Uma cafeteria com histórias marcantes
Coffee Talk Tokyo nos coloca no controle de um barista, dono de uma humilde cafeteria noturna. Diferente do habitual, ele não possui uma história a ser contada; atuamos apenas como observadores e ocasionalmente comentamos algumas coisas entre as conversas da clientela.O desenrolar da narrativa fica por conta dos clientes que visitam o estabelecimento. Cada um traz seus próprios problemas pessoais, que abrangem vários temas diferentes: paternidade, mudança de rotinas, luto, conflito de gerações, xenofobia, entre muitos outros.
Fiquei surpreso com a qualidade dos diálogos e com os rumos que as conversas tomaram, o que fez eu me afeiçoar a cada um deles. Foi possível ver como eles se tornavam amigos entre si, tornando as conversas ainda mais realistas. Tudo isso fez com que eu me importasse com cada um deles e ansiasse continuar acompanhando suas jornadas pessoais.
Além da personalidade, como de costume na franquia, existe uma mistura entre realidade e sobrenatural. Então, cada um dos personagens é um humano ou ser da mitologia japonesa. Temos Kappa, fantasmas, dragões, Kitsune e duendes. Muito mais do que apenas aparências chamativas, esses traços são importantes para os diálogos e para algumas vivências pessoais deles.
Atendendo clientes com pedidos confusos
Como dono de uma cafeteria, a jogabilidade gira em torno de produzir bebidas que os fregueses solicitam. O sistema para confecção dos pedidos é bem intuitivo; cada receita é composta de três ingredientes: uma base e dois complementos. Por exemplo, cappuccino seria combinação de café, leite e leite. A ordem em que os colocamos muda completamente a receita.O jogo é dividido em um sistema de dias. Ao todo, são quinze. Conforme avançamos neles, novas mecânicas são liberadas, como servir bebidas quentes ou geladas, e novos ingredientes. A quantidade de receitas disponíveis me agradou bastante, já que os fregueses diversificam bastante seus pedidos. A jogabilidade não se tornou repetitiva durante minha jornada. Como os pedidos raramente se repetem, fazer café não se torna monótono.
Entretanto, tive dificuldades com alguns pedidos menos específicos, que normalmente solicitavam algo que despertasse um sentimento, por exemplo, felicidade. Esses eram bem frustrantes de fazer; tive que refazê-los várias vezes. Embora essa situação possa ser vista como um desafio, ela ainda deixa um sentimento de frustração.
Por último, na questão da jogabilidade, Coffee apresenta finais diferentes para cada um dos frequentadores; eles variam dependendo da quantidade de pedidos feitos corretamente ou não. Durante minha vivência, consegui alcançar o melhor final possível para cada um deles, mas vale a pena rejogar para ver os outros finais, ainda mais pelas bebidas aprendidas se manterem registradas no cardápio do estabelecimento.
Uma Tóquio em pixel art que pulsa criatividade
É necessário exaltar o trabalho do estúdio com a direção de arte em pixel art. Todos os frequentadores são muito detalhados, com várias expressões e movimentos corporais diferentes. A própria criatividade no cenário torna o ambiente da cafeteria único, marcante, pelo seu piso de madeira que sempre range quando as pessoas entram e pelas cadeiras barulhentas.
A trilha sonora também se destaca, com faixas relaxantes que ajudam a passar a ambientação aconchegante que uma cafeteria noturna deve ter. Conforme as semanas avançavam, novas faixas eram liberadas, permitindo que o jogador escolhesse quais músicas o agradavam mais.
É chegada a hora de encerrar o expediente
Coffee Talk Tokyo é uma experiência que consegue ser muito mais do que apenas um simulador de cafeteria. O elenco é complexo, trazendo problemas pessoais variados e conversas muito bem escritas que os tornam carismáticos. Junto a isso, a direção artística também se destaca com seus detalhes e uma ótima trilha sonora com faixas tranquilas.
Sua jogabilidade é divertida e prazerosa; montar os pedidos e ver como cada bebida fica é algo satisfatório. Entretanto, alguns pedidos mais ambíguos tornam frustrante a criação das receitas. Esse detalhe, contudo, não ofusca as qualidades que a obra apresenta.
Prós:
- Os clientes são interessantes e profundos;
- A direção artística entrega modelos de personagens e uma ambientação detalhada;
- Trilha sonora tranquila, com várias opções de músicas disponíveis;
- A obra apresenta uma jogabilidade intuitiva, com uma boa variedade de receitas para serem produzidas.
Contras:
- Alguns pedidos possuem descrições confusas ou imprecisas, o que dificulta conseguir acertá-los; isso pode frustrar os jogadores.
Coffee Talk Tokyo — PS5/XSX/PC/SWITCH 2/SWITCH — Nota: 8.5Versão usada para análise: PlayStation 5
Revisão: Alessandra Ribeiro
Análise produzida com cópia digital cedida pela Chorus Worldwide Games









