Análise: Psyvariar 3 é uma sequência fiel às suas raízes, mas que poderia ter ousado um pouco mais

Lançado após mais de 20 anos, esse shooter resgata um dos nomes que ficaram restritos ao Japão, no pico da fama do PlayStation 2.

em 15/06/2026
Está cada vez mais comum, nas gerações atuais, lançamentos que são continuações diretas de jogos que ficaram restritos apenas a uma parte do planeta (ou seja, ao Japão). Psyvariar 3 dá sequência à franquia de shoot ‘em ups que surgiu lá nos anos 2000, lançado para o Arcade e, depois, com revisões para o PS2.

Acertou ou não?

O sistema de power-ups em Psyvariar 3 funciona de maneira diferenciada dos shmups convencionais. Ao desviarmos dos projéteis que vem ao nosso encontro, geramos buzz, e isso nos garante alguns segundos de invencibilidade. Quanto mais acumulamos buzz, subimos o nível da nossa nave, que fica com tiros mais poderosos. Também temos o recurso de rolagem lateral que, quando acionado, deixa nossos disparos ainda mais fortes, mas ao preço de reduzir drasticamente a velocidade de deslocamento da nave. 

Isso sou eu explicando depois de morrer muitas e muitas vezes, pois não há um tutorial ou explicação mais elaborada. A mecânica em si é criativa, mas começar assim, “a seco”, não é uma boa apresentação, ainda mais que não estamos falando de uma franquia famosa, daquelas em que podemos pegar qualquer sequência e já sair jogando intuitivamente.

Não há uma definição clara de quanto a sequência de buzz influência na subida de nível, nem de quais tipos de projéteis são válidos para isso, ou o que significa aquele tiro específico mortal após desviarmos de uma saraivada de balas espaciais. Fica, então, aquela impressão de que trocamos uma vida por alguns níveis.

O nível de dificuldade também está atrelado à nossa experiência. Sempre começamos no fácil e, assim que concluímos um estágio, se atingirmos a marca necessária, podemos escolher tornar as coisas mais difíceis, mas essa escalada deve ser mantida nas fases seguintes; senão, voltamos ao fácil (que não é tão fácil assim).

A variedade fica por conta dos pilotos, que possuem diferentes padrões de ataque, bombas e escudos, tanto no modo normal quanto ao realizarem a rolagem. As bombas, inclusive, têm mais a função de especial, funcionando não só para a ofensiva, mas também providenciando alguns recursos defensivos, como teleportes e repulsores que limpam a tela. Ao todo, são sete personagens, sendo um deles a bruxinha Cotton, oriunda de sua própria série de jogos de navinha.

Os estágios são curtos e objetivos, o que é sempre bom para jogos do gênero, mas leva um bom tempo para entender e assimilar como progredir dentro do sistema de Psyvariar 3. Claro que isso acontece no modo Arcade, mas há outros desafios para quem quer ir mais longe.

O Arrange deixa a jornada mais fácil, colocando nossa nave direto no nível máximo (lv. 256), trazendo agressores com padrões de ataques mais simples e sem a opção de alterar a dificuldade ao concluir os estágios. Para quem quiser afiar suas habilidades, é possível praticar nas áreas já jogadas no Arcade, para aprender a lidar melhor com as ondas de inimigos e as chuvas de balas que vêm em nossa direção.

Além destes, também temos um modo de missões, no qual uma meta aleatória nos é dada para ser cumprida dentro de um tempo limite; o Caravan funciona como um Score Attack, em que temos apenas dois minutos para conseguir a maior pontuação possível; e o Endless, que é o tradicional jogo infinito, trazendo ondas randomizadas que devem ser combatidas com apenas uma vida.

Bonito, mas um pouco confuso

Por ter sua origem na geração dos 128-bits, que já dispunha de mais recursos tecnológicos, a franquia conseguia trazer visuais mais trabalhados, com modelos tridimensionais e paisagens dinâmicas. Psyvariar 3 não foge dessa regra e a cumpre com a mesma competência de seus antecedentes.

Entretanto, há um incômodo fora de série com o tanto de informações na tela. Primeiro, vale citar que, por se tratar de um bullet hell no qual também podemos ficar bem poderosos, nosso campo de visão já fica bastante ocupado com o tanto de coisa voando para tudo quanto é lado. Vamos adicionar as mensagens de buzz, que pipocam na tela sem parar, se fizermos certo e sem morrer. Isso por si só, já é muito.

Além disso, existem mais alguns elementos de (des)informação que precisam ser levados em consideração. Nossa experiência acumulada é representada por uma barra na parte superior da tela, que altera suas cores com base em sabe-se lá o quê, e realmente nos faz pensar, por alguns instantes, se devemos prestar atenção nela, afinal, já existe uma notificação sonora de “level up”.

Acima dela está outro indicador, chamado Extra Bomb. O que ele significa também não dá para saber, já que nossas bombas, de fato, estão representadas na parte inferior da tela. Não há uma explicação sobre como preencher esse medidor ou o que ele representa; então, é apenas mais uma coisa que acaba sendo ignorada em detrimento ao que já está acontecendo.

Toda essa questão é agravada pela disposição do jogo na tela. Ele segue a medida padrão Arcade, focada na verticalização e com grandes áreas desocupadas nas laterais. Tudo bem que há papéis de parede diversos — incluindo um verde plano que simula um chroma key, ideal para quem faz lives e conteúdo para internet —, mas ainda assim acredito que seria melhor uma disposição mais ampla, para que a ação não parecesse tão amontoada em certos momentos. A série merecia esse upgrade após o hiato de mais 20 anos entre o título anterior e o atual.

Uma franquia que ainda pode apresentar muito mais

Psyvariar 3 é um bom título que dá sequência a mais uma franquia que ficou reclusa ao mundo oriental por um bom tempo. Todavia, a variedade de jogos no mesmo nicho faz com que este fique um pouco apagado, mesmo com seus aspectos únicos. O HUD poluído também acaba colaborando para isso, pois há diversos nomes que oferecem o mesmo caos, mas de maneira mais limpa e compreensível. Quem sabe, em uma nova oportunidade, mais ousada e menos saudosista, a série consiga se posicionar entre os clássicos do gênero.

Prós

  • A mecânica de buzz e experiência é uma alternativa bacana para os power-ups;
  • Sete naves diferentes, cada uma com suas características e padrões distintos;
  • Diversos modos de jogo.

Contras

  • Não há uma explicação elaborada ou tutorial de como funciona o buzz ou qual o critério para absorção de projéteis;
  • O formato da tela poderia seguir os padrões mais modernos;
  • O excesso de informações no HUD atrapalha mais do que ajudam.
Psyvariar 3 — PC/PS5/Switch/Switch 2/XSX — Nota 7.0
Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Mariana Marçal
Análise feita com cópia digital cedida pela Red Art Games

OpenCritic
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Carlos França Jr.
é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no @carlos_duskman
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