Análise: #DRIVE Rally mira na diversão arcade, mas acaba se tornando um passeio leve e repetitivo

O jogo peca na falta de um conteúdo que faça o jogador permanecer no volante sem sentir que está passando diversas vezes pelo mesmo lugar.

em 15/07/2026
Para quem sempre quis tentar a sorte nas pistas sinuosas de um rali, mas não com a precisão cirúrgica de um simulador, #DRIVE Rally traz um pouco mais da diversão arcade para o gênero. Escolha seu carro e sua pista e acelere sem medo de errar o traçado — literalmente.

Dirigindo de boa

Logo de cara, o ponto forte é de #DRIVE Rally está na jogabilidade leve para um game de corrida. São 28 carros diferentes que possuem três variações cada, e a diferença de potência e dirigibilidade entre um e outro é nítida, então vale a pena testar cada um deles. No mais, só precisamos nos preocupar em acelerar e frear no tempo certo e respeitando o acerto de cada carango.

Para dar um charme à escolha do seu veículo, alguns deles estão ligados à equipes de diferentes nacionalidades. Elas influenciam principalmente no nosso copiloto, que poderá ser asiático, francês — com destaque aqui no alemão, que fala o tempo todo como uma cópia do Arnold Schwarzenegger.

Entretanto, não é difícil bater as marcas temporais estabelecidas pelo jogo. Além disso, outra característica forte na modalidade são as punições severas para quem sai da pista. Isso não se aplica aqui. Errou uma virada ou “comeu” grama e passou por trás de um obstáculo? Sem problemas e vida que segue. Somos punidos com apenas três segundos no relógio se passamos tempo demais fora do trajeto, e ainda assim é bem fácil superar esse déficit.

Mesmo com essa pilotagem tranquila de assimilar, há momentos em que é fácil se perder pelo trajeto quando não se tem mais o ponto da curva, o que acontece por causa de uma ausência vital: o indicador de curvas na tela. Qualquer jogo de rali que se preze mostra placas indicativas na tela que seguem o que o copiloto está falando. 

Vale ressaltar que, mesmo com o jogo 100% localizado, o nosso companheiro de bordo só dá instruções em inglês e com sotaque carregado, dependendo da sua nacionalidade. Algumas frases até chegam a ser engraçadas, mas só para quem entende o idioma.

Outra decisão que eu julgo questionável é a de deixar o mapa visível apenas na tela de pausa. Enquanto corremos, podemos contar apenas com o velocímetro, o cronômetro e um indicador da porcentagem percorrida do circuito, então faz bastante falta qualquer orientação visual que pudesse ajudar durante a prova.

On road e off road

#DRIVE Rally até tenta trazer uma variedade de modos de jogo, mas acaba caindo em uma inevitável repetição. O Campeonato, que seria a opção principal, nos permite escolher entre uma das seis equipes disponíveis e disputar uma série de provas em seus respectivos mapas. Ao todo são 30 corridas com diferentes trajetos, mas sempre na mesma localidade. Então é inevitável depois de algumas provas ficar aquela sensação de “eu já passei por aqui algumas vezes”. Multiplique isso pelo número de equipes e fatalmente fica bastante cansativo concluir o campeonato de cada uma delas.

A Corrida Rápida, como o nome já denuncia, é a escolha livre de carro e pista. O Modo Festa permite colocar até 12 jogadores de maneira local em uma disputa para ver quem faz o melhor tempo. Claro que, como de praxe em jogos de rali, com um correndo de cada vez e revezando o controle.

Há também a Exploração Livre, que transforma o rali em um jogo de achar objetos. Cada mapa conta com sete letras e cinco itens decorativos. Assim que iniciarmos a jornada, não é necessário respeitar nenhum tipo de direcionamento, mas só vagar pela paisagem até encontrar todos os elementos da lista.  É uma maneira inusitada e interessante de dar um ângulo diferente para a apreciçãor de paisagens em gráficos low poly, que são bem bacanas e mostram com perfeição praias, montanhas nevadas, florestas e desertos, apesar detambém ser notável uma leve deslizada nesse modo. 

Aqui sim podemos contar com um mapa, no canto superior da tela, que vai sendo modificado à medida que percorremos o espaço, mas se por algum acaso for necessário parar para continuar depois, tudo o que exploramos é zerado, mostrando apenas as letras que já foram encontradas. Então é melhor fazer tudo de primeira para evitar se perder em alguma ribanceira pelo caminho.

Rali a passeio

#DRIVE Rally é uma boa diversão arcade, mas que entretém por curto tempo. A jogabilidade e ótimo trabalho visual acabam pagando o preço pela alta dose de repetitividade e baixo fator replay. Além disso, os marcadores de trajeto visíveis na tela durante a corrida fazem bastante falta para quem ainda não está acostumado a lidar com curvas fechadas que aparecem do nada.

Prós

  • É um jogo fácil de pegar e sair pilotando, sem rodeios ou ajustes complicados;
  • A escolha de usar gráficos low poly combinou bem com os ambientes e os carros;
  • Muitos modelos de carros e pistas;
  • A Exploração Livre é um modo diferente e interessante para o gênero.

Contras

  • Mesmo com vários modos de jogo, a repetitividade é alta e com poucas recompensas pelo tanto de provas oferecidas;
  • Ausência de um mapa ativo na tela e indicadores de curvas que acompanham as instruções dos copilotos;
  • O mapa da Exploração Livre é resetado se precisamos encerrar o jogo antes de terminar uma área.
#DRIVE Rally — PC/PS5/Switch/XSX — Nota: 6.5
Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Juliana Piombo dos Santos
Análise feita com cópia digital cedida pela PM Studios
OpenCritic
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Carlos França Jr.
é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no @carlos_duskman
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