Jurassic World Evolution 3 recebeu sua primeira grande expansão, trazendo uma nova campanha, espécies inéditas de dinossauros e mecânicas inspiradas em Jurassic World: Recomeço, filme lançado em 2025. A DLC utiliza os elementos da produção cinematográfica como ponto de partida para expandir a experiência de gerenciamento de parques. Mas será que as novidades são suficientes para justificar o retorno ao mundo jurássico?
Retornando ao mundo jurássico
Jurassic World Evolution 3 foi lançado em outubro de 2025 e, com poucas horas de gameplay, já era certo que figuraria entre os meus jogos favoritos do ano. A sensação de, como fã desses seres jurássicos e da franquia clássica de Steven Spielberg, poder criar meus próprios dinossauros e gerenciar diversos parques espalhados pelo globo transformou a campanha de Evolution 3 em uma das experiências mais viciantes dos últimos tempos. Ainda mais pelas novidades que o jogo trouxe, principalmente as variantes juvenis dos dinossauros, que adicionam um imenso charme e uma sensação maior de proximidade com as criaturas.
Jurassic World: Recomeço, o último filme da franquia, lançado em 2025, marcou um novo “recomeço” para a série, apresentando novos protagonistas e uma nova aventura. Por ser uma franquia que atravessa mais de 30 anos nos cinemas, a busca por renovação é inevitável. Ainda assim, muitos fãs, incluindo eu, continuam apreciando uma experiência mais purista. Afinal, ver dinossauros na tela grande já é motivo suficiente para comprar um ingresso; tudo que pedimos é uma boa história ao redor dessas criaturas.
Porém, para marcar uma ruptura com a última trilogia, em que todos os filmes ultrapassaram a marca de 1 bilhão de dólares em bilheteria, a busca por novidades se tornou ainda mais necessária.
Em uma nova ilha, onde experimentos com dinossauros são realizados para criar espécies inéditas e atrair mais visitantes aos parques, o grande destaque agora é o Distortus Rex, um híbrido entre dinossauro e criatura de laboratório que causou terror no último filme e também faz sua estreia na expansão.
A premissa do pacote é nos colocar anos antes dos acontecimentos de Recomeço, permitindo administrar a ilha onde os eventos que deram origem à história do filme aconteceram.
Uma campanha na Île Saint-Hubert
A campanha de Evolution 3 se passa em diversos parques espalhados pelo globo. Na expansão, porém, toda a história acontece dentro da ilha "Île Saint-Hubert", dividida em três áreas distintas. Cada um dos mapas possui tamanho semelhante aos encontrados no jogo base, mas apresenta algumas diferenças estruturais que tornam essa uma escolha interessante por parte da Frontier.
Nossa primeira missão é conter o Mutadon, uma nova espécie híbrida criada a partir do Velociraptor e do Pterossauro. Agressivo e visualmente intimidador, o dinossauro precisa ser mantido em um aviário aberto, uma das melhores novidades de construção da DLC, já que permite observar os animais voadores sem a tradicional estrutura que limita a visão do jogador.
Após esse primeiro contato, começamos a receber as novas mecânicas de progressão da expansão.
A primeira mudança está na economia compartilhada entre as três áreas da ilha. Isso significa que o dinheiro gerado em um local pode ser utilizado nos demais, mas também exige que todas as regiões estejam funcionando de maneira saudável o quanto antes, para manter um fluxo constante de recursos.
A maior ruptura, no entanto, está na separação entre missões prioritárias e secundárias. Na campanha base, o caminho até as três estrelas que avançam a história e, posteriormente, até as cinco estrelas que completam o mapa é conduzido por uma sequência mais direta de objetivos. Na expansão, a estrutura é mais aberta: o jogador escolhe entre seguir as missões prioritárias, responsáveis por avançar a narrativa, ou realizar as secundárias, que oferecem recompensas importantes, como recursos e novos genomas.
A mudança funciona como um experimento interessante. Há uma liberdade maior para decidir o próprio caminho, além de uma camada de descoberta que recompensa a atenção do jogador. Em determinado momento, por exemplo, uma missão prioritária exige experimentos com uma espécie específica; contudo, ela só fica disponível após a conclusão de uma missão secundária. O jogo não apresenta esse caminho de forma explícita, fazendo com que o jogador descubra naturalmente quais objetivos precisa cumprir para avançar.
O sistema, porém, não é perfeito. A falta de informações antes de aceitar as missões secundárias pode gerar retrabalho, já que só descobrimos seus requisitos depois de iniciá-las. Caso a missão não seja adequada para o momento atual ou para a área em que estamos trabalhando, é necessário cancelá-la e buscar outra alternativa. Além disso, algumas poderiam ser combinadas para evitar tarefas repetitivas. Missões que exigem procriar um dinossauro de segunda geração, por exemplo, poderiam ser realizadas simultaneamente com outros objetivos.
Ainda assim, o saldo é positivo. A estrutura adiciona uma camada de planejamento que combina bem com a proposta de gerenciamento e é uma ideia que a Frontier poderia aproveitar em futuros conteúdos ou até em uma sequência.
O ritmo da campanha também é diferente do jogo base. Levei cerca de 5 a 6 horas para chegar aos créditos, com cada uma das três áreas avançando rapidamente entre missões, sem grandes momentos de interrupção. As missões prioritárias seguem o padrão de qualidade da campanha principal, sendo eficientes em apresentar as novas funções da expansão, como o aviário aberto, as novas ferramentas de inspeção dos animais, o controle de energia via tubulações e os sistemas de contenção e direcionamento dos dinossauros utilizando o sinalizador no veículo.
Para alcançar as cinco estrelas em cada área, o tempo de jogo aumenta consideravelmente e o desafio também cresce, exigindo um gerenciamento mais cuidadoso dos recursos e da estrutura da ilha.
A maior quebra de expectativa, porém, está na introdução do Distortus Rex. Durante a divulgação, a criatura parecia destinada a protagonizar um desafio equivalente ao final da campanha base, onde todos os sistemas do jogo são colocados à prova. Na prática, sua participação é mais controlada e funciona principalmente como uma apresentação ao personagem.
Essa escolha faz sentido dentro da proposta da expansão: em vez de transformar o híbrido no grande teste final do jogador, a Frontier utiliza sua presença para explorar a criatura e criar uma conexão maior com ela.
As estrelas da vez
Cada missão principal da expansão funciona como uma apresentação das novas espécies adicionadas, que são, sem dúvida, as grandes estrelas do pacote. Como mencionado anteriormente, o Mutadon é responsável por introduzir a necessidade de utilizar um aviário aberto, uma solução interessante que combina a fantasia da criatura com uma nova forma de construção.
O Aquilops, pequeno dinossauro que serviu como mascote “fofo” de Jurassic World Recomeço, é o menos impressionante entre as novidades. Ainda assim, sua presença consegue adicionar charme, principalmente pela diferença de escala em relação aos gigantes que normalmente dominam a experiência.
O Titanosaurus talvez seja um dos animais mais belos e imponentes já adicionados ao jogo. Seu tamanho gigantesco, combinado com uma aparência única e os comportamentos sociais entre os indivíduos, transforma observar esses grandes saurópodes em um exercício de contemplação, algo que também era um dos principais atrativos da criatura no filme. Melhor ainda é sua versão juvenil, que interage com os adultos e reforça uma das melhores adições de Evolution 3: a sensação de acompanhar o ciclo de vida dos dinossauros.
E, claro, o Distortus Rex. Talvez a criatura mais controversa da história da franquia, o híbrido foi recebido com resistência por parte dos fãs mais puristas quando revelado no último filme, mas vem conquistando espaço com o tempo. A expansão contribui muito para essa mudança de percepção.
A Frontier claramente dedicou uma atenção especial à criatura. Seus movimentos, comportamento e presença transmitem a ideia de um predador alfa implacável, mas que, ao mesmo tempo, continua sendo aquilo que realmente é: uma vítima. Uma consequência da ambição humana, uma criatura criada em laboratório que nunca escolheu existir.
A campanha reforça essa visão nos momentos finais; contudo, é principalmente na observação do animal que essa conexão acontece. Ver o Distortus Rex caminhando pelo ambiente, bebendo água ou se preparando para dormir aproxima o jogador daquele que inicialmente parecia apenas um monstro, transformando-o em algo mais complexo.
Além das novas espécies, a expansão também traz pequenas atualizações para animais já existentes. Entre elas está a inclusão dos visuais inspirados no filme para os Espinossauros e, finalmente, a possibilidade de o favorito de muitos fãs, o Tyrannosaurus Rex, nadar.
O dinossauro mais icônico de todos, surpreendentemente, era também um exímio nadador, e Jurassic World: Recomeço aproveitou essa característica para criar uma das melhores cenas envolvendo o animal. A atualização geral vinda com a DLC adiciona essa possibilidade ao jogo, permitindo que todos os jogadores observem seus T-Rex atravessando ambientes aquáticos.
Outra novidade relacionada aos animais é a adição de novos traços híbridos, como resistência a veneno. Essa característica, por exemplo, permite criar dinossauros mais adaptados a determinadas situações, mas também trazem consequências, como maior dificuldade para sedar e controlá-los.
Alguns percalços
Apesar dos acertos, a expansão também apresenta alguns problemas menores. O principal deles está relacionado à usabilidade durante a campanha, especialmente na seleção dos objetivos paralelos, propostas breves que oferecem dinheiro e recursos adicionais, que sofrem de repetição e bugs ao serem selecionadas.
Como a estrutura da ilha funciona de maneira diferente de um parque tradicional, a troca de visitantes por trabalhadores é uma decisão inteligente, mas acaba não explorando todo o potencial da ideia. A “moral” dos funcionários aparece como uma preocupação em alguns objetivos; porém, na prática, não gera impactos significativos no gerenciamento. A sensação é de que eles funcionam mais como possíveis vítimas de falhas de contenção do que como uma parte realmente integrada à operação da ilha.
O maior desafio, como mencionado anteriormente, fica concentrado na obtenção das cinco estrelas em cada área. Ainda assim, a campanha poderia ter aproveitado melhor esse nível de exigência durante as missões prioritárias, colocando o jogador diante de situações mais complexas antes do encerramento da história.
No fim, a campanha é apenas uma das formas de aproveitar a expansão. Para muitos jogadores de Jurassic World Evolution, o principal atrativo continua sendo a criação livre de parques, e, nesse ponto, a DLC funciona como uma introdução eficiente às novas mecânicas. O potencial discreto aparece no modo livre, onde é possível experimentar sem limitações, criar diversos Distortus Rex e, finalmente, colocar os Tyrannosaurus Rex para nadar à vontade.
Recomeço
Jurassic World Evolution 3: Rebirth Expansion consegue utilizar elementos do filme que o inspirou e transformá-los em algo que funciona ainda melhor dentro da proposta do jogo. Ao adicionar novas camadas de administração, mecânicas interessantes e dinossauros que justificam a expansão por si só, a DLC prova que observar essas criaturas ganhando vida, com comportamentos próprios, continua sendo o maior charme da franquia.
Prós
- Novas espécies muito bem representadas, especialmente Titanosaurus e Distortus Rex;
- Campanha com estrutura mais livre;
- Novas mecânicas de gerenciamento adicionam variedade;
- Atualizações gratuitas importantes, como o T-Rex nadando;
Contras
- O sistema de trabalhadores poderia ter mais impacto no gerenciamento;
- Missões prioritárias poderiam apresentar desafios maiores;
- Bugs ocasionais de usabilidade.
Jurassic World Evolution 3: Rebirth Expansion - PS5/XSX/PC - Nota: 8.0Versão utilizada para análise: PlayStation 5
Revisão: Mariana Marçal
Análise feita com cópia digital cedida pela Frontier Developments



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