o estágio e mais oito no inventário, que pode ser acessado a qualquer momento.
Me diverti bastante, principalmente nas fases finais, nas quais eu tive que reconstruir uma mesma estrutura diversas vezes mudando a organização das peças para visitar diferentes andares de uma ruína. Outra situação bem interessante consistia em desobstruir e modificar o caminho de robôs de determinadas cores para que eles seguissem uma trilha até chegar às alavancas necessárias, como em uma espécie de labirintos.
As 20 fases podem ser concluídas na ordem que o jogador desejar, e quem for mais experiente e perspicaz irá concluir todas em uma média de três a quatro horas, uma duração justa para o desafio que Junkster traz.
Sem perder nenhum fascículo
Quem é da época das bancas de jornais, irá se lembrar de algumas publicações infantis que continham brinquedos colecionáveis com temáticas diversas, como alfabeto, criaturas jurássicas e pedras que se transformavam em animais místicos. Junkster resgata essa vibe, mostrando logo de cara o artefato que iremos buscar anexado na capa.
Assim que concluímos a missão e resgatamos o item, ele é adicionado ao diorama do leitor. Mas quem é ele? Bom, eu não sei e o jogo nunca explica. Infelizmente, uma das derrapadas de Junkster é justamente a ausência de informações sobre o que está acontecendo. Temos UM-13, que é o protagonista da aventura, mas os motivos de ele também ser uma estrela de uma série de HQs e de haver alguém lendo essas revistas permanecem um mistério.
Mesmo contando com uma boa dose de humor mais inocente, seria bom saber um pouco mais sobre o herói construtor, mesmo que pelos artefatos recuperados. E é aí que esbarramos no segundo problema: o fator replay. Só há dois motivos para revisitar as fases: encontrar o adesivo escondido e coletar todas as engrenagens. Essas duas tarefas são facilmente concluídas já na primeira vez que passamos por um lugar. Nada que um pouco de paciência e curiosidade não resolvam.
Isso é uma pena, pois ter esse pano de fundo de HQs, acompanhado do estilo artístico cartunesco, renderia ótimas sequências cinematográficas, muito além da introdução de cada fase, com UM-13 despencando de algum lugar. Seria legal também explorar as demais páginas, mesmo que apenas como um bônus, pois assim que selecionamos qual fase vamos jogar, há propagandas e citações de situações que resolvemos em outros momentos. Isso seria um extra legal para uma galeria, por exemplo.
O luxo do lixo
Junkster pode não se importar em enriquecer o enredo do seu protagonista, mas foca no que importa: uma mecânica incomum, que dá liberdade para o jogador progredir da maneira que bem entender. A ideia de pautar as fases como revistas também foi uma ótima sacada, até para criar uma conexão com seu estilo artístico. No entanto, acredito que isso poderia ter sido melhor explorado em outros aspectos. Ainda assim, este é um título muito bacana que merece sua atenção.
Prós
- A mecânica de utilizar entulho para construir caminhos e resolver puzzles é muito bem implementada, com operação simples;
- A duração das fases é pautada pela criatividade do jogador;
- O estilo artístico e a ideia de apresentar a aventura como edições de revistas em quadrinhos foram ótimas sacadas.
Contras
- Posicionar peças diagonais é um pouco mais chato, dependendo do ângulo em que estamos;
- Faltou pelo menos um pouquinho de informação sobre quem é o protagonista do jogo, ou por que estamos lendo revistas sobre ele;
- Ausência de um fator replay.
Junkster — PC/PS5/Switch/XSX — Nota: 8.0Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Heloísa D'Assumpção Ballaminut
Análise feita com cópia digital adquirida pelo redator











