Impressões: STARSEEKER: Astroneer Expeditions almeja o universo, mas entrega um pátio para brincar de astronauta

A expansão do universo de ASTRONEER ainda precisa amadurecer para se tornar uma experiência relevante.

em 23/06/2026

STARSEEKER: Astroneer Expeditions é uma inesperada expansão do universo espacial cômico de ASTRONEER. A premissa permanece a mesma: explorar planetas em busca de recursos para que a humanidade possa prosperar. Contudo, a forma como o jogo chegou criou impressões bem mistas, dadas as óbvias semelhanças com seu antecessor, apesar das dinâmicas mais distintas.

Em busca de novos horizontes

STARSEEKER: Astroneer Expeditions é descrito como um novo jogo multijogador ambientado no mesmo universo de ASTRONEER. Porém, o foco desta vez deixa de lado os aspectos de sobrevivência e gerenciamento do jogo anterior para dar lugar a atividades cooperativas e à exploração de ambientes alienígenas.


Nossa principal atividade é explorar mundos em busca de novas descobertas em fauna, flora, solo e recursos. Toda a parte de construção e gerenciamento de base dá lugar a uma grandiosa estação espacial, a ESS Starseeker, que funciona como um lobby onde os jogadores podem se reunir e adquirir novas missões para concluir em solo alienígena.

As missões podem ser concluídas em modo solo, mas a experiência ideal é alcançada ao jogar em grupos de até quatro pessoas. Juntos, os expedicionários precisam trabalhar em conjunto para cumprir objetivos que liberam o acesso a novas regiões de cada planeta.

Como mencionado, STARSEEKER deixa de lado o aspecto de sobrevivência e gerenciamento do jogo anterior para dar lugar a uma nova dinâmica de jogabilidade, baseada em atividades que precisam ser cumpridas a cada expedição. Para isso, cada vez que o grupo de jogadores desce a um planeta, há um limite de 30 minutos de oxigênio para que o máximo de tarefas possa ser realizado.


A ideia é que os tripulantes desçam, realizem o máximo de atividades possível, sigam até um ponto de pouso, chamem sua nave e retornem à ESS Starseeker para registrar o progresso. Quem sentiu um leve aroma de "shooter de extração" já começou a entender como funciona a principal dinâmica de STARSEEKER.

A bordo da estação, é possível entregar as missões concluídas em troca de recompensas, em sua maioria créditos para comprar itens cosméticos e alguns equipamentos melhores, que ampliam as possibilidades de abordagem durante cada expedição. Também é possível interagir com outros jogadores e verificar missões globais, que envolvem toda a comunidade.

Essas missões consistem, basicamente, em metas de atividades concluídas pela comunidade em troca de mais recompensas — uma forma de estimular, ainda que indiretamente, a cooperação entre os tripulantes e de criar certo senso de objetividade na rotina do jogo.


Um grande pátio para brincar de astronauta

A proposta de STARSEEKER, à primeira vista, é interessante. A troca das dinâmicas de sobrevivência e gerenciamento por uma jogabilidade mais ativa, voltada à exploração e às atividades em grupo, torna o jogo atraente para quem não gosta da premissa de "se manter vivo para poder brincar".

Em contrapartida, o volume de atividades disponíveis ainda é bastante limitado. As tarefas de campo são básicas; a coleta e o uso de recursos para criar novos equipamentos e melhorias têm pouco apelo; e até mesmo a variedade de atividades é reduzida, resumindo-se, na maior parte do tempo, a escanear fauna, flora e minerais.


Uma das principais atividades em grupo ocorre em áreas onde é possível ativar dinâmicas que envolvem coletar um determinado tipo de recurso ou mapear um setor dentro de um tempo predeterminado. É possível realizá-las sozinho, mas, em grupo, a dinâmica flui de maneira bem mais eficiente, principalmente quando alguma ação exige que os membros do esquadrão interajam simultaneamente em locais distintos.

Neste momento, STARSEEKER ainda está em estágio de acesso antecipado e, curiosamente, não apenas no PC, mas também no PlayStation 5, no Xbox Series X|S e no Switch 2 — algo incomum de se ver, já que as versões para consoles costumam ser anunciadas apenas próximo ao lançamento da versão 1.0.


Um ponto positivo nesse lançamento incomum é que o crossplay total entre plataformas já está disponível, o que amplia bastante as opções de jogatina com amigos que não estejam na mesma plataforma. Contudo, para quem não está acostumado a esse tipo de lançamento em consoles, ainda pode soar estranho o fato de o jogo não estar completo, o que pode afetar negativamente sua recepção nessas plataformas.

O fato é que STARSEEKER já demonstra, com honestidade, sua proposta: ser algo diferente — e, ao mesmo tempo, familiar para quem vem de ASTRONEER —, com foco mais direcionado a uma experiência ativa em grupo. A System Era, desenvolvedora do jogo, já divulgou os próximos passos para torná-lo mais robusto. Cinco atualizações estão programadas, prometendo novas regiões, atividades, clima dinâmico, missões e mais.

Até lá, o que temos hoje em STARSEEKER ainda é uma experiência bastante básica. A sensação é a de estarmos em um grandioso tutorial, brincando de astronautas enquanto aguardamos os brinquedos mais interessantes serem instalados neste playground espacial, para tornar essa brincadeira ainda mais dinâmica e divertida.


Ainda na promessa

STARSEEKER: Astroneer Expeditions ainda parece um esboço do que pretende ser. A base está lá, mostrando de forma ainda tímida o que vem pela frente, mas o jogo, por ora, vive mais da expectativa do que da experiência em si. Para quem chega esperando algo próximo de ASTRONEER, a sensação é de algo ainda incompleto; para quem busca apenas se divertir explorando ao lado de amigos e curte o tema de exploração espacial, já há motivos para acompanhar o desenvolvimento de perto.

A disponibilidade imediata em múltiplas plataformas, além de oferecer crossplay e progressão compartilhada, favorece a experiência em grupo ainda mais. Resta à System Era entregar melhorias significativas nas próximas atualizações e fazer deste rolê espacial uma viagem que valha a pena.

Revisão: Heloísa D’Assumpção Ballaminut
Texto de impressões produzido com cópia digital para PC cedida pela Devolver Digital
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Alexandre Galvão
Produtor do BlastCast. Entusiasta da era 16-bit, fã declarado do PS2 e apreciador de jogos de cartas e de tabuleiro. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Também conhecido como @XelaoHerege
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