Não é segredo que Halo, hoje em dia, é uma franquia bem abaixo de seu sucesso nos anos 2000. Após a Bungie deixar a série, os jogos começaram a falhar em sua estrutura e enredo, descontentando os fãs, mesmo com alguns produtos de qualidade, como Halo Infinite.
Depois que a 343 Industries passou por uma reestruturação completa para se tornar a Halo Studios, a nova gestão procura se afirmar com Halo: Campaign Evolved, um remake do título inaugural da saga. Tivemos a chance de experimentar uma demonstração antecipada, o que nos proporcionou um vislumbre do game que será lançado para PC e Xbox Series no dia 28 de julho.
De volta ao básico
O objetivo principal de Halo: Campaign Evolved é adaptar o clássico Halo: Combat Evolved de 2001 para as plataformas modernas. Acredito que isso seja uma maneira de criar uma coletânea dos melhores momentos da franquia na primeira trilogia, usando o início de tudo como base para a campanha e incorporando as melhorias de gameplay que surgiram posteriormente.
Na demonstração, pudemos experimentar as missões O Cartógrafo Silencioso e Assalto à Sala de Controle. Ao pegar o controle — ou teclado e mouse, como foi no meu caso —, a sensação é a mesma de iniciar qualquer jogo da franquia. As armas, a sensação de disparar, o funcionamento da mira; tudo está como deveria.
Contudo, a dificuldade é um problema com o qual espero que seja específico da demonstração. Inimigos mais poderosos, especialmente os hunters, são verdadeiras esponjas de dano. Além disso, ataques mais fortes, como granadas, atropelamentos ou golpes corpo a corpo de inimigos maiores, podem resultar em morte instantânea. A demo ofereceu quatro níveis de dificuldade, e no normal eu estava enfrentando mortes injustas.
Tentei jogar no nível mais baixo de dificuldade, o que tornou o game extremamente fácil. Não tenho certeza se o balanceamento levou em conta a presença de quatro jogadores — uma das novidades de Campaign Evolved —, mas, jogando sozinho na demonstração, isso afetou minha diversão.
A build de teste não incluiu as novas missões desenvolvidas para esse remake, oferecendo apenas um aperitivo no modo Remix da Campanha, que incorpora o tradicional sistema de crânios da série de forma aleatória.
Realismo sem preservar identidade
A principal mudança do remake está em sua parte gráfica. O título foi recriado na Unreal Engine 5, e separando a realização técnica da artística, Campaign Evolved surpreende com técnicas de iluminação deslumbrantes, excelente modelagem e texturização, e, de modo geral, busca tornar a ambientação original mais realista.
Fiquei muito impressionado com a qualidade da água, que é significativamente diferente e mais realista do que no jogo do Xbox e no remaster de aniversário de 2011. As ondas quebrando na praia reagem adequadamente quando passadas pelo Warthog por dentro. Em Assalto à Sala de Controle, as cavernas frias ressaltam o reflexo do gelo e delicadas partículas de neve nas áreas abertas.
A direção de arte é a responsável pelo problema. Deixo claro que não sou totalmente contra tornar a produção “mais realista”, já que esse era evidentemente o estilo visual que a Bungie pretendia no original. No entanto, Campaign Evolved precisa de uma melhor aplicação de cores, principalmente ao entrarmos em estruturas metálicas.
O remake busca utilizar técnicas de reflexão, criando a sensação de que todo o ambiente é composto por metal escovado. As cores e a iluminação do original contribuíam para a legibilidade do level design, enquanto a escolha de tornar tudo muito reflexivo e com cores pouco destacáveis tornou a navegação nesses ambientes um pouco confusa. Como resultado, há áreas sem muita personalidade, como se a equipe de arte estivesse receosa de tornar a obra mais vibrante.
A demo foi testada na versão para PC, e considerando que meu computador não é high-end, obtive um bom desempenho ao executar em resolução 1080p nas configurações ultra a 30 fps, sem engasgos. Consegui rodar a 60 fps ajustando alguns elementos gráficos entre as configurações média e baixa, e a aparência ainda estava bastante agradável. Tendo em vista que a Unreal Engine 5 apresenta um problema de otimização, fiquei impressionado com a qualidade dessa versão.
Um remake com sentimentos mistos
Embora eu esteja impressionado com os gráficos e satisfeito com a qualidade da jogabilidade, ainda questiono a necessidade de um remake de Halo: Combat Evolved em 2026. A versão original e remasterizada pode ser encontrada na Master Chief Collection nas plataformas atuais, e, em termos de estrutura, o remake é idêntico ao original com leves mudanças de estrura.
As novas cutscenes são interessantes, e foram incorporadas animações aprimoradas para os soldados aliados e inimigos. No entanto, as alterações visuais, especialmente em um período em que qualquer modificação na identidade artística original gera um intenso debate, podem se voltar contra a Halo Studios.
Halo: Campaign Evolved será lançado em menos de dois meses, e espero que o balanceamento seja ajustado até então, pois foi o principal problema identificado nesta versão. Que novos jogadores se deixem cativar pela lenda de Master Chief em sua primeira aventura recriada, mas não será esse remake que trará o prestígio de antigamente.
Revisão: Thomaz Farias
Texto de impressões redigido com cópia digital para PC cedida pela Xbox Game Studios


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