Análise: The Seven Deadly Sins: Origin entrega uma aventura cativante e uma jogabilidade intuitiva em um gacha gratuito

A obra consegue apresentar um mundo cartunesco cativante e oferece uma boa variedade de conteúdo disponível para ser explorado.

em 02/06/2026

Nanatsu no Taizai, ou The Seven Deadly Sins em inglês, é um mangá criado por Nakaba Suzuki. Sua obra fez sucesso relativo globalmente, chegando a ganhar uma adaptação para anime em 2014, que atualmente conta até com dublagem em português.


Mas, no cenário dos jogos de console, a série não se destacou muito com seu primeiro título, o jogo de luta The Seven Deadly Knights of Britannia. Entretanto, a nova aposta da franquia, The Seven Deadly Sins: Origin, surpreendeu-me positivamente, pois se mostrou ser um RPG de ação gratuito e um gacha muito competente.

Uma aventura para preservar o passado e salvar o futuro 

A história se passa após os eventos do anime The Seven Deadly Sins, nos colocando no controle de Tristan, o filho de Meliodas, o protagonista da animação, com Elizabeth, a princesa do Reino de Liones. O jovem herdeiro estava explorando um antigo campo de batalha com sua amiga Tioreh, filha de outros dois personagens da animação, King e Diane. A aventura começa de verdade quando, no meio do passeio, ambos acabam caindo em uma caverna, onde encontram um artefato chamado Livro das Estrelas.

O objeto mexe com o tempo e o espaço, fazendo com que personagens mortos voltem à vida e fazendo os protagonistas do anime regredirem a suas versões mais jovens. Nesse cenário, Tristan se vê tendo que, de alguma forma, arrumar tudo e ainda impedir um adversário misterioso que está corrompendo as criaturas, transformando-as em monstros.

A narrativa foi um ponto que me surpreendeu; Tristan e seus amigos são personagens divertidos e carismáticos de se acompanhar. Quando estão juntos, possuem uma química cativante e as cutscenes são muito frequentes e bem animadas, o que ajuda a dar um ar mais cinematográfico à jornada, tornando tudo ainda mais divertido de se assistir e jogar.

Além disso, o clima da trama me lembrou muito Dragon Ball clássico. Esse sentimento é reforçado tanto pela estrutura de cada capítulo, que explora um local diferente do mapa, apresentando novos personagens e biomas muito bonitos, quanto pelo autor já ter falado em entrevista que é fã do mestre Akira Toriyama. Também vale ressaltar que o game conta com legendas em português.


É importante ressaltar que, como estamos falando de um jogo live service gratuito, a jornada do príncipe ainda não está completa, mas, até onde joguei, ela apresentou as qualidades que mencionei. A expectativa é que as atualizações futuras mantenham o nível.

Confrontos dinâmicos e intuitivos

The Seven Deadly Sins: Origin é um RPG de ação com elementos de gacha. Como características do gênero, seu combate é intuitivo e versátil. Durante os embates, é possível usar ataques básicos apertando apenas um botão e habilidades especiais, sendo duas mais simples e uma suprema, que possui animações mais detalhadas.


O diferencial da jogabilidade é o sistema de trocas, que permite, durante um combo, alternar entre os personagens que compõem a equipe, desencadeando ataques combinados devastadores. Além disso, alguns guerreiros possuem sinergia entre si, o que permite que usem ataques supremos juntos, a exemplo da combinação entre o Príncipe Tristan e sua amiga juntos.

As lutas contra adversários normais não são tão frenéticas, pois eles não dispõem de movimentos desafiadores ou variados, por isso acabam sendo exaustivas, tornando seus enfrentamentos monótonos. Entretanto, os chefes de finais de capítulos são mais interessantes; eles possuem ataques em áreas poderosos, que requerem do jogador reflexos rápidos e, muitas vezes, momentos cinematográficos.

Para impedir que os confrontos se tornem muito repetitivos, os personagens possuem versatilidade ampla; é possível equipar até três armas distintas neles, e cada uma muda completamente seu estilo de luta e até mesmo dá golpes elementais a ele. Junto a isso, também existem outras mecânicas comuns de RPGs, como armaduras e acessórios com bônus únicos que mudam a gameplay. Todos esses elementos fazem com que seja possível criar diferentes builds para a equipe. Para adquirir esses equipamentos, assim como os próprios heróis, é necessário usar o sistema de gacha.


Como não sou uma pessoa sortuda na minha experiência, acabei não conseguindo pegar muitas armas de níveis altos, porém consegui algumas figuras de raridade lendária, a mais alta disponível atualmente. O jogo acaba sendo bem generoso, dando para novos jogadores um herói de raridade máxima de sua escolha.

Os deveres de um príncipe 

Além de se envolver em combates e progredir na jornada do protagonista, outra atividade disponível é a exploração. A obra apresenta um mundo aberto, generoso, com bastante biomas distintos para se aventurar. Em cada um deles existem atividades como missões secundárias e quebra-cabeças para se resolver usando o livro das estrelas.


Destaco também a direção artística, que se mantém fiel ao material original visto no anime. Então temos cenários com cores muito fortes e vibrantes que passam a sensação de um universo fantasioso e ainda estão muito fidedignos à obra original, como a floresta do rei das fadas, que está idêntica ao que foi apresentado no mangá e anime.

Essa característica se estende para os animais, inimigos e os próprios protagonistas, que possuem visuais e fisionomias cartunescas, o que reforça o sentimento e torna os guerreiros fiéis ao design visto no material original.


No entanto, achei algumas atividades, como as missões secundárias, muito repetitivas. Em contrapartida, o game também apresenta afazeres realmente interessantes, como capturar criaturas para usá-las como montarias, sendo possível ter uma para terra e uma para o ar.

Outra atividade importante é coletar alguns recursos que servem para usar a roleta de gacha da obra. Esses objetos possuem formato que lembra uma estrela e ficam espalhados pelos ambientes. Como a jogabilidade permite escalar qualquer estrutura, planar e nadar, não é um desafio coletá-los, mas essa também não é a forma mais eficiente de farmar tal especiaria.

Muitas possibilidades para farmar recursos

Além de tudo que já foi comentado, o título possui alguns elementos de multiplayer, como ver outros jogadores ocasionalmente andando pelo mapa. Também é possível criar ou se juntar a guildas, o que facilita localizar jogadores para fazerem missões juntos ou apenas explorar o mapa. Esse é um recurso que não consegui testar muito bem, contudo, nas tentativas que tive, ele funciona de forma competente e mantém a experiência divertida.


Outros modos disponíveis seriam o Boss Rush e as masmorras; o primeiro permite enfrentar adversários que já foram derrotados durante a campanha em batalhas com vários níveis de dificuldade. Fazendo isso, são recebidos materiais para invocar novos heróis e equipamentos para montar builds. Já as masmorras, como o nome indica, são as clássicas dungeons recheadas de inimigos, tesouros e uma batalha épica no final. Ambos os conteúdos podem ser feitos de forma cooperativa ou sozinhos.

Um gacha com potencial para se destacar 


The Seven Deadly Sins: Origin
entrega uma experiência que vai agradar os fãs já existentes do anime e com potencial para criar novos. Graças à sua jogabilidade intuitiva e versátil, com bastante possibilidade de builds, seu mapa aberto cartunesco e vibrante com várias atividades disponíveis. No entanto, alguns desses afazeres podem se mostrar muito repetitivos.

Prós:

  • Design dos personagens está fiel aos modelos que são vistos no mangá e anime;
  • As cutscenes estão muito bem animadas, conseguindo entregar cenas épicas e emocionantes;
  • A jogabilidade é agradável, conseguindo ser bem intuitiva, e os personagens possuem uma ótima versatilidade, permitindo criar várias builds diferentes;
  • O título oferece uma boa variedade de atividades para serem feitas, como masmorras e Boss rush.

Contras:

  • Embora visualmente muito bonito, o mundo aberto possui atividades muito repetitivas;
  • Adversários comuns acabam não conseguindo apresentar um bom desafio e eles se repetem, o que torna os confrontos exaustivos.
The Seven Deadly Sins: Origin — PS5/XSX/PC/Android/IOS — Nota: 7.0
Versão usada para análise: PlayStation 5
Revisão: Thomaz Farias
Análise produzida com cópia digital adquirida pelo próprio redator
OpenCritic
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Thiago da Silva e Silva
É um universitário se formando em engenharia na UFRRJ,apaixonado por jogos desde a infância, principalmente RPGs.
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