Overwatch completa 10 anos como o melhor hero shooter dos games

O jogo foi lançado quase que “por acaso” após um cancelamento interno da Blizzard.

em 22/05/2026

No dia 24 de maio de 2026, Overwatch (OW) celebra 10 anos de existência. Anunciado na BlizzCon de 2014, entrou em beta fechado em 2015 e permaneceu até o início de 2016, para aí sim ser lançado – na época, como um título pago – no PC e nos consoles de mesa PlayStation 4 e Xbox One. Já o Nintendo Switch ganhou sua versão em 2019.

Desenvolvido pela Blizzard, o game chegou com um grande impacto na indústria, sendo ovacionado como um dos melhores hero shooters que havia até então. Verdade também que tinha pouca concorrência no gênero, que, para ser mais preciso, contava quase exclusivamente com Team Fortress 2 (TF2), o qual já mostrava sinais de desgaste (sua chegada ocorreu em 2007).


Ressignificar

Em um momento em que a Blizzard lançava poucos jogos por ano, o OW nasceu como uma fênix, que ressurge das cinzas após morrer. Isso porque seu projeto inicial se chamava Titan, e era, na melhor definição que se tem até o momento, um MMO baseado em classes. Esse mesmo projeto contava com algumas inspirações em TF2 e procurava misturar com a popularidade dos mobas, que vinham crescendo durante o período (estima-se que foram pouco mais de seis anos de desenvolvimento, de 2007 até 2013).


Após o cancelamento de Titan, em torno de 40 desenvolvedores usaram diversos assets e materiais desenvolvidos para utilizarem na criação de uma nova produção. Entre eles estava Jeff Kaplan, que veio a se tornar o diretor de Overwatch por muitos anos. Outros 100 funcionários foram redirecionados para áreas distintas.

Os que ficaram trabalhando no novo projeto tiveram um prazo de apenas seis semanas para apresentar um plano de uma nova IP para a produtora. Em caso contrário, eles também seriam alocados para outros trabalhos. Juntando as poucas peças que eles ainda tinham e usando as referências citadas anteriormente, montaram uma ideia: o jogador selecionaria um personagem com habilidades específicas e entrariam em partidas com o foco no trabalho em equipe.


Ao apresentar a proposta, Kaplan mostrou imagens de planos para vários anos de expansões para o jogo com a gameplay focada em PvE e MMO. De acordo com a linha traçada, Overwatch saíria ainda em 2015, o modo de cooperação no ano seguinte e a parte dedicada ao MMO em 2018. No entanto, em entrevista recente, o ex-diretor disse que isso foi apenas um slide de uma planilha para convencer os executivos a darem luz verde ao jogo. Isso também ficou provado quando chegou o modo PvE, que recebeu um grande foco na reformulação para Overwatch 2, em 2023.

Entre os ativos de Titan que foram reformulados para o uso em OW, sabe-se da personagem Tracer, que originalmente era uma skin da classe Jumper, e o mapa Templo de Anúbis, que foi desenvolvido para o título cancelado.


Após todas essas mudanças, Overwatch foi anunciado em novembro de 2014 e chegou em maio de 2016, sendo a primeira nova franquia da Blizzard desde StarCraft (1998), bem como o primeiro FPS lançado por ela e acabou se tornando o quarto maior nome da empresa.

Tank, Ataque, Defesa e Suporte

Diferente dos 52 heróis que atualmente estão no game, Overwatch foi lançado com apenas 21 disponíveis. Eram eles: D.Va, Reinhardt, Roadhog, Winston, Zarya, Bastion, Genji, Hanzo, Junkrat, McCree (Cassidy), Mei, Pharah, Reaper, Soldier: 76, Torbjörn, Tracer, Widowmaker, Lúcio, Mercy, Symmetra e Zenyatta. E, se atualmente existem três categorias, no início eram quatro: tank, ataque, defesa e suporte.

Cada uma das roles tinha seu papel a cumprir no jogo que era de 6x6. O tank, como em quase todo jogo que possui essa classe, fazia a linha de frente e seu principal papel era o de absorver o dano inimigo. O suporte, como o nome já diz, tinha a função de dar auxílio para os heróis aliados, fosse curando-os, aumentando o dano causado ou ainda prejudicando os adversários de alguma maneira.


A principal diferença para o OW de hoje em dia reside justamente na(s) classe(s) de dano, que atualmente é uma só. Mas no lançamento ela era dividida entre heróis focados em atacar e outros para defender. Assim sendo, o que eles tinham de desigual é que os atacantes contavam com mobilidade, muitas vezes podendo até flanquear os adversários. Já os defensores eram muito bons em ficar parado em uma área e segurar a posição ali, dificultando o avanço da equipe adversária. Os heróis que eram de ataque ou de defesa ainda são excelentes nas suas propostas, a Blizzard apenas os juntou para diminuir as discussões online sobre picks em determinados mapas.


Parte do que fez o jogo ser tão bem recebido foi justamente o elenco de heróis escolhidos, isso porque a Blizzard preparou vários curtas-metragens para apresentar os personagens, aprofundá-los em seus dramas e histórias pessoais. Isso nos deu um Reinhardt que perdeu seu comandante às custas de seu jeito explosivo e impulsivo, por exemplo. Ou ainda um robô com PTSD (Transtorno de Estresse Pós-Traumático, TEPT) que ficou adormecido por vários anos e agora precisa aprender a viver e compreender o mundo longe da guerra. Entre várias outras histórias que serviram como pano de fundo para compreender os personagens, o universo, as relações deles entre si e até falas que apareciam no jogo.


 

É justamente nos heróis que OW apresentava seu forte, com designs bem-feitos (em um estilo cartoon), carisma e um ótimo trabalho de dublagem também, apesar do Lúcio, brasileiro do jogo, não ser dublado por um ator que possuísse ligações com o Brasil (isso porque inicialmente o suporte seria canadense, por isso ele gosta de hockey). Isso é um ponto muito bem trabalhado, tanto que outras duas personagens (Ana e Sombra) entraram no elenco ainda no primeiro ano de lançamento. Até os dias de hoje, a Blizzard se esforça para que cada personagem seja único.


E nesse ponto dos personagens também é possível ver a influência de Team Fortress 2. Seja no Pyro, que teve seu tiro primário reproduzido no tiro primário da Mei (a única diferença que um queima e o outro congela) e seu secundário adaptado no tiro secundário do Lúcio (ambos empurram e podem jogar inimigos para fora do mapa), seja no Demoman que serviu como base para o Junkrat (tiro primário igual, de lançador de granadas, e o secundário de bomba adesiva virou a mina de concussão), ou ainda no Medic que inspirou o cajado da Mercy e sua cura/aumento de dano por um link direto com o companheiro de time. No entanto, ainda teve muito espaço para a criação da equipe da Blizzard para deixar cada herói como uma experiência única.

Jogo para toda hora

Os modos de jogo que Overwatch trazia eram muito diferentes do que os shooters normais apresentavam na época. Havia a entrega do payload, que consistia em escoltar um veículo de um lado do mapa até outro, enquanto os adversários impediam o progresso. Outro modo era o Assault, ou 2CP, em que era necessário tomar controle de dois pontos do mapa, sempre em ordem, enquanto os defensores atrapalhavam. Por fim, o modo misto, que trazia um ponto de controle para ser tomado e, assim que o time atacante o fizesse, um payload precisava ser escoltado. Outros modos clássicos de equipe, como Capture The Flag, foram introduzidos com o passar dos anos.


Essa era a base do game, que trazia o modo competitivo/ranqueado, além de um modo casual (quick play) e, para diversificar bastante, um modo arcade em que várias regras poderiam ser alteradas para deixar o modo o mais diferente possível. Nesse modo, por exemplo, existiam modos de 1v1, ou ainda modos sem cooldown após um abate, com baixa gravidade, etc.

Ao longo dos meses, eventos começaram a aparecer (geralmente um mês sim, outro não), sendo o primeiro evento uma celebração das Olimpíadas do Rio-16. Os personagens ganharam skins de atletas, com esportes relacionados às suas habilidades, bem como referência aos países que são originários. Outro modo, o Lúcio Ball, era apresentado, no que mais parecia um Rocket League jogado apenas com o suporte brasileiro. No Halloween daquele ano, o primeiro evento PvE apareceu, trazendo skins temáticas também.


E assim, desde o começo, Overwatch soube se manter vivo. Hora trazendo mais detalhes para a história (no caso dos Archives), hora integrando mais skins e modos de jogo ligados a eventos e momentos reais (como Natal, ano novo chinês etc.).

Recepção

É possível dizer que Overwatch reviveu o gênero de hero shooters, que já enfrentava problemas com a idade avançada de Team Fortress 2. E, embora hoje enfrente grandes nomes como Marvel Rivals, Overwatch já serviu de inspiração para vários outros, como Paladins, Apex Legends e Concord.


O jogo viveu uma era de ouro logo no seu lançamento, e isso também se deve ao fato de ter recebido muita atenção ainda durante seu desenvolvimento. O beta aberto do game contou com quase 10 milhões de jogadores e uma grande cobertura da mídia especializada.

O público amou o título antes mesmo do início: a Blizzard confirmou, uma semana antes do lançamento, que mais de 7 milhões de jogadores possuíam 119 milhões de horas de gameplay somadas. Em junho de 2016, a empresa informou que OW tinha mais de 10 milhões de jogadores (e isso para um jogo pago).


A crítica andou de mãos dadas com os gamers, já que no site agregador de notas Metacritic, Overwatch ficou com média em torno de 90% nas três versões lançadas. Além disso, o game foi super premiado, levando para casa troféus de jogo do ano no The Game Awards, D.I.C.E. Awairds e Game Developers Choice Awards. Mas não parou por aí, outras premiações como melhor jogo multiplayer, melhor direção e jogo de ação do ano,propriedade intelectual mais promissora, melhor jogo de esports, melhor suporte contínuo, entre vários outros títulos em diversas premiações apenas nos dois primeiros anos.

Por fim, é preciso ressaltar como Overwatch foi um impacto positivo para a indústria. Trouxe representatividade, os desenvolvedores ouviam seu público e o jogo sempre se manteve atualizado. Até os dias de hoje esses pilares ainda estão lá. Embora o OW de hoje seja um pouco diferente (virou free-to-play, por exemplo), muito da essência se manteve. Que sejam apenas os primeiros dez anos do melhor hero shooter existente.

Revisão: Thomaz Farias


Siga o Blast nas Redes Sociais
Moreno Valerio
Jornalista, Técnico no papel, engenheiro não praticante e mestre Pokémon nas horas vagas. Passa 80% do tempo falando de games. Nos outros 20% torce para alguém falar sobre games, só para poder falar mais um pouco.
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Você pode compartilhar este conteúdo creditando o autor e veículo original (BY-SA 4.0).