Análise: Truck Driver: The American Dream — o sonho americano quase virou um pesadelo

Dirigir um caminhão torna-se uma tarefa ingrata para o rapaz que vai tentar seguir os passos do pai.

em 15/06/2026
Simuladores de pilotagem geralmente priorizam a experiência ao volante virtual, mas e se adicionássemos um pouquinho de drama? Truck Driver: The American Dream é um jogo que além de te colocar na direção de um grande caminhão, traz a história de Nathan, um rapaz meio perdido na vida e que vai tentar reencontrar seu rumo na mesma carreira que seu pai teve.

Novela sobre rodas

Nathan perdeu o pai aos cinco anos, por isso, pouco conheceu dele, que era um caminhoneiro tradicional, sendo até considerado uma espécie de herói local. O protagonista foi criado por sua mãe até se tornar adulto. Ele cresceu e se casou, no entanto, nunca conseguiu se firmar em carreira alguma. Sua mãe tentou interceder com um antigo parceiro do seu pai para que Nathan entrasse na vida das estradas e agora ele precisa pegar o jeito da pilotagem com veículos pesados.

A jogabilidade em si não tem muito segredo, já que aceleração e freio estão nos gatilhos, como na maioria dos títulos que envolvem qualquer tipo de pilotagem. Claro que, por se tratar de um caminhão, há determinadas adições. Temos sempre que acionar o freio de estacionamento para parar totalmente, e ligar o motor antes de sair acelerando. Ter esses diferenciais aumenta a imersão do tanto de detalhes que existem ao pilotar um veículo dessa magnitude.

Entretanto, a imersão para por aí. A dirigibilidade não passa o peso de um caminhão de verdade, sendo que por vezes parecemos guiar um carrinho de controle remoto. Algo que é bastante incômodo está no fato de sempre parecer que a pista está molhada, pois é muito fácil derrapar, mesmo em baixa velocidade. Sendo assim, é muito fácil colidir em qualquer coisa.

Outro problema grave está nos demais veículos trafegando pela via. Não sei se essas pessoas virtuais compraram suas carteiras de motorista ou saíram escondido com o carro dos pais, mas é nítido que não sabem dirigir. Muitas delas entram na sua frente do nada, ou simplesmente decidem parar, mesmo no farol verde. Presumindo que o fluxo irá seguir como esperado, é normal dar uma porrada em alguém que simplesmente esqueceu de acelerar.

Por fim, o jogo em sua essência é bastante repetitivo. Sempre envolve dirigir do ponto A ao ponto B, às vezes acoplando algum guincho ou carga e parando no posto de gasolina para reabastecer e almoçar.

O que acaba segurando o jogador na tela é a história de Nathan. Um game desse tipo teoricamente não precisa de um enredo, porém descobrir um pouco mais das relações e motivações acaba se tornando um encorajador. E mesmo sendo bastante previsível, e até um pouco clichê, são 31 capítulos que inserem pontos de interesse e conflito que justificam de maneira sincera o porque é tão significativo para Nathan dirigir um caminhão.

De volta para a oficina

Infelizmente, Truck Driver também falha no aspecto estético. Embora apresente uma interessante variação dinâmica de ambiente, com momentos ensolarados dando lugar a chuvas torrenciais e depois noites limpas e enluaradas, os gráficos ficam aquém da geração atual, com vários polígonos quebrados e serrilhados.

Além disso, alguns bugs e glitches acabaram passando, mesmo após a massiva atualização que foi feita para trazer a expansão mais recente. Ou seja, certas vezes é comum o caminhão esbarrar em uma calçada como se fosse um muro de concreto, ou os carros da via saírem ilesos após uma colisão pesada, como se fosse um milagre.

Pelo menos é possível customizar o cavalo do caminhão. Desde a pintura, que pode ser a tradicional bandeira americana ou algo mais básico, como cores fortes e adesivos característicos, até itens mais específicos para melhorar a performance, como motores, embreagens e jogos de suspensão diferenciados.

Os elogios que fiz anteriormente para a narrativa também não podem ser passados para as cenas. Elas têm um estilo estranho, meio borrado e com personagens com rostos genéricos. É uma escolha estranha, por conta que isso acaba tirando a personalidade do único momento no qual podemos ver Nathan e os demais. É bizarro, pois como todos os envolvidos na trama ganharam vozes, em um trabalho de dublagem até que bastante competente, então fez falta ter um rosto que combinasse com essas vozes.

E já que falei em áudio, o maior pecado que um game com qualquer tipo de veículo pode cometer é falhar com os efeitos sonoros, e infelizmente Truck Driver comete esse erro. Acelerar o caminhão tem o mesmo som de ligar um liquidificador vazio. Dirigir com os fones é uma experiência irritante e que, aliada a repetitividade das missões e jogabilidade, acaba tornando a tarefa de chegar ao final mais arrastada do que pode ser.

Melhor acordar para a vida do que ter esse sonho

Truck Driver: The American Dream até teve uma ideia bacana em trazer uma história de fundo para um simulador de caminhão, mas falhou em diversos aspectos técnicos e estéticos. A sensação que tive foi a de um título de algumas gerações passadas que foi requentado e relançado para a atual. Perto de diversos simuladores atuais, este jogo acaba ficando longe de ser o sonho que traz em seu nome.

Prós

  • A ideia de colocar uma narrativa para justificar as missões é bem-vinda;
  • A dublagem dos personagens faz um bom trabalho;
  • Boas opções para a customização do caminhão. 

Contras

  • As cenas do modo História tem um senso estético no mínimo estranho;
  • A física não tem o peso necessário para a pilotagem de um caminhão;
  • Os gráficos não correspondem à geração atual;
  • A inteligência artificial do tráfico é pavorosa; 
  • Colocando a narrativa de lado, as missões são extremamente repetitivas;
  • O efeito sonoro do caminhão simplesmente não é bom.
Truck Driver: The American Dream — PC/PS5/XSX — Nota: 3.5
Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Thomaz Farias
Análise feita com cópia digital cedida pela SOEDESCO

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Carlos França Jr.
é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no @carlos_duskman
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