Você tem apenas 30 segundos
Em Ascend to ZERO, nossa protagonista é a última criança sobrevivente da humanidade, que foi devastada e dominada por hordas de monstros. Somos salvos por ???, uma inteligência artificial que durante a narrativa revela se chamar Mimese. Com a ajuda dela, podemos voltar no tempo para alterar a história e salvar o mundo. Porém, temos apenas 30 segundos para fazer isso. Para tal, nossa personagem tem a habilidade de parar o tempo.Neste jogo, seu principal rival não são os inimigos, mas sim o tempo. Ter a vida zerada em Ascend to ZERO não te leva direto para o lobby, mas corta parte do seu tempo como punição. Demorar para derrotar os monstros aqui é um problema, pois o tempo é minuciosamente contado para avançar.
A bela arte mistura traços de animes em miniaturas de diálogos e interfaces de personagens em conjunto com gráficos 3D em blocos que lembram muito Minecraft. É uma junção que consegue transmitir a experiência futurista e tecnológica deste jogo.
Os monstros e os itens têm designs variados que, infelizmente, não dá para apreciar muito devido à quantidade de efeitos que ocupam a tela durante as batalhas nas salas. Ainda assim, essa variedade evidencia o carinho e o cuidado dos devs, já que o jogo contém em torno de 120 monstros diferentes espalhados por quatro mundos e mais de 300 itens com seus próprios estilos e modificações.
Sua história é simples. Os humanos, percebendo que perderiam a guerra contra as criaturas, passaram a fazer testes com viagem no tempo. Sem oportunidade para refinar a tecnologia, esta acabou imperfeita, permitindo o retorno ao passado por apenas 30 segundos — feito esse conquistado graças à ajuda de Mimese.
Com esse poder, nossa protagonista pode enfrentar os monstros e levar seus aliados para o Bunker de Sobrevivência, uma zona segura dentro do espaço-tempo. Assim, salvamos Ceiz, a vendedora da loja de suprimentos; Javier, o gestor de itens; Gabriela, a líder responsável pela máquina do tempo; e entre outros. Com eles, vamos evoluindo e entendendo aos poucos quem é Mimese, por que ela nos ajudou e quais são os seus objetivos.
Não é uma grande narrativa, mas consegue explicar tudo no jogo. Inimigos, personagens, avatares, armas… todos têm seu espaço fechado na história e mostram por que existem. Porém, é muito fácil ficar perdido nas explicações sobre ciclo do tempo, espaço-tempo, viagem no tempo…
Ao soltar a Parada Temporal, nossa personagem utiliza uma habilidade que varia dependendo do avatar que está sendo utilizado. Os avatares, desbloqueados durante a campanha, têm diversas temáticas e estilos. A Lâmina do Florescer, uma das que mais utilizei, é uma samurai. Sua habilidade é um Battojutsu, uma arrancada que causa dano em todos os inimigos que estiverem no caminho. Caso a barra de hyper skill esteja totalmente carregada, é possível lançar uma hiper-habilidade, que aumenta o dano causado e o alcance do ataque.
O modo que os desenvolvedores utilizaram para apontar a alteração nos atributos é confuso. Não há uma tela mostrando o que será modificado caso substitua um item por outro. Na realidade, quando você faz a ação, aparecem diversas informações que somem rapidamente. Caso o item altere muitos atributos do personagem, você terá que ficar substituindo-os constantemente para saber o que aconteceu. É confuso e cansativo.
Eles podem ser modificados com itens, que vão desde armas até dispositivos. Ataque, defesa e até mesmo o tempo podem ser aumentados com os equipamentos certos. No entanto, grande parte da obtenção está presa à sorte. É muito legal ver os itens caindo após matar os chefes, mas esse sentimento diminui a partir da segunda vez que ele morre e vem um item repetido que se tornará quase inútil, pois o jogo não permite equipar duplicatas. Isso torna a repetição um processo frustrante, pois não há mudanças de uma campanha para outra. Com certeza, essa progressão é uma das coisas em que o jogo mais peca.
Com as armas, encontrei alguns bugs durante o jogo. Os drones, meus equipamentos mais fortes, simplesmente paravam de atacar. Até faziam a animação, mas não atacavam e ficavam com DPS 0. Essa questão se estendeu para todos os drones que conseguia e a arma ficou inutilizável para mim.
Em outro momento, meu atributo de “Aumento de Alcance do Ataque” ganhou valores negativos. Os ataques passaram a ocupar toda a área carregada (é possível ver isso na imagem abaixo). Eu conseguia causar dano até em inimigos fora da sala em que estava. Era muito apelão, mas foi o primeiro momento em que os drones bugaram e pararam de causar dano, o que me fez perder DPS. Consegui resolver depois de retirar e recolocar as armas, mas não sei o motivo de os valores negativos terem surgido.
Mesmo assim, é um jogo que vale a pena experimentar por sua gameplay não somente baseada em vida máxima, mas em um sistema de tempo limite. Perfeito para quem gosta da repetição característica dos roguelikes e deseja experimentar o controle de tempo.
As campanhas e o combate
O combate não foge do estilo tradicional de outros roguelikes: desviar dos inimigos usando o dash e atacar. As armas atacam automaticamente, então é um fator a menos para se preocupar. O principal diferencial, no entanto, é a habilidade da nossa personagem: a Parada Temporal. Quando disponível, permite parar o tempo. Nesse estado, as armas e os inimigos param de atacar, o tempo limite não diminui e você pode se mover livremente. Em certo ponto do jogo, inimigos especiais conseguirão burlar a habilidade e se mover, aumentando o desafio.Ao soltar a Parada Temporal, nossa personagem utiliza uma habilidade que varia dependendo do avatar que está sendo utilizado. Os avatares, desbloqueados durante a campanha, têm diversas temáticas e estilos. A Lâmina do Florescer, uma das que mais utilizei, é uma samurai. Sua habilidade é um Battojutsu, uma arrancada que causa dano em todos os inimigos que estiverem no caminho. Caso a barra de hyper skill esteja totalmente carregada, é possível lançar uma hiper-habilidade, que aumenta o dano causado e o alcance do ataque.
A Parada Temporal entrega uma dinâmica diferente ao jogo. Além de uma nova fonte de dano, a mecânica dialoga bem com o cenário em que o tempo é essencial para continuar. Foi uma nova forma de poder que me surpreendeu muito quando utilizei pela primeira vez e que não foi complicado de aprender a usar.
Nos quatro mundos (Instituto Arruinado, Zona do Deserto, Canais Subterrâneos e Passagem do Tempo), é possível conseguir melhorias de atributos, desde chips tecnológicos até aprimoramento de armas. A existência desses modificadores torna vantajoso fazer a campanha desde o início, sem pular um dos mundos, pois permite ao seu personagem ficar mais forte para os chefes finais além dos itens já equipados.
Nos quatro mundos (Instituto Arruinado, Zona do Deserto, Canais Subterrâneos e Passagem do Tempo), é possível conseguir melhorias de atributos, desde chips tecnológicos até aprimoramento de armas. A existência desses modificadores torna vantajoso fazer a campanha desde o início, sem pular um dos mundos, pois permite ao seu personagem ficar mais forte para os chefes finais além dos itens já equipados.
Itens, atributos e bugs
A nossa personagem tem cinco atributos principais: ataque, que modifica o dano causado; defesa, que reduz o dano sofrido; vida, que aumenta a resistência a dano; agilidade, que altera a velocidade de movimento, a de ataque e o vigor — quantidade de dashes seguidos; e sorte, que modifica a chance de crítico e de ganhar recompensas.O modo que os desenvolvedores utilizaram para apontar a alteração nos atributos é confuso. Não há uma tela mostrando o que será modificado caso substitua um item por outro. Na realidade, quando você faz a ação, aparecem diversas informações que somem rapidamente. Caso o item altere muitos atributos do personagem, você terá que ficar substituindo-os constantemente para saber o que aconteceu. É confuso e cansativo.
Eles podem ser modificados com itens, que vão desde armas até dispositivos. Ataque, defesa e até mesmo o tempo podem ser aumentados com os equipamentos certos. No entanto, grande parte da obtenção está presa à sorte. É muito legal ver os itens caindo após matar os chefes, mas esse sentimento diminui a partir da segunda vez que ele morre e vem um item repetido que se tornará quase inútil, pois o jogo não permite equipar duplicatas. Isso torna a repetição um processo frustrante, pois não há mudanças de uma campanha para outra. Com certeza, essa progressão é uma das coisas em que o jogo mais peca.
Com as armas, encontrei alguns bugs durante o jogo. Os drones, meus equipamentos mais fortes, simplesmente paravam de atacar. Até faziam a animação, mas não atacavam e ficavam com DPS 0. Essa questão se estendeu para todos os drones que conseguia e a arma ficou inutilizável para mim.
Em outro momento, meu atributo de “Aumento de Alcance do Ataque” ganhou valores negativos. Os ataques passaram a ocupar toda a área carregada (é possível ver isso na imagem abaixo). Eu conseguia causar dano até em inimigos fora da sala em que estava. Era muito apelão, mas foi o primeiro momento em que os drones bugaram e pararam de causar dano, o que me fez perder DPS. Consegui resolver depois de retirar e recolocar as armas, mas não sei o motivo de os valores negativos terem surgido.
Outro problema foi com a habilidade da Hacker da Lua Congelada, um dos avatares do jogo. Seu drone parou de identificar quando o ataque estava ativado e eu não conseguia perceber se estava causando dano nos inimigos.
Essas questões foram desanimadoras. Elas me prenderam em partes do jogo em que a repetição deixou de ser um processo da evolução e virou algo frustrante, pois eu sabia que o que estava acontecendo não era mais uma questão de habilidade, mas fatores internos do jogo.
Essas questões foram desanimadoras. Elas me prenderam em partes do jogo em que a repetição deixou de ser um processo da evolução e virou algo frustrante, pois eu sabia que o que estava acontecendo não era mais uma questão de habilidade, mas fatores internos do jogo.
Um ciclo para amantes de roguelike
A Flyway Games traz com Ascend to ZERO uma experiência divertida como todo bom roguelike. A habilidade da Parada Temporal, os chips tecnológicos e os equipamentos conseguem entregar uma jogabilidade dinâmica que prende por horas. Os modificadores são uma boa recompensa para os jogadores que decidem fazer a campanha completa pelos quatro mundos. Porém, bugs podem aparecer, seja nas armas, nos atributos ou nas habilidades do personagem; e a evolução baseada em sorte acaba tornando a progressão frustrante.Mesmo assim, é um jogo que vale a pena experimentar por sua gameplay não somente baseada em vida máxima, mas em um sistema de tempo limite. Perfeito para quem gosta da repetição característica dos roguelikes e deseja experimentar o controle de tempo.
Prós:
- As primeiras horas conseguem te prender no estilo de jogo roguelike;
- A Parada Temporal entrega uma dinâmica positiva para a campanha, permitindo ao jogador planejar seus ataques com calma;
- Os modificadores obtidos durante a campanha motivam o jogador a começar todos os mundos do zero, chegando ao final mais forte.
Contras:
- Bugs podem atrapalhar a gameplay e impedir que as armas ataquem;
- Interface confusa pode dificultar e alterar os atributos da personagem;
- Quantidade de itens repetidos junto com a impossibilidade de equipar duplicatas tornam a experiência frustrante.
Ascend to ZERO — PC/XSX — Nota: 7.5Versão utilizada para análise: Xbox Series S
Revisão: Ives Boitano
Análise feita com cópia digital cedida pela Krafton



