Xanthiom 2 é um metroidvania de ficção científica (puxando mais para o lado Metroid da família) desenvolvido pela MathanGames. A informação mais importante, porém, é que ele traz de bônus outro jogo dentro de si: Xanthiom Zero Resimulated. O menu principal traz a dupla disponível desde o começo. É preciso explicar um pouco do contexto antes que pareça complicado.
Xanthiom o quê?
Em 2023, a MathanGames lançou Side Scape, que, na verdade, é o primeiro Xanthiom. Como assim? O game se ampara na criativa ideia de alternar dois protagonistas em dois pontos de vista diferentes. Basta começar um novo jogo na tela inicial, onde lemos Side Scape, para um falso “glitch” modificá-la para Xanthiom e começarmos uma aventura espacial com rolagem lateral.
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| Xanthiom 2 |
Após a introdução, o protagonista, Capitão Grisham, vai parar em um mundo de espada e magia, onde ele é fundido a um cavaleiro. A virada é que a gameplay agora é com visão de cima. A partir daí, a gameplay reveza entre os dois heróis que ocupam o mesmo corpo, cada um com seus respectivos pontos de vista, mas tudo acontece nos mesmos cenários, em um design de níveis construído para acomodar as duas abordagens ao mesmo tempo. É, certamente, uma ideia engenhosa.
No final do mesmo ano, foi a vez de outro título, uma prequela estrelada apenas por Grisham: Xanthiom Zero. Agora, temos a sequência Xanthiom 2 e, de quebra, um remake do primeiro na cronologia para acompanhar, que é Xanthiom Zero Resimulated. Como ele é parte integral do produto e não é vendido separadamente, faz sentido, então, que a análise cubra os dois jogos.
Ah, antes de continuarmos, um parênteses: existe uma versão chamada Xanthiom 2600, que pode ser adquirida gratuitamente em itch.io e funciona de verdade no Atari 2600. Assim, contando com o remake, Xanthiom já é uma série considerável, somando cinco títulos!
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| Xanthiom Zero Resimulated |
Voltando a Xanthiom 2
Como a MathanGames recomenda começar pela sequência, vamos também vê-la primeiro. Na superfície, é um “Metroid-like” tradicional: soldado em armadura tecnológica atira em portas e inimigos bizarros enquanto avança rumo ao seu objetivo.
Honestamente, o visual não me atrai, com cenários que, principalmente nas primeiras áreas, são compostos de pixel art e cores sem graça. O lado sonoro também não é marcante e nem sempre acerta nas composições sintéticas típicas de clima de ficção científica. Tirando o peso estético da frente, o que sobra é a gameplay. Nessa questão, Xanthiom 2 tem alguns pontos interessantes que devem ser mencionados.
O primeiro é a versatilidade da arma, mediante o uso de modificadores. O fuzil de Grisham tem seis espaços para equiparmos nele os itens que encontramos, alterando o estilo de tiro grandemente. Podemos, por exemplo, equipar um tiro em cruz com um modificador para explodir em estilhaços ao se chocar com qualquer coisa, ou trocar por um que atravessa paredes, ou que atira em oito direções, e por aí vai.
Por muito tempo, usei uma espécie de lança-chamas e outros modificadores que atribuíam dano de ácido e faziam o material praticamente preencher a tela. Isso pode derreter a vida de alguns chefes e ser ineficiente contra outros, levando-nos a procurar outra combinação que sirva melhor a cada luta específica. Tendo ainda mira livre em todas as direções, manobrada pelo analógico direito, o tiro é uma parte interessante e dinâmica da jogabilidade e é feito para fazer a pessoa que joga se sentir poderosa.
Outra mecânica interessante é EXO, o cristal assistente que flutua ao redor do capitão e, ao comando de um botão, provê informações sobre o ambiente atual. O teor das falas varia entre apenas descrições em prol da atmosfera, breves diálogos casuais, dicas gerais ou até pistas diretas para certos puzzles. Não sabe o que fazer em uma sala? Talvez falar com EXO elucide as coisas. O bom é que esse papel de assistente não gera interrupções inconvenientes e, quase sempre, fica a cargo de quem joga querer iniciar ou não essas conversas de poucas falas.
Além disso, Xanthiom 2 tem diversos recursos de qualidade de vida. Além da básica seleção de dificuldade, o mais notável deles é o de criar uma captura de tela marcada no mapa, ideia brilhante para um metroidvania, inaugurada em Prince of Persia: The Lost Crown e timidamente usada em poucos títulos após ele, como Lone Fungus: Melody of Spores e Constance. Gostaria de vê-la se tornar mais comum no gênero.
Outro ponto valioso para a conveniência de quem joga é a viagem rápida disponível em todos os pontos de salvamento. Temos também uma variedade grande de marcadores personalizados.
Isso é muito bom, pois a exploração de Xanthiom em um ou outro momento me deixou meio perdido. A questão é que há bastante abertura para explorar diversos locais, que, no entanto, desembocam em becos sem saída, sem grandes recompensas por tentar explorar fora dos trilhos. Não é exatamente complicada, mas requer certa atenção. Felizmente, a praticidade da viagem rápida ameniza os inconvenientes de não saber para onde ir e ter que testar várias opções de caminhos.
E quanto ao Xanthiom Zero Resimulated?
Para mim, Resimulated foi a estrela do pacote. Poderia facilmente ser vendido como um jogo à parte, mas a MathanGames decidiu generosamente incluí-lo nesse “pague um, leve dois”, uma escolha muito acertada porque uma experiência enriquece a outra, tornando-as melhores juntas do que isoladas.
Esse conteúdo bônus tem uma campanha bem menor, mas mais coesa. Gostei muito mais dos visuais dos cenários de Resimulated do que os da sequência, apresentando cores e composições mais fortes e conseguindo passar um bom clima “metroidiano”. As músicas também são mais agradáveis, embora menos misteriosas e tensas. Portanto, o que considerei um ponto fraco em Xanthiom 2, o outro conseguiu compensar.
Os pontos fortes que já mencionei acima continuam aqui: customização de armas (em menor variedade) e marcadores de mapa com capturas de tela. A viagem rápida para todos os pontos de salvamento se foi: podemos viajar a partir deles, mas cada área tem apenas um portal de chegada, uma escolha que pode não prejudicar demais o ritmo, mas que não vejo motivo para ter essa limitação.
A estrutura do mundo é bem diferente da outra: neste, o mapa é apresentado de forma vertical, com a área seguinte sempre abaixo da anterior, indo cada vez mais fundo no planeta. Mesmo que esse design requeira um progresso sequencial entre as áreas, não chega a dar a sensação de linearidade, pois há ramificações e diferentes elevadores para dar acesso à área seguinte. É um fluxo bem-feito e prazeroso rumo ao núcleo da simulação.
Também gostei um pouco mais dos inimigos de Resimulated, mas não posso dizer o mesmo dos chefes: jogando no Medium, eles são fáceis demais. Cheguei a derrotar um em pouquíssimos segundos com o uso de um certo recurso (reportei isso ao desenvolvedor e depois ele disse que balanceou melhor o equipamento). Bem, basta mudar para a dificuldade Hard, certo? Não, não podemos mudar em meio à campanha, a seleção só pode ser feita ao começar um novo jogo, o que me fez continuar sem desafios nos confrontos até o final.
Outro ponto já dito em Xanthiom 2 que também está presente aqui é o assistente digital com quem podemos conversar, aqui chamado OVR. Ele não tem a mesma variedade que EXO e não houve uma vez sequer que eu tenha achado útil saber o que OVR teria a dizer sobre o local. Contudo, OVR existe porque é importante para a trama.
Resimulated é um remake e, também, um complemento narrativo. A história foi totalmente modificada porque, enquanto o original é a aventura de Grisham em si, sua nova versão traz uma nova trama de simulação do que ocorreu daquela vez, isto é, uma tentativa de retraçar os passos do capitão para desvendar o que ele descobriu ali antes. É simples e, à medida que algumas reviravoltas acontecem, fica até previsível, mas cumpre bem seu papel de arco narrativo que prefere acrescentar ao original em vez de repeti-lo.
Curtos, mas nem tanto
Enquanto o Xanthiom Zero Resimulated me levou pouco mais de três horas para completar tudo, Xanthiom 2 é menos modesto: levei seis horas para completar 100%. O tempo total, porém, é maior que o registrado pelo jogo, uma vez que o contador interno congela a cada vez que não temos o controle efetivo, como em diálogos, transições, menus e etc. Já o Steam computou 15 horas com o aplicativo aberto.
Quem quiser mais tempo com os jogos, há a dificuldade Hard e diversos modificadores para deixar a experiência mais casca-grossa em uma segunda rodada.
Um é pouco, dois é bom
Xanthiom 2 se destaca por trazer, de bônus, outro jogo: Xanthiom Zero Resimulated, acessível desde o início. É uma dupla muito inspirada na série Metroid e, mesmo sendo modesta na produção, também tem seus pontos altos e alguns baixos. No lado positivo, há o sistema de modificadores de tiro, bastante variado, assim como estruturas de exploração distintas entre si e com mecânicas e recursos bem aplicados, evitando a sensação de mera repetição de um game para o outro.
No negativo, a arte em Xanthiom 2 não é atraente e os chefões em Resimulated são fáceis demais para quem joga na dificuldade média. O saldo final é favorável e o pacote tem tudo para divertir quem gosta de vestir sua armadura espacial para desbravar as profundezas de planetas alienígenas em busca de novas habilidades e aprimoramentos.
Prós
- São dois metroidvanias em um: além de Xanthiom 2, há o remake Xanthiom Zero Resimulated, disponível desde o início no menu principal;
- Há vários recursos de qualidade de vida, como seleção de dificuldade, viagem rápida em todos os pontos de salvamento e, notavelmente, o uso de capturas de tela para marcar o mapa;
- A mecânica de modificação de armas permite customizações variadas, deixando a pessoa que joga se sentir poderosa;
- Há modificadores de dificuldade para aumentar o desafio em uma segunda incursão nas campanhas;
- Ainda que as campanhas e mecânicas sejam parecidas, conseguem se distinguir o bastante para evitar a sensação de mera repetição.
Contras
- Vários dos cenários de fundo em Xanthiom 2 são visualmente desinteressantes, sem se importar com detalhes que os tornem marcantes (Resimulated se sai melhor nisso);
- Os chefões de Xanthiom Zero Resimulated são fáceis demais na dificuldade mediana e só é possível escolher outra ao começar um novo jogo;
- Sem português brasileiro.
Xanthiom 2 — PC — Nota: 8.0
Revisão: Heloísa D’Assumpção Ballaminut
Análise produzida com cópia digital cedida pela MathanGames
















