Análise: Invincible VS é visceral e violento, do jeito que os fãs gostam, porém peca pela falta de opções

O título acerta a mão na jogabilidade mas erra pela ausência de modos básicos para produções do gênero.

em 07/05/2026
Após vários anúncios, e coincidindo com o final da quarta temporada da sua série de origem, Invincible VS tenta imprimir o mesmo ritmo das lutas animadas em combates 3vs3 cheios de sangue. Será que o game consegue fazer jus aos viltrumitas?

Pensa, Mark!

Logo de cara, a jogabilidade de Invincible VS se sobressai, pois mesmo com comandos simples, há uma boa gama de opções para subjugar seu adversário. Se vocês já jogaram Power Rangers: Battle for the Grid, vão estar bem familiarizados com os controles: temos os golpes normais (fraco, médio, forte); um para ataques especiais que varia quando combinado com algum direcional, um para cada parceiro do nosso trio e outros para recursos auxiliares, como dash e supers.

A parte mais legal aqui é a de realizar combos utilizando todos os três lutadores, criando extensões brutais que conseguem praticamente liquidar um oponente. A mecânica de active tag, na qual um dos nossos companheiros entra durante o combo para extendê-lo funciona de maneira precisa, e ainda temos a liberdade de repetir os membros da equipe, não sendo obrigatório usar todo mundo em uma sequência.

Outro ponto visceralmente bacana está na possibilidade de explodir e desmembrar os oponentes com ataques especiais. Basta que estes sejam o último golpe do combo para que quem estiver do outro lado seja aniquilado, com direito a bastante sangue, o que aumenta a proximidade com a série animada. Inclusive, mesmo com o oponente abatido, se formos rápidos o bastante, há a chance de aplicar mais um golpe para conseguir a aniquilação total.

Os supers também fazem um ótimo trabalho em captar a essência dos personagens: Omni-Man arremessando um pedaço de um planeta; Cecil apelando para um raio disparado por um satélite ou apenas uma pancada pesada do Titan; todos eles são brutais e bem animados, causando uma explosão de órgãos.

Além disso, vale mencionar que Ella Mentor, a super-heroína feita exclusivamente para o jogo, encaixou bem com o restante do elenco, não sendo aquela personagem “quebrada” ou apelona para chamar atenção. 

Logo, posso dizer como quem gosta bastante do show, que a missão de passar a mesma essência dos combates animados foi cumprida com êxito. Até mesmo quem não é tão chegado em produções de luta vai conseguir lidar com combos longos e até os contra-ataques, que exigem um pouco mais de precisão mas nada de outro mundo.

Um episódio simples

Se na parte mecânica o jogo acerta, o conteúdo deixa a desejar para um título de luta. Apesar do modo História trazer uma narrativa original, ele é acompanhado apenas pelos tradicionais Arcade, Versus e Treino. Também há desbloqueáveis, como novas cores, ilustrações, músicas, cenários e capas de quadrinhos.

Acontece que, para liberar os arquivos da Galeria, é necessário ganhar experiência tanto no perfil pessoal quanto na maestria com cada personagem, algo bem próximo do que é visto em Mortal Kombat 1. Logo, temos que utilizar exaustivamente todos os 18 super-heróis e vilões do elenco para liberar tudo, o que acaba forçando o jogador a ficar caçando partidas no online para alcançar esses pontos.

Outro repeteco inevitável está no Arcade. Cada lutador tem seu final, mas como sempre precisamos jogar com um trio, fatalmente iremos acabar repetindo alguns integrantes ou formações completas, o que acarretará na progressão com alguns integrantes do elenco sendo preenchida mais rapidamente do que com outros.

Para acumular a larga quantidade de experiência necessária, faltam modos básicos, como um Sobrevivência ou Time Attack, ou até mesmo algo que nos obrigasse a utilizar apenas um personagem, sem parceiros. Algo que também encaixaria como uma luva seria algo que colocasse o jogador em uma espécie de desafios feitos por Cecil no QG da Agência de Defesa Global.

O modo História pode ser concluído em uma hora, o que se assemelha à duração de um episódio. Não vou questionar a tônica da narrativa, pois acredito que isso seja mais uma questão de gosto pessoal do que qualidade de fato, porém ela poderia ser um pouco mais longa e render mais recompensas para a galeria.

Aproveitando o elenco

No quesito estético, houve a curiosa decisão de divergir do estilo da animação e usar modelos 3D, mesmo que a ação se mantenha bidimensional. Calhou que essa escolha acabou combinando bastante com o estilo do jogo, ainda mais por favorecer os momentos em que o ângulo muda dramaticamente para favorecer os especiais e momentos nos quais os inimigos explodem em sangue e tripas.

Quanto à parte sonora, as músicas até fazem um trabalho decente, mas o destaque fica na voz dos personagens. Não há dublagem em português, no entanto, alguns dos atores originais da série retornam aos seus papéis, como é o caso de J.K. Simmons (Omni-Man), Gillian Jacobs (Atomic Eve), Jay Pharoah (Bulletproof), Ross Marquand (Conquest), Jason Mantzoukas (Rex Splode) e Michael Dorn (Battle Beast).

Os demais personagens tiveram vozes por outros profissionais, porém não ficaram nada a dever para os atores da série de streaming. É muito bacana ouvir frases icônicas e direcionadas a situações com base nas referências da animação e o elenco faz um ótimo trabalho nessa parte.

Mark, você poderia ter pensado mais um pouco…

Invincible VS é um título que irá agradar bastante aos fãs da série, mas que peca na falta de opções de modos de jogo para quem gosta de fighting games. O sistema de maestria por personagem sofre justamente por isso, contudo, não dá para negar que é divertido fazer cada combinação possível nas lutas para testar combos, ver as ofensas e piadas entre cada lutador e, o principal, aniquilar seu adversário da maneira mais brutal possível.

Prós

  • A jogabilidade é fácil de assimilar e é bem bacana realizar combos longos em trio;
  • 18 personagens é um número decente para um elenco inicial;
  • Alguns atores da animação reprisaram seus papéis no jogo;
  • A escolha de modelos tridimensionais acabou casando bem com a ação.

Contras

  • Faltam modos de jogo, ainda mais para aprimorar a maestria com cada lutador;
  • O modo História é um tanto curto, apesar da narrativa original.
Invincible VS — PC/PS5/XSX — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Thomaz Faria
Análise feita com cópia digital cedida pela Skybound Games
OpenCritic
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Carlos França Jr.
é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no @carlos_duskman
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