Lançado hoje em Acesso Antecipado, Witchspire é o primeiro título desenvolvido pelo estúdio Envar Games. O jogo se passa em um mundo mágico em que precisamos desvendar os mistérios de sua criação, enquanto sobrevivemos aos monstros que ali habitam, exploramos diferentes biomas, coletamos recursos, capturamos monstrinhos e construímos e decoramos nossas instalações. Mesmo que seus recursos ainda precisem de atualizações, o título já mostra um bom potencial em sua versão atual ao balancear bem suas mecânicas e trazer uma dinâmica divertida.
Conhecendo um novo mundo mágico
Em Witchspire, acordamos em um mundo mágico completamente sem qualquer conhecimento prévio sobre os recentes acontecimentos que nos levaram até ali. Nossas primeiras informações sobre o que está acontecendo vêm da página número um do diário de Eliria, que encontramos nos primeiros minutos de aventura. No texto, ela agradece aos Eternos por estarmos no mesmo mundo e relata que seu grupo nos esperou por um dia e uma noite inteiros. Contudo, devido à escassez de suprimentos, eles precisaram seguir em frente para ver o que aquele lugar tinha guardado para eles, deixando para trás uma sacola com recursos essenciais.
Inicialmente, a proposta de exploração de Witchspire lembra muito a dinâmica vista em The Legend of Zelda: Breath of the Wild. Somos jogados em um vasto mundo aberto, repleto de recursos e segredos que vamos descobrindo de maneira orgânica à medida que caminhamos. Essa sensação de liberdade total é um dos grandes pilares do título, pois cada canto que exploramos nos garante baús com itens raros, monstros poderosos para enfrentar ou novos documentos sobre a história.
O título também inclui em suas mecânicas sistemas de domar monstros que encontramos nos dois biomas disponíveis na versão. Os pequenos monstrinhos possuem habilidades únicas de ataque, além de uma pequena árvore de habilidades que desbloqueamos à medida que ganham experiência. Mas, além do combate, podemos utilizá-los em nossa base em diferentes funções, como acelerar a forja ou a confecção de itens na mesa de trabalho.
Outra mecânica importante é a construção e personalização da nossa base. A partir da coleta de recursos, principalmente madeira, o jogo permite que a gente construa nossa base a partir de peças pré-definidas. As opções ainda são limitadas, mas o título garante um sistema de encaixe que facilita o planejamento mesmo em locais com relevos ruins para construção.
Uma boa combinação de mecânicas
Um dos principais destaques de Witchspire consiste na forma como os desenvolvedores estão tentando encaixar suas diversas mecânicas de jogo. Quando pensamos na proposta de unir coleta de monstros, exploração, sobrevivência, colheita de recursos e construções, é fácil imaginar que o balanceamento desses sistemas fique comprometido. No entanto, mesmo em uma versão inicial, o título mostrou um potencial interessante justamente nesse aspecto.
A exploração se torna extremamente prazerosa pela liberdade que temos de seguir da forma que acharmos melhor. Mesmo com pontos de missão apontando nosso próximo destino, desviar um pouco a atenção para pontos de interesse no mapa, como ruínas e cavernas, sempre é uma atividade divertida e recompensadora. Além disso, a movimentação se mostra bem fluida tanto para o deslocamento quanto para o combate, onde atacar, comandar as criaturas e esquivar são ações intuitivas e fáceis de dominar que deixam o confronto dinâmico.
Por muitas vezes, eu simplesmente esquecia da missão principal e ia apenas explorar o mundo, coletando recursos para montar minha base e personalizá-la do meu jeito. A grande árvore de habilidades disponível também atua como um fator de motivação, levando-me a enfrentar o máximo de inimigos possível para conseguir desbloquear novos recursos e vantagens para o personagem. As diferentes espécies de monstros, mesmo sendo poucas atualmente, ajudam a dar vida ao mundo, pois estão bem distribuídas conforme os biomas, e nos incentivam a explorar para descobrir e domar mais espécies.
Um ponto que vale destacar é que boa parte do marketing do jogo o destaca como um título cooperativo para até quatro personagens. No meu caso, eu joguei inteiramente sozinho, mas imagino que a experiência com amigos seja ainda melhor, principalmente na forma de distribuir as tarefas com outras pessoas. Como há zonas com mais árvores e outras com mais minérios, ir de um lado para o outro sozinho pode ser meio cansativo, algo que a divisão de funções resolveria, além de deixar os combates complexos mais divertidos e dinâmicos.
Por outro lado, é importante destacar que o jogo acabou de entrar em Acesso Antecipado e ainda tem problemas claros para serem resolvidos em futuras atualizações. Mesmo bem balanceadas, as mecânicas de combate e captura de monstros precisam ser melhor desenvolvidas, adicionando mais recursos como monstros novos, armas, habilidades e mais opções de itens de construção. Há alguns bugs, como personagens ficarem presos em elementos dos cenários, mas no geral o jogo está bem otimizado para essa etapa.
Um título pronto para crescer
O grande trunfo de Witchspire está na forma que combina as suas diferentes mecânicas de maneira equilibrada. Mesmo que as óbvias limitações de conteúdo e os pequenos bugs estejam presentes, a solidez das mecânicas e a boa otimização deixam claro que o jogo tem uma base forte para ser desenvolvida. Uma boa recepção ao longo do Acesso Antecipado vai depender da forma como os desenvolvedores irão expandir suas ideias, mas é uma boa recomendação para quem gosta de exploração, principalmente para quem tem amigos para acompanhá-lo na aventura.
Revisão: Johnnie Brian
Texto de impressões feito com cópia digital cedida pela Envar Games








