Conteúdo focado no multiplayer
Ao contrário de outras expansões, o foco de Dare & Destroy é puramente no multijogador e no modo Escaramuça (no qual jogamos sozinhos contra a IA), adicionando quatro novos Grupos de Batalha — um para cada facção do jogo base.
Fiel à sua tradição de combinar a jogabilidade com eventos e elementos reais, a Relic desenvolveu essas adições com base em momentos marcantes da Segunda Guerra Mundial. Abaixo, analiso como cada facção expande a variedade de táticas do jogo e qual a inspiração histórica que justifica a chegada delas ao game:
Forças dos EUA – Força Expedicionária Francesa: um grupo focado em contenção e defesa tática. Introduz fuzileiros franceses equipados com rifles, a capacidade de erguer fortificações de concreto e instalar torres defensivas, enquanto a artilharia ferroviária e o tanque pesado Char B1 possibilitam abrir caminho pelas linhas inimigas.
A inspiração: durante a queda da França em 1940, o Char B1 era um dos tanques mais temidos pelos alemães devido à sua blindagem extremamente grossa, quase impenetrável até mesmo para os tanques Panzer III — que eram o principal poder de fogo terrestre da Alemanha na época. No entanto, o blindado acabou não sendo tão efetivo em campo devido a graves falhas logísticas e dificuldades de comunicação (causadas pela dificuldade no sinal e pela falta de rádio na maioria das unidades). Este Grupo de Batalha homenageia as forças da França Livre lideradas por Charles de Gaulle que, mesmo atuando na clandestinidade, continuaram a lutar ainda que tivessem de recorrer a táticas defensivas e depender de equipamento precário que conseguiam salvar dos destroços dos conflitos.
Wehrmacht – Quebra-Cercos: projetados para romper as linhas e fortificações inimigas, o grupo Wehrmacht traz o temido semilagarta equipado com lança-chamas e o devastador poder de fogo do blindado Sturmtiger.
A inspiração: construído sobre o chassi de tanques Tiger I danificados em combate, o Sturmtiger (tigre da tempestade) foi um veículo projetado especificamente para destruir edificações em áreas urbanas. Ele era equipado com um morteiro de 380 mm que disparava cargas explosivas impulsionadas por foguete — uma tecnologia originalmente desenvolvida pela marinha alemã para o combate naval de longo alcance, mas que foi adaptada para amplificar o poder destrutivo em locais fechados. Foram produzidas apenas 18 unidades dele, utilizadas pelo Alto Comando alemão principalmente para “conter” revoltas urbanas e segurar o avanço do exército aliado na reta final da guerra.
Forças Britânicas – Grupo de Combate dos Serviços Especiais: são unidades que apostam na mobilidade, na infiltração de especialistas em explosivos e em táticas para sabotar e atrasar a produção de recursos do adversário.
A inspiração: respondendo diretamente à ordem de Winston Churchill para “incendiar a Europa”, os comandos britânicos foram as primeiras forças especiais na era moderna. Eles operavam em pequenos grupos por trás das linhas inimigas, realizando ataques extremamente planejados contra alvos cruciais para sabotar infraestruturas, linhas de comunicação e radares. A mecânica de queimar recursos inimigos no jogo representa perfeitamente as missões reais, nas quais os comandos destruíam pontes e depósitos de combustível para prejudicar severamente a logística e atrasar o avanço do Eixo.
Deutsches Afrikakorps – Forças de Elite: focado em priorizar táticas que fazem uso de agressividade e agilidade, utiliza o veículo de comando 8Rad para proteger unidades e acelerar o ganho de experiência delas no mapa.
A inspiração: as unidades de elite do DAK (Deutsches Afrikakorps) dependiam da velocidade de seus veículos de reconhecimento blindados — como o 8Rad — para mapear o terreno e antecipar os movimentos de avanço das forças blindadas britânicas. A mecânica de acelerar o ganho de experiência presente na expansão simula a experiência de combate e o conhecimento tático acumulados pelas tropas do general Erwin Rommel, enviadas originalmente para salvar o exército italiano que estava sendo derrotado pelos britânicos na Líbia.
Conteúdo de 2026 com problemas de 2023
Na prática, Dare & Destroy entrega uma boa variedade de mecânicas, mas segue pecando no equilíbrio entre as novas unidades e as do jogo base. Se, por um lado, a Wehrmacht ganhou o Sturmtiger e sua capacidade de limpar o mapa destruindo edifícios e fortificações, e os EUA receberam a possibilidade de criar fortes linhas defensivas logo no início do jogo, os Serviços Especiais Britânicos exigem empenho demais para funcionar. Por serem unidades muito caras e frágeis em confrontos em áreas abertas, elas exigem que o jogador consiga executar emboscadas perfeitas (ou muito próximas disso), o que as torna difíceis de usar de forma eficaz sem uma longa dedicação ao aprendizado.
Já o Deutsches Afrikakorps parece ser, até o momento, a adição mais problemática do DLC. O bônus de experiência acumulado pelo 8Rad facilita demais o uso de táticas de acumulação de infantaria logo no início das partidas, o que acaba quebrando o ritmo do jogo e estragando a experiência competitiva, seja tornando a vitória fácil demais quando utilizada ou difícil demais quando enfrentada.
No geral, o DLC cumpre o papel de entregar unidades que agregam ao elenco original e aos demais conteúdos lançados até o momento, fornecendo novas táticas e formas de abordar o combate. Contudo, o custo financeiro para um pacote estritamente focado no multiplayer faz com que a recomendação seja restrita a um determinado perfil de jogador. Para quem dedica horas ao cenário competitivo ou ao cooperativo no modo Escaramuça contra a IA, as novas possibilidades de estratégias e abordagem até justificam a compra. Já para os jogadores focados em curtir campanhas narrativas solo, o ideal é aguardar por um bom desconto ou simplesmente deixar o conteúdo passar batido.
Company of Heroes 3: Dare & Destroy funciona muito bem como um sopro de ar fresco para quem vive o cenário competitivo e procura novas abordagens para as sessões de jogo. Mecanicamente, as adições são divertidas e variadas, mas o DLC falha em justificar seu preço para o jogador solo, além de mostrar que a Relic ainda precisa trabalhar muito para alcançar o equilíbrio competitivo ideal.
Prós:
- Os quatro novos grupos entregam novas dinâmicas de que o jogo base precisava, possibilitando novas estratégias e composições de exército tanto para utilizar quanto para se defender delas;
- O retorno e a estreia de blindados pesados icônicos nos jogos de guerra trazem impacto visual e mecânico para o campo de batalha, tendo impacto em tropas e edificações;
- As novas mecânicas de camuflagem, emboscadas e sabotagem com as forças de elite britânicas e francesas adicionam uma camada a mais de planejamento gratificante para jogadores veteranos do jogo e da franquia.
Contras:
- O valor alto por um DLC estritamente focado em conteúdo para apenas quatro facções e para o multijogador parece excessivo, especialmente pela falta de novas missões para a campanha;
- O tanque Sturmtiger que destrói tudo pelo caminho e o bônus de experiência do Deutsches Afrikakorps que facilita táticas de acumulação de infantaria rapidamente “quebram” o jogo;
- O custo excessivo para produzir as novas unidades de infantaria britânica e a excessiva exigência de conhecimento e experiência prévia do jogo afasta os jogadores casuais e pune desproporcionalmente até mesmo pequenos erros de posicionamento.
Company of Heroes 3: Dare and Destroy — PC — Nota: 7.0
Revisão: Ives Boitano
Análise produzida com cópia digital cedida pela Relic Entertainment



