Conectando os vagões
É difícil definir este jogo, mas o melhor que posso fazer é que ele é uma mistura dos jogos Tony Hawk, Jet Set Radio e Subway Surfers com o anime Tengen Toppa Gurren Lagann. Ou seja, muitas manobras radicais, movimentos ágeis, estilo para dar e vender, e uma dose saudável de eventos malucos e surpreendentes. Parece uma combinação bastante inusitada — e é mesmo! —, mas que funciona de uma forma única e cativante.
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| Uma proposta inusitada e bem executada |
A história de Denshattack! se passa num futuro alternativo no Japão, no qual mudanças climáticas levaram os trens a prosperar como meios de transporte. Os trilhos estão espalhados pelo país e interligam as localidades, com destaque para grandes domos que concentram a parte rica da população, controlados pela organização Miraido. Os demais são obrigados a sobreviver sem o mesmo tipo de estrutura, criando um desequilíbrio que causa várias injustiças.
A protagonista do título, uma jovem chamada Emi, usa um velho trem para entregar lámen na sua região sem domo. Ao conhecer o fotógrafo Fernando, a jovem descobre sobre o mundo dos Denshattackers, pilotos de trem que usam habilidades únicas para liderar seus territórios. A dupla parte numa aventura para conhecer esse mundo emocionante, encontrando várias pessoas cativantes pelo caminho e, por fim, encarando a misteriosa Miraido.
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| O uso de elementos do Japão é muito bem feito |
Prepare-se para sofrer derrotas acachapantes e obter vitórias estonteantes, bem como adquirir novas e poderosas habilidades para conduzir o seu trem. A campanha transcorre de forma orgânica e divertida, com novidades surgindo de tempos em tempos para manter as coisas interessantes. Os personagens e os cenários transbordam carisma, fazendo um excelente uso da cultura japonesa.
Beleza para todos os lados
Em termos de produção técnica, Denshattack! tem um agradável estilo cel shading, tal como a grande maioria dos jogos com temática anime. Embora os modelos tridimensionais dos personagens e as cutscenes sejam um tanto limitados, eles são amplamente compensados pelas belas ilustrações. As animações dos trens em marcha e demais elementos das partidas são muito competentes e empolgantes.
Em par de igualdade — ou talvez até à frente — com os visuais está o trabalho de som. A dublagem é ótima, tanto em inglês quanto em japonês, proporcionando ainda mais vida a cada personagem do jogo. Os efeitos sonoros são bem divertidos também, seja deslizando pelos trilhos, mergulhando nos mares ou batendo contra os inimigos. O maior destaque, entretanto, é a dublagem do game.
Se os personagens não têm grandes animações, as suas vozes são incríveis. Elas dão muito peso aos diálogos e às reações de cada participante da aventura, reforçando desenvolvimentos interpessoais e embates entre os membros da história. Como temos estilos bem diferentes entre os envolvidos, a dificuldade em conseguir bons dubladores era grande, mas, felizmente, foi muito bem atendida.
Finalmente, a trilha sonora mantém o nível de qualidade com canções repletas de personalidade e dinamismo, tal como a proposta geral de Denshattack!. Elas têm uma pegada japonesa, com foco nos gêneros eletrônico e rock. Cada corrida fica ainda mais emocionante com as músicas do título, com destaque maior para as lutas contra os chefes: não somente elas proporcionam uma jogabilidade única, mas baladas muito envolventes (elas estão disponíveis nos principais streaming de música, vale a pena conferir).
Muito além do “tchu, tchu”
Falando em jogabilidade, essa é outra das grandes qualidades de Denshattack!. Admito que a minha primeira impressão do jogo, quando eu o conheci por divulgações na mídia, foi “o jogo deve ser relativamente lento e simples, pois os trilhos devem limitar bastante as possibilidades de movimento do jogador”. Ledo engano: os produtores foram incrivelmente inventivos, criando mecânicas e recursos únicos até o final da campanha.
A jogabilidade básica do trem consiste em pular sobre obstáculos e trocar de pista, bem como inclinar o vagão para escolher o caminho em desvios. Conforme novas fases aparecem, opções de movimento surgem para enfrentar desafios inéditos. Eu não quero dar spoilers ao leitor, pois essas pequenas e grandes surpresas do game são — ao lado dos novos personagens e cenários — responsáveis por manter tudo dinâmico e divertido.
Dito isso, não há como não elogiar os trilhos com gravidade invertida e os momentos em que Emi usa seu trem para controlar outros veículos e objetos (no estilo do anime que comentei anteriormente). Realmente é digna de elogios a criatividade utilizada para transformar algo, num primeiro momento “travado”, em um veículo tão cheio de recursos e opções para concluir os desafios. A alta velocidade do trem exige pensamento rápido e atenção às possibilidades de caminhos à frente do jogador.
Aqui preciso fazer minha única crítica real a Denshattack!: a chegada de novos recursos de jogo por vezes vem acompanhada de picos um pouco exagerados na dificuldade. Chefes, em particular, podem exigir reflexos um pouco fora do ritmo da campanha, que evolui de uma forma competente em quase toda a sua totalidade. Nada muito exagerado e que pode ser resolvido em atualizações futuras.
Mais vapor na caldeira
O trem da protagonista precisa cruzar vales, mares, vulcões, florestas, cidades, aeroportos, entre outras tantas localidades interessantes espalhadas pelas missões. Elas são bem variadas, incluindo corridas e disputas pela maior pontuação, bem como tem vários objetivos secundários. Alguns exigem coletar itens espalhados pelos cenários, achar saídas secretas e acertar manobras em pontos específicos das fases.
Inclusive, as manobras são um ponto alto de Denshattack!, trazendo um grande leque de movimentos radicais. Eles não só aumentam a pontuação, mas também trazem uma sensação incrível de emoção e permitem interagir de maneiras únicas com os cenários. Realizar um kickflip, cair num grind e emendar um ollie é sempre uma experiência muito legal, sobretudo quando conseguimos um combo completo.
O senso de velocidade é alto, bem como a emoção em saltar entre abismos, quicar entre obstáculos e trocar de trilhos para evitar barreiras — tudo isso tentando encaixar o máximo de manobras possível. Lembra dos itens coletáveis que eu falei antes? Latas de tinta spray permitem comprar novas pinturas e adesivos para os trens, enquanto rodas dentadas dão acesso a novos modelos de veículos. Já os rolos de filme chegam para completar revistas, que ilustram e informam sobre cada uma das regiões exploradas pelo jogador.
Como deve ter ficado claro ao longo do meu texto, gostei muito deste jogo. A combinação de elementos de esporte, plataforma e corrida é única e muito bem azeitada. O “caos controlado” e o senso de velocidade, unidos aos efeitos coloridos e às constantes surpresas — seja no enredo ou nas novas mecânicas de jogo —, são bons demais. Em meio a tantos lançamentos pouco inspirados, este título indie é um trem sem freios que chegou atropelando geral.
No fim, confesso que eu gostaria de ter ainda mais conteúdo para jogar. A campanha tem uma duração considerável e muitas missões secundárias, mas seria incrível ter um modo multijogador ou um sistema de ranqueamento online pelos melhores tempos ou maiores pontuações. Eu sei que a produção é indie e deve ter recursos limitados, por isso reforço que esses pedidos de forma alguma comprometem a minha opinião sobre o (grande) mérito do game.
Todos a bordo rumo à diversão?
Combinando uma produção de alta qualidade com muita inovação, Denshattack! é um dos melhores lançamentos do ano. Sua proposta mista de vários gêneros diferentes entrega uma experiência única: percorrer o Japão realizando manobras e outras peripécias a bordo de um trem em alta velocidade. Trilha sonora cativante, jogabilidade refinada e enredo envolvente são, entre muitos outros, os grandes atrativos deste game incrível. Temos aqui uma pedida obrigatória para quem curte diversão (e emoção) de primeiro nível!
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| Uma bela e incrível aventura te espera! |
Prós
- Jogo propõe uma ideia única e divertida, misturando esporte, plataforma e corrida;
- Estilo visual incrível, com muitas cores e estilo que fazem bom uso da cultura japonesa;
- Jogabilidade excelente, com comandos que gradualmente surgem para criar mecânicas radicais;
- Trabalho de som de alta qualidade, sobretudo na dublagem e na trilha sonora;
- A história da campanha apresenta personagens encantadores e várias reviravoltas envolventes;
- Grande variedade de desafios, colecionáveis e missões para explorar.
Contras
- Alguns picos de dificuldade aparecem com certa frequência ao longo da campanha.
Denshattack! — PS5/XSX — Nota: 9.5Console utilizado para avaliação: PS5
Revisão: Ives Boitano
Análise produzida com cópia digital cedida pela Fireshine Games














