Sempre é interessante pegar uma proposta “tradicional” e adicionar alguma mecânica maluca. Para quem gosta de jogos run ‘n’ gun, como os clássicos Contra e Metal Slug, ChainStaff traz ação acelerada, muitos tiros, uma ferramenta incomum e (muitos) insetos.
Inseto de guerra
Nosso herói é o sargento Jesse Varlette, que integrava um pelotão de fuzileiros com a missão de descobrir qual era o foco de uma estranha invasão alienígena. Em campo, o grupo é surpreendido por diversos insetos estelares e praticamente dizimado. Apenas o sargento escapa pois, em vez de ter sido uma das vítimas, a criatura que o atacou fundiu-se ao seu corpo, criando uma monstruosidade nunca antes vista.
Junto do parasita, veio um estranho artefato, que podia ficar rígido como um bastão ou maleável como uma corrente. Agora cabe ao soldado mutacionado exterminar as criaturas do espaço, coletar os esporos estelares para estudo e buscar uma cura — ou aceitar sua nova forma e evoluir com o seu comensal.
Dentro dessa premissa, Varlette se movimenta como em um run ‘n’ gun básico: ele corre, pula e atira, podendo mirar em qualquer direção. O diferencial está justamente no controle da arma “ChainStaff”, que serve tanto como opção defensiva quanto ofensiva. Ao arremessarmos o aparato, ele pode quebrar o escudo dos inimigos ou, ao ir de encontro a uma parede, virar uma plataforma móvel. Quando fixada no chão, ela cresce como uma árvore e assim podemos alcançar lugares mais altos. Por fim, a ChainStaff pode ser fixada no teto, criando uma espécie de cipó, que nos ajuda a transpor grandes espaços sem chão.
CChega a ser curioso como um único elemento pode alterar tanto a dinâmica de um andamento simples, tornando-o bem mais divertido e desafiador. E vale adicionar também a infinidade de criaturas que aparecem pelo caminho, apresentando diferentes padrões de ataque e nos obrigando a revezar bastante entre o ChainStaff e nossa arma convencional. Ou seja, não adianta tentar sair correndo só se pendurando por lugares altos. Alguém vai acabar te pegando.
O sargento Varlette pode aprimorar suas capacidades, mas isso sempre leva a uma decisão: tentar se manter humano ou ceder à bestialidade do monstro que está preso em seu corpo? Toda fase tem alguns soldados abatidos, necessitando de ajuda. Se os salvarmos, ganhamos pontos para aprimorar a tecnologia do conjunto de armas secundárias e escudo.
Agora, se a ideia for ceifar a vida do moribundo, podemos: comer seu coração e, assim, aumentar nossos pontos de vida; ou comer seu cérebro e deixar os disparos da nossa arma principal mais forte. Isso adiciona uma pequena camada de estratégia, pois podemos simplesmente focar em um aspecto só ou balancear cada escolha. A ChainStaff também pode ser aprimorada. Ao encontrarmos quatro células dela, podemos aumentar seu tamanho, sua velocidade ou o dano que ela causa.
Além dos picos de dificuldade um pouco mais agudos que citei acima, outra falha que me incomodou um pouco na jogabilidade foi o uso do mapa. Cada uma das dez fases possui mais de uma rota, uma com uma saída simples e a outra com um chefe gigantesco. Obrigatoriamente, temos que passar por cada local duas vezes, mas o mapa que o jogo apresenta é pouco funcional.
Ele não mostra em que ponto estamos com exatidão, apesar de permitir livre transporte entre os faróis que acionamos pelo caminho. Entretanto, seria bom pelo menos um indicador visual que mostrasse quão perto estamos de alguma intersecção. Mais interessante ainda seria se isso fosse uma habilidade oriunda da evolução alienígena de Jesse Varlette.
Metal Massacre Attack
Outro aspecto bastante chamativo de ChainStaff está na sua trilha sonora. Ela foi composta pelo músico Deon van Heerden, que assinou outra obra cheia de testosterona virtual: Broforce. O início de cada fase é retratado como uma capa de disco, ao estilo anos 1970 — bem na pegada das bandas Boston e Kansas.
A cada miolo de inseto intergaláctico que explode na tela, o heavy metal vai embalando a matança como se nossa arma fosse uma guitarra. E não dá para negar que isso torna o jogo bem mais divertido.
Quanto aos visuais, confesso que fiquei bastante dividido. Tirando as capas de disco, gostei bastante das criaturas. Além de cada uma seguir o padrão do ambiente que estamos, seja um deserto, uma floresta, uma planície congelada ou em meio a criaturas que parecem águas-vivas no céu (?!), o caos alienígena tem seu apelo dentro da história.
Os chefes também merecem um elogio só para eles, pois temos organismos gigantescos que variam entre caranguejos no meio da areia, uma bolha cheia de órgãos (eca!) e, o meu preferido, uma enorme cabeça de fóssil que nos obriga a ficar destruindo dentes infinitos até revelar seu ponto fraco.
Por outro lado, as cinemáticas me pareceram estranhas. Parecia que eu estava vendo algo da época do Adult Swim, com imagens estáticas e animações estranhas só para as bocas. O menu de navegação também tem uma disposição um tanto quanto confusa, nem sempre indo para onde queremos.
E não consigo entender o porquê: pelo menos na versão de PS5, há um estranho filtro que parece deixar a imagem granulada. Achei que era algo que poderia ser ativado e desativado, mas não. Enquanto jogamos, isso não fica tão aparente, mas assim que alguma cena de diálogo começa, surge essa aplicação no mínimo inusitada.
Unindo o clássico e o novo, assim como um parasita e um soldado
ChainStaff não é complicado ou exageradamente difícil como suas inspirações, apesar de dar uma canseira no jogador em alguns momentos. Entretanto, aliar um gênero simples com uma ferramenta versátil, insetos intergalácticos e rock pesado foi uma boa mistura. Quem quiser uma diversão honesta vai encontrar aqui sem medo.
Prós
- O uso da ChainStaff combina muito bem com o level design;
- A ideia de poder salvar ou comer soldados traz uma dinâmica interessante para a evolução do protagonista;
- A trilha sonora é pesada e ideal para um tiroteio alienígena;
- O trabalho visual dos ambientes, criaturas e chefes é bem bacana.
Contras
- A dificuldade dá algumas guinadas bruscas, se tornando um pouco elevada em momento isolados;
- As animações, embora cartunescas, são um pouco estranhas, assim como o menu principal;
- Os mapas das fases poderiam ser um pouco mais funcionais;
- Parece que a todo momento jogamos com um filtro de tela granulado.
ChainStaff — PC/PS5/Switch/XSX — Nota: 7.5Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Ives Boitano
Análise feita com cópia digital cedida pela Mommy’s Best Games












