Em 2003 a Electronic Arts resolveu inovar e mudar os conceitos de sua saga mais famosa do gênero de corrida: era lançado o Need For Speed: Underground (NFSU). Desenvolvido pela EA Black Box (conhecida também pela franquia Skate), o título chegou ao PC, GameCube, Xbox e PlayStation 2 em novembro daquele ano.
Ao contrário dos carros de luxo e esportivos que apareciam na série até então, NFSU inspirou-se na cultura do tuning, que ficou muito popular no início dos anos 2000. O principal mercado da modificação de carros vinha do Japão, local em que essa cultura era mais amplamente difundida.
Outro grande chamariz para o jogo foram os filmes de Velozes e Furiosos, principalmente os dois primeiros longas-metragens, que foram lançados em 2001 e 2003. Nesse momento a série do cinema ainda era focada na mesma cultura de tuning, ao invés do foco em ação e aventura que surgiu a partir de Velozes e Furiosos 4.
Uma cidade, várias corridas
O game trazia todos os desafios em uma única cidade: Olympic City, que era baseada principalmente em Seattle e São Francisco, mas continha também elementos de Los Angeles, Nova York e Vancouver. Ao contrário da maioria dos games de corrida da época, os desafios aconteciam apenas durante a noite. Sendo novamente uma inspiração em eventos reais, já que corridas clandestinas rolavam no auge da madrugada das metrópoles.
Need For Speed: Underground apresentava um modo história e, embora não fosse tão elaborado, servia como um ótimo incentivo para a jogatina em modo single player, além de liberar pistas e opções de customizações. Assim sendo, o título não se propunha como algo diferente nesse aspecto específico, já que consistia primariamente de diversos desafios para subir no ranking dos melhores pilotos de corridas ilegais de Olympic City.
A inovação não parou apenas nos carros e customizações, chegou também aos modos de jogo. Eram cinco ao todo, sendo três deles já conhecidos da série: Circuit (corrida normal em um número determinado de voltas), Knockout (modo que eliminava o último corredor a passar por um checkpoint até ficar somente um) e Sprint (o qual consistia em ir de um lugar para o outro, sem dar voltas).
Já os dois novos modos eram intrinsecamente ligados às corridas clandestinas da época – e não por menos eram os modos mais técnicos do game. A chamada Drag Race trazia a disputa de arrancadas: um trecho curto, geralmente reto e que o momento da mudança da marcha e do uso de nitro eram cruciais. Havia uma ajuda da CPU para controlar a faixa onde o carro ficava, sobrava para o jogador o câmbio manual das marchas, que apresentavam indicações na tela de quando deveria mudar.
Por fim, o Drifting fazia sua estreia na série e sendo o modo mais complexo de jogo. O desafio era tamanho que o jogador ficava sozinho na pista, em trechos curtos, com pistas largas e curvas de 90 ou 180 graus. E, como o nome já dava spoiler, o carro tinha que fazer drifts seguidos e manter uma alta velocidade para ganhar mais pontos e vencer a prova. Vale ressaltar que qualquer batida nos cantos da pista fazia com que a pontuação da manobra fosse zerada.
Para finalizar as novas ideias trazidas pela EA, estava a customização. Além de cores, vários outros aspectos podiam ser alterados ou adicionados aos carros: aerofólios, capô, luzes neon, adesivos, para-choques dianteiros e traseiros, saias laterais, escapamentos, tomadas de ar, pneus, vinis e até kits completos para o carro. Obviamente o desempenho também entrava em cena, e aspectos como suspensão e motor também podiam ser alterados. Uma das principais novidades foi a adição do nitro, ou óxido nitroso (também é bem conhecido pela marca NOS), que funcionava como um turbo e aumentava a velocidade máxima por alguns instantes. Mas, por ser a primeira vez que estava em uma produção da franquia, foi programado com uma certa fidelidade ao mundo real, ou seja, havia uma quantidade limitada de uso para cada corrida e somente em um novo desafio a barra de nitro era recarregada.
Músicas através do tempo
Uma das características mais marcantes de games em geral é a trilha sonora que ele apresenta e, embora não NFSU não trouxesse criações originais, o conjunto de músicas escolhidas marcou toda uma geração. Entre os gêneros apresentados, estavam rap, rock, drum and bass, EDM e hip hop. Mais uma escolha que surfou na onda do início dos anos 2000, em que o hip hop teve um boom de popularidade.
Quem não associa o início de Get Low, de Lil Jon & The East Side Boyz, com o seu carro customizado entrando na garagem no subsolo? Outros artistas como Rob Zombie, Stati-C, Asian Dub Foundation, entre outros, completavam a célebre lista de 26 músicas. Enquanto os menus focavam mais no hip hop, as corridas ganhavam as músicas de rock, eletrônica, disco etc., porém era possível a qualquer momento misturar a playlist do jogo com as do menu e vice-versa.
Recepção e Legado
O game foi rapidamente aclamado por crítica e público. Nos sites agregadores de notas GameRankings e Metacritic, ficou com média de 85% na versão de PS2, 83% no GC e 82% no PC e Xbox.
Já os jogadores mostraram seu gosto pelo game no número de vendas. NFSU alcançou 3,7 milhões de vendas somente no console da Sony (contando com a edição Greatest Hits), se tornando o 25º título mais vendido da plataforma. Ainda em 2004 o game já tinha passado das 7 milhões de cópias vendidas.
Atualmente não há forma oficial de se jogar Need For Speed: Underground. Ainda assim, isso não abala a lembrança de um dos melhores jogos de corrida do século e que abriu novas portas para uma franquia já consagrada.
Revisão: Thomaz Farias

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