Análise: Deltarune Chapter 5 reúne dois modos de jogo no capítulo mais bonito da franquia

Com uma temática japonesa, o capítulo adapta diversas músicas e nos apresenta um novo modo de jogo, mas ainda sofre com problemas de acessibilidade.

em 01/07/2026
Em 2015, Undertale dominou o mundo indie com sua boa narrativa e jogabilidade simples, mas viciante. Três anos depois, Toby Fox, seu criador, lançou seu sucessor: Deltarune, uma história paralela que apresentava novos personagens, músicas e aventuras, mas lançada em sete capítulos.



Um ano após o lançamento dos capítulos 3 e 4, a parte 5 continua essa história de quase 10 anos de Toby Fox, com criatividade, diversão e alguns problemas de acessibilidade. Desta vez, inspirado no Japão.

Esta análise não abordará os acontecimentos da rota estranha. Nela, também há alguns spoilers sobre a história, a batalha final e o boss secreto do capítulo.

Um Dark World inspirado no Japão

Deltarune Chapter 5 continua no dia seguinte aos acontecimentos do capítulo 4. Intitulado como “Festival Day” (Dia do Festival, em tradução livre), Kris, Susie e Noelle se divertem no festival da cidade de Home Town. No final do dia (e depois de alguns momentos de Susie e Noelle), Kris sai do controle do jogador e cria uma fonte na floricultura de Asgore, seu pai. Agora, a gangue divertida de Kris, Susie e Ralsei terão que selar esse novo Dark World e salvar Asgore.

As sete flores de Asgore (Flowery, Aqua, Seth, Green, Yellow, Blue e Orange), os principais inimigos da aventura, são boas adições para a história. A dinâmica entre eles e o trio de heróis é bem-feita do início ao fim, desde o Flowery irritando Ralsei até a inocência da Aqua. Esses personagens serão essenciais para o conflito de ideais que permeia ambos os lados.



O mundo dessa aventura é fortemente inspirado na cultura japonesa. Templos, cerejeiras, roupas, raposas e flores são elementos constantes durante todo o capítulo. Flowery, por exemplo, é apresentado em uma cena de anime e tem características de personagens de animação, incluindo fazer algumas “JoJo poses”.


Esses elementos, além de demonstrarem todo o amor de Toby pelo Japão e pela cultura japonesa, deixam o jogo muito bonito do começo ao fim. Por mais que alguns elementos do capítulo 1 sejam reutilizados, como inimigos e puzzles, a adaptação para o estilo do capítulo atual mantém a sua originalidade. Essa reciclagem é feita de propósito, pois Susie e Ralsei relembram a aventura do capítulo 1 em seus diálogos. Todos esses elementos tornam o capítulo 5 o mais bonito de Deltarune.

As músicas também reforçam a temática japonesa. Algumas seguem na trilha sonora como adaptações, como Garden of Hopes and Dreams e Rakuichi Buster, que são derivadas, respectivamente, de Field of Hopes and Dreams e Rude Buster, do capítulo 1. Enquanto isso, trilhas originais como Petal Dance, Running Sky e Flower Dance compõem a atmosfera emocional que Deltarune e Undertale consolidaram tão bem.


Enquanto as músicas facilitam a integração com o jogo, a barreira de idioma surge como uma dificuldade para quem deseja experienciar completamente o capítulo. Em um jogo narrativo que utiliza constantemente seus textos nas batalhas, como nas explicações de mecânicas feitas por Ralsei, quem não tem uma proficiência na língua inglesa ou japonesa acaba perdendo grande parte da experiência do jogo.


Durante a batalha contra Yellow e Blue (Amarelo e Azul, em português), confundi a ordem das evidências por não entender completamente os personagens, principalmente o Yellow, que utiliza um dialeto próprio em seus diálogos. Outro momento em que esse problema apareceu foi na luta contra o chefe secreto, a Cat Mew Mew, em que eu precisava me preocupar com o tempo e ler os cenários dos encontros. Em certo ponto, errei o sentido dos verbos e acabei sofrendo danos que me impediram de derrotá-la na primeira tentativa (passei na segunda!).


Entendo todos os motivos para o Toby Fox não querer que seus jogos tenham tradução, por questões de perda de sentido e atrasos nos lançamentos dos capítulos. Mas, acima de tudo, localização é acessibilidade e pode influenciar diretamente na gameplay para não falantes de inglês e japonês. Toby Fox escolhe conscientemente não localizar seus jogos por questões artísticas, mas isso acaba prejudicando o acesso a um dos maiores jogos indies da história.

Dois modos: turno e plataforma 2D

O ponto mais forte deste capítulo é a sua jogabilidade. No começo, não parece fugir muito do que já vimos nos quatro capítulos anteriores: em um turno, desviamos de ataques com a nossa alma vermelha; em outro, escolhemos qual a ação contra o inimigo. Essa fórmula já conhecida e viciante acompanha a franquia desde Undertale, com Deltarune aprimorando alguns detalhes.

Quando vencemos Aqua, conseguimos uma pena mágica como presente. Após isso, somos impressionados com a mudança para uma mecânica de plataforma 2D. Com ela, o jogador pode acessar novas áreas e, principalmente, experimentar uma nova jogabilidade em Deltarune.


O jogo continua muito simples: Z para pular e X para atacar. Os comandos podem ser invertidos no menu de configuração do jogo para qual o jogador achar melhor. No entanto, entrega uma nova camada de desafio, com a alma vermelha não tendo mais tanta liberdade para se movimentar como na jogabilidade padrão. Além disso, o jogo se desprende do modelo de turno, o que faz o jogador não ter apenas a única preocupação de desviar, mas de atacar também.

Além disso, nossos companheiros também aparecem com habilidades únicas, que podem ser utilizadas ao pressionar C. Susie pode soltar um Rude Buster nos inimigos, enquanto Ralsei pode virar uma plataforma, muito útil para puzzles e algumas batalhas.

Esse é um modelo de combate muito divertido e não muito difícil de se adaptar. O espaço de ataque de Kris é grande o suficiente para permitir uma certa margem de erro. Além disso, os inimigos não são difíceis a ponto de tornar a ação de atacar um problema.


O que me ganha o modo plataforma não é a sua dificuldade, mas a diversão das batalhas e puzzles, que utilizam ao máximo as mecânicas ensinadas durante o capítulo. Em certos momentos, temos a satisfação de saber exatamente o que temos que fazer. Caso queira dificuldade, o modo de turno ainda é o principal representante disso, com duas novas cores de alma neste capítulo.

Na batalha final contra o Flowery, nossa alma vermelha é trocada para a alma laranja. Sua mecânica se baseia em segurar Z para ganhar uma carga de impulso que permite ultrapassar ou bloquear barreiras e ataques azuis. De início, parece simples, mas os tempos de reação são muito curtos para quem não está acostumado com a mecânica. O fato de Flowery ser o chefe mais difícil deste capítulo (morri quatro vezes) perpassa por esse curto espaço de tempo para reagir aos ataques. O erro foi reconhecido pelos desenvolvedores, já que ele foi nerfado um dia depois do lançamento do capítulo.

Enquanto isso, a batalha contra o chefe secreto, a Cat Mew Mew, traz de volta a alma roxa da luta contra a Muffet, em Undertale. Diferentemente da alma vermelha, sua movimentação é limitada a alguns pontos predefinidos a cada turno. Durante o jogo, não foi difícil lidar com essa questão, principalmente com quem já está acostumado com a jogabilidade da franquia.


Por fim, o capítulo 5 está longe de ser um dos mais difíceis até o momento. Algumas partes podem realmente dificultar, mas com algumas tentativas e itens de cura é possível contornar isso. A luta contra o Roaring Knight, no final do capítulo 3, com toda certeza ocasionou mais problemas para os jogadores.

Conclusão

Toby Fox consegue continuar a sua história em Deltarune Chapter 5 apresentando novos cenários, personagens e mecânicas que tornam a experiência deste capítulo mais rica. A transição entre o combate em turno e plataforma 2D consegue diversificar uma jogabilidade já estabelecida e que ainda funciona muito bem. O novo modo de jogo não apresenta grande dificuldade para se adaptar, mas entrega muita dinâmica para a aventura. Em conjunto, o capítulo apresenta cenários lindos e músicas que completam as batalhas e a exploração.

Apesar disso, questões de acessibilidade podem prejudicar severamente a experiência, principalmente para um jogo narrativo que utiliza os diálogos para contar sua história e explicar suas mecânicas.

Prós:

  • O modo plataforma e turno se completam durante a campanha;
  • Linda temática japonesa e músicas que compõem as emoções das batalhas;
  • Diversidade nos modos da alma.

Contras:

  • Para quem gosta de desafios, este capítulo não entrega grandes dificuldades;
  • Falta de acessibilidade e barreira linguística podem atrapalhar a gameplay.
Deltarune Chapter 5 — PC/PS5/PS4/Switch/Switch 2 — Nota: 9
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Ives Boitano
Análise produzida com cópia adquirida pelo próprio redator
OpenCritic
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Eric Tavares
Meu nome é Eric Vinicius, tenho 19 anos e sou estudante de jornalismo na Faculdade de Comunicação da UFBA. Jogos sempre foram meu principal hobby na minha vida. Tenho um apreço grande por indies, já que foram o tipo de jogo que mais tive contato durante a infância e adolescência. Gosto de escrever sobre como cada jogo consegue expressar sua mensagem de uma maneira singular. Estou presente no instagram (@ericvini15). Também escrevo para a Agência de Notícias (@cienciaecultura, no Instagram) e a Liga de Jornalismo Esportivo da UFBA (@ljeuufba, no Instagram e noTwitter/X).
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