O mapa é o melhor amigo de um explorador. Se você aprecia jogos de mundo aberto ou metroidvanias, sabe que ele é um item fundamental para se localizar e decidir para onde seguir a partir de determinado ponto. Mas, e quando você é o encarregado de criar o instrumento que vai ajudá-lo a se orientar?
Essa é a premissa de Map Map - A Game About Maps, um jogo em que fazemos uso de técnicas reais de cartografia para encontrar e marcar pontos de interesse, enquanto buscamos por um tesouro perdido. Confira nossa análise para não ficar perdido na hora de saber mais sobre este interessante título da Pipapo Games.
Em busca de um valioso tesouro
Em Map Map, assumimos o papel de uma garota obcecada por mapas. Essa paixão fez com que ela se tornasse uma especialista em cartografia, e seus talentos lhe renderam um convite para participar de uma expedição em busca de um tesouro perdido. Ao lado de um grupo de aventureiros, devemos usar as habilidades cartográficas da protagonista para mapear locais e descobrir onde está o tal tesouro.
O jogo se encaixa na categoria dos chamados cozy games, os famosos títulos aconchegantes e mais tranquilos de jogar. É o tipo de experiência indicada para quem quer algo mais leve, sem se preocupar com tempo, inimigos ou desafios elaborados.
A jornada em busca do tesouro nos leva a diferentes paisagens, repletas de pistas que ajudam a elucidar o mistério. Ao lado dos demais membros da expedição, viajamos por ilhas que precisam ser exploradas e mapeadas, para que possamos descobrir o próximo passo rumo ao prêmio.
A dinâmica principal consiste em saber se orientar ao desembarcar em cada ilha: verificar os arredores em busca de pontos de referência, montar o mapa do local e cumprir os objetivos da área, como em um puzzle.
Apesar de termos um mapa em mãos, ele não traz informações, tampouco indica a direção Norte, fundamental para a orientação. Cada ilha, porém, conta com formações naturais e outros elementos que ajudam nessa tarefa. O principal deles é uma formação no formato de bússola, que serve de ponto de partida para desenhar o mapa do local, sempre que está presente.
Em cada ilha que desembarcamos, devemos cumprir objetivos como marcar a posição de ruínas e artefatos — evoluindo gradualmente para atividades que envolvem fotografar ou registrar a posição de objetos ou fenômenos, e até encontrar tesouros escondidos.
Para isso, é necessário recorrer a técnicas básicas de cartografia. Métodos milenares, como observar a posição do sol ou contar passos ao caminhar, também figuram entre os recursos válidos para auxiliar na navegação.
A liberdade para marcar o mapa é outro ponto alto da experiência. O jogador pode — e até deve — fazer uso de instrumentos como compassos, sextantes, lápis e escalas. Nada impede, porém, que se resolva tudo a olho nu, desde que as marcações estejam corretas para concluir a etapa.
Ao localizar um ponto de interesse, essas técnicas ajudam a guiar até o próximo objetivo. Conforme avançamos para novas ilhas, as atividades se tornam mais elaboradas, exigindo maior astúcia e atenção. Ao encontrar o objetivo, devemos marcá-lo no mapa: quanto mais precisa a marcação, melhor o resultado.
Desbravando ao nosso tempo
Um dos principais méritos de Map Map é a forma lúdica e prática com que aborda o aprendizado sobre cartografia. Qualquer pessoa que já tenha estudado geografia no colégio tem, pelo menos, uma noção sobre escalas ou a importância de saber localizar o Norte.
Minha experiência com o jogo foi interessante justamente por isso. Já tinha familiaridade básica com alguns instrumentos, com a leitura de mapas e com a interpretação de escalas, mas, ainda assim, precisei ser criativo na forma de percorrer as ilhas para concluir os objetivos.
Em alguns casos, achei mais prático me orientar por pontos característicos do terreno, como uma pequena baía ou península, ou simplesmente ter a sorte de encontrar a bússola de pedra logo de início e usá-la como referência principal.
A liberdade que o jogo oferece para resolver cada puzzle do modo mais conveniente cria oportunidades de experimentar diferentes meios de navegação. Foi uma experiência agradável e curiosa, construída a partir de uma ideia simples e bem executada. A direção de arte e a trilha sonora também contribuem para deixar tudo mais aconchegante — típico de um legítimo cozy game.
Uma funcionalidade extra, mais específica, permite uma integração com a Twitch, para que espectadores possam interagir no jogo, apontando posições de onde estão os objetivos. É uma ferramenta interessante para quem preza pela interação com sua comunidade.
Map Map é simples em diversos aspectos: na proposta, na ambientação e na ambição. É uma experiência simpática e tranquila, que não pressiona o jogador sobre como encarar esse mundinho desconhecido, que nos convida a explorá-lo e deixar nossa marca nele. Um detalhe de cada vez, em um pedaço de papel.
Map Map - A Game About Maps é uma proposta honesta que encontra seu espaço ao apostar em algo que poucos jogos exploram: ensinar algo real de maneira orgânica, sem abrir mão do entretenimento. A cartografia, tema que poderia soar árido, ganha vida nas mãos da Pipapo Games por meio de puzzles que respeitam a inteligência do jogador e estimulam a criatividade, sem impor um único caminho correto.
Não se trata de um jogo que vai surpreender pela escala ou pela complexidade. Sua força está exatamente no oposto: na simplicidade com que apresenta mecânicas genuínas, na leveza da progressão e na atmosfera acolhedora, que transforma cada ilha em um pequeno convite à exploração. Para o público que busca um cozy game com mais substância do que o habitual, Map Map pode entregar isso com competência e charme.
Quem espera desafios intensos ou uma narrativa elaborada pode sair com a sensação de que faltou mais. Mas esse não é o contrato que o jogo propõe desde o início. Map Map sabe exatamente o que quer ser, e não cria desculpas por isso.
Prós
- Técnicas básicas de cartografia integradas de forma natural à jogabilidade;
- Liberdade para resolver os puzzles da maneira mais conveniente ao jogador;
- Atmosfera aconchegante, reforçada pela direção de arte e trilha sonora;
- Curva de aprendizado bem calibrada, com desafios que evoluem gradualmente;
- Função de integração com a Twitch é criativa e engajadora.
Contras
- Narrativa discreta, com pouco desenvolvimento dos personagens da expedição;
- Escopo reduzido pode deixar a experiência curta demais para alguns perfis de jogador.
Map Map - A Game About Maps — PC — Nota: 7.0
Revisão: Mariana Marçal
Análise produzida com cópia digital cedida pela Pipapo Games





