Análise: Ascend to ZERO mostra que o tempo pode ser nosso inimigo

O jogo apresenta uma nova dinâmica no combate, mas falha na progressão com alguns bugs.

em 27/07/2026
A Flyway Games, mesma desenvolvedora de Commander Quest e Trinity Survivors, usa agora a temática de mundo pós-apocalíptico, ficção científica e viagem no tempo em seu novo roguelike: Ascend to ZERO. No jogo, seu principal rival não é um simples inimigo, mas o tempo. No entanto, o jogo pode confundir durante a campanha com alguns bugs e interfaces bagunçadas. Além disso, a evolução pode acabar em um teto totalmente dependente da sorte, o que torna as campanhas frustrantes.

Você tem apenas 30 segundos

Em Ascend to ZERO, nossa protagonista é a última criança sobrevivente da humanidade, que foi devastada e dominada por hordas de monstros. Somos salvos por ???, uma inteligência artificial que durante a narrativa revela se chamar Mimese. Com a ajuda dela, podemos voltar no tempo para alterar a história e salvar o mundo. Porém, temos apenas 30 segundos para fazer isso. Nossa personagem, no entanto, tem a habilidade de parar o tempo.

Neste jogo, seu principal rival não são os inimigos, mas sim o tempo. Ter a vida zerada em Ascend to ZERO não te leva direto para o lobby, mas corta parte do seu tempo como punição. Demorar para derrotar os monstros aqui é um problema, pois o tempo é minuciosamente contado para avançar.

A bela arte mistura os traços de animes para as miniaturas de diálogos e interface dos personagens em conjunto com gráficos 3D em blocos que lembram muito Minecraft. É uma junção que consegue transmitir a experiência futurista e tecnológica desse jogo.


Os monstros e os itens têm designs variados que, infelizmente, não dá para apreciar muito por conta da quantidade de efeitos que ocupam a tela durante as batalhas nas salas. Essa variedade mostra o carinho e cuidado, já que o jogo contém em torno de 120 monstros diferentes espalhados por quatro mundos e mais de 300 itens com seus próprios estilos e modificações.


Sua história é simples. Os humanos, percebendo que perderiam a guerra contra as criaturas, passaram a fazer testes com viagem no tempo. Sem oportunidade para refinar, acabou imperfeito, permitindo o retorno ao passado por apenas 30 segundos, feito esse conquistado graças à ajuda de Mimese.

Com esse poder, nossa protagonista pode enfrentar os monstros e levar seus aliados para o Bunker de Sobrevivência, uma zona segura dentro do espaço-tempo. Assim, salvamos Ceiz, a vendedora da loja de suprimentos, Javier, o gestor de itens, Gabriela, a líder responsável pela máquina do tempo, e entre outros. Com eles, vamos evoluindo, entendendo aos poucos quem é Mimese, porque ela nos ajudou e quais são os seus objetivos.


Não é uma grande narrativa, mas consegue explicar tudo no jogo. Inimigos, personagens, avatares, armas… todos têm seu espaço fechado na história do por que existem. Porém, é muito fácil ficar perdido nas explicações sobre ciclo do tempo, espaço-tempo, viagem no tempo…

As campanhas e o combate

O combate não foge do estilo tradicional de outros roguelikes: desviar dos inimigos usando o dash e atacar. As armas atacam automaticamente, então é um fator a menos para se preocupar. O principal diferencial, no entanto, é a habilidade da nossa personagem: a Parada Temporal. Quando disponível, permite parar o tempo. Nesse estado, as armas e os inimigos param de atacar, o tempo limite não diminui e você pode se mover livremente. Em certo ponto do jogo, inimigos especiais conseguirão burlar a habilidade e se mover, aumentando o desafio.

Ao soltar a Parada Temporal, nossa personagem utiliza uma habilidade que varia dependendo do avatar que está sendo utilizado. Os avatares, desbloqueados durante a campanha, têm diversas temáticas e estilos. A Lâmina do Florescer, uma das que mais utilizei, é uma samurai. Sua habilidade é um Battojutsu, uma arrancada que causa dano em todos os inimigos que estiverem no caminho. Caso a barra de hyper skill estiver totalmente carregada, é possível lançar uma hiper-habilidade, que aumenta o dano causado e o alcance do ataque.


A Parada Temporal entrega uma dinâmica diferente ao jogo. Além de uma nova fonte de dano, a mecânica dialoga bem com o cenário em que o tempo é essencial para continuar. Foi uma nova forma de poder que me surpreendeu muito quando utilizei pela primeira vez e que não foi complicado de aprender a usar.


Nos quatro mundos (Instituto Arruinado, Zona do Deserto, Canais Subterrâneos e a Passagem do Tempo), é possível conseguir melhorias de atributos, desde chips tecnológicos até aprimorar as suas armas. A existência desses modificadores torna vantajoso fazer a campanha desde o início, sem pular um dos mundos, pois permite ao seu personagem ficar mais forte para os chefes finais além dos itens já equipados.

Itens, atributos e bugs

O nosso personagem tem cinco atributos principais: ataque, que modifica o dano causado; defesa, que reduz o dano sofrido; vida, que aumenta a resistência a dano; agilidade, que altera a velocidade de movimento, de ataque e o vigor — quantidade de dashes seguidos; e sorte, que modifica a chance de crítico e de ganhar recompensas.

O modo que os desenvolvedores utilizaram para apontar a alteração nos atributos é confuso. Não há uma tela mostrando o que será modificado caso substitua um item por outro. Na realidade, quando você faz a ação, aparecem diversas informações que somem rapidamente. Caso o item altere muitos atributos do personagem, você terá que ficar substituindo-os constantemente para saber o que aconteceu. É confuso e cansativo.

Eles podem ser modificados com itens, que vão desde armas até dispositivos. Ataque, defesa e até mesmo o tempo podem ser aumentados com os equipamentos certos. No entanto, grande parte da obtenção está presa à sorte. É muito legal ver os itens caindo após matar os chefes, mas esse sentimento diminui a partir da segunda vez que ele morre e vem um item repetido que se tornará quase inútil, pois o jogo não permite equipar duplicatas. Isso torna a repetição um processo frustrante, pois não há mudanças de uma campanha para outra. Com certeza, essa progressão é uma das coisas que o jogo peca.


Com as armas, encontrei alguns bugs durante o jogo. Os drones, meus equipamentos mais fortes, simplesmente paravam de atacar. Até faziam a animação, mas não atacavam e ficavam com DPS 0. Essa questão se estendeu para todos os drones que conseguia e a arma ficou inutilizável para mim.


Em outro momento, meu atributo de “Aumento de Alcance do Ataque” ganhou valores negativos. Os ataques passaram a ocupar toda a área carregada (é possível ver isso na imagem abaixo). Eu conseguia causar dano até em inimigos fora da sala em que estava. Era muito apelão, mas foi o primeiro momento em que os drones bugaram e pararam de causar dano, o que me fez perder DPS. Consegui resolver depois de retirar e colocar as armas, mas não sei o motivo de os valores negativos terem surgido.


Outro problema foi com a habilidade da Hacker da Lua Congelada, um dos avatares do jogo. Seu drone parou de identificar quando o ataque estava ativado e eu não conseguia perceber se estava causando dano nos inimigos.


Essas questões foram desanimadoras. Elas me prenderam em partes do jogo que a repetição deixou de ser um processo da evolução e virou algo frustrante, pois eu sabia que o que estava acontecendo não era mais uma questão de habilidade, mas fatores internos do jogo.

Um ciclo para amantes de roguelike

Por fim, a Flyway Games traz com Ascend to ZERO uma experiência divertida como todo bom roguelike. A habilidade da Parada Temporal, os chips tecnológicos e os equipamentos conseguem entregar uma jogabilidade dinâmica que prende por horas. Os modificadores são uma boa recompensa para os jogadores que decidem fazer a campanha completa pelos quatro mundos. Porém, bugs podem aparecer, seja nas armas, nos atributos ou nas habilidades do personagem, e uma evolução baseada em sorte acabam tornando a progressão frustrante.

Mesmo assim, é um jogo que vale a pena experimentar por sua gameplay não somente baseada em vida máxima, mas em um sistema de tempo limite. Perfeito para quem gosta da repetição característica dos roguelikes e deseja experimentar o controle de tempo.

Prós:

  • As primeiras horas conseguem te prender no estilo de jogo roguelike;
  • A Parada Temporal entrega uma dinâmica positiva para a campanha, permitindo ao jogador planejar seus ataques com calma;
  • Os modificadores obtidos durante a campanha motivam o jogador a começar todos os mundos do zero, chegando ao final mais forte.

Contras:

  • Bugs podem atrapalhar a gameplay e impedir que as armas ataquem;
  • Interface confusa pode dificultar alterar os atributos da personagem;
  • Quantidade de itens repetidos junto com a impossibilidade de equipar duplicatas tornam a experiência frustrante
Ascend to ZERO — PC/XSX — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: Xbox Series S
Revisão: Ives Boitano
Análise feita com cópia digital cedida pela Krafton
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Eric Tavares
Meu nome é Eric Vinicius, tenho 19 anos e sou estudante de jornalismo na Faculdade de Comunicação da UFBA. Jogos sempre foram meu principal hobby na minha vida. Tenho um apreço grande por indies, já que foram o tipo de jogo que mais tive contato durante a infância e adolescência. Gosto de escrever sobre como cada jogo consegue expressar sua mensagem de uma maneira singular. Estou presente no instagram (@ericvini15). Também escrevo para a Agência de Notícias (@cienciaecultura, no Instagram) e a Liga de Jornalismo Esportivo da UFBA (@ljeuufba, no Instagram e noTwitter/X).
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