Análise: Atomic Owl — passarinhos samurais e uma espada falante contra as forças do mal

Uma coruja espadachim deve unir forças com uma arma demoníaca para acabar com a tirania de um corvo malvado e libertar seus companheiros.

em 20/05/2026
Existem diversos roguelites com heróis variados, mas não me recordo de algum deles ter criaturas aviárias como protagonistas. Parece que agora essa lacuna foi preenchida com Atomic Owl. Lançado no ano passado para PC, agora os guerreiros voadores com penas letais chegam aos consoles.

Guerreiros do futuro e plataformas escorregadias

Em um mundo futurístico, havia uma tribo chamada Bladewing, composta por diversos guerreiros, entre eles Hidalgo. Ele é obrigado a assistir seus companheiros de batalha sendo subjugados e corrompidos pelo visão Omega Wing, que os torna membros do seu exército do mal. Além disso, o herói da história fica enclausurado dentro de uma árvore mágica.

Após alguns anos, uma espada encantada encerra seu cárcere. Seu nome é Mezameta e, graças aos seus poderes sombrios, ela tem o dom de se comunicar — inclusive ela fala mais que todo o restante do elenco de personagens no jogo. Agora a dupla improvável parte para a missão de libertar os companheiros de hidalgo da possessão de Omega Wing e acabar com seu reinado de terror.

Essa premissa dá o tom do que iremos encontrar, sem grandes surpresas. Cada companheiro nosso reside em uma fase diferente e está nos esperando no caminho. O que vale ser citado é que, originalmente, Atomic Owl foi lançado como um roguelite, no qual devemos conquistar pontos de melhoria para aprimorar as habilidades de Hidalgo. 

O lançamento para os consoles tem como chamariz a inclusão de um modo que elimina essas características, deixando puramente a progressão como um jogo plataforma de ação. Alguns inimigos específicos irão deixar itens que aprimoram o que já sabemos, como saltos duplos ganhando um terceiro pulo. Isso torna a experiência mais simples e palatável. Alguns elementos roguelite foram mantidos. Se morrermos, voltamos ao início da fase, independentemente de ser na luta contra o chefe ou em alguma seção de plataformas no meio do estágio.

Algo que chama atenção, independentemente do modo de jogo que escolhemos, é que os cenários são fixos, o que vai totalmente contra a prerrogativa dos roguelites, que tem ambientes gerados de maneira aleatória, seja na sequência de plataformas ou nas ondas de inimigos. Isso acaba tornando Atomic Owl um jogo de progressão rápida e bastante previsível.

Entretanto, mesmo sabendo onde está cada plataforma, a movimentação de Hidalgo é algo que traz nuances incômodas. Além dos saltos, ele pode performar um dash no ar, para alcançar pontos mais distantes. Em uma inspiração — acredito que acidental — no Crash Bandicoot do antigo testamento, parece que tudo que pode ser utilizado como plataforma é escorregadio, então é muito fácil cair ao aterrissar em alguma beirada “escorregadia”.

Esse problema fica muito mais crítico em sequências mais longas, que demandam mais precisão do jogador. Como, por exemplo, na fase em que devemos fugir de uma mão gigante. Sempre que falhamos, perdemos um ponto de vida, e assim que eles se esgotam, voltamos para uma espécie de acampamento, no qual há uma fogueira e um espírito que nos recoloca no início da última fase visitada — não que seja possível escolher para qual iremos.

Essa combinação de imprecisão e falta de aleatoriedade quebra um pouco o desafio da imprevisibilidade de um roguelite. O combate até tenta trazer uma gama de recursos, com armas diferenciadas e de características distintas, incluindo a falastrona Mezameta acompanhada de um chicote, uma marreta e uma espada mais pesada. Entretanto, não é o bastante para dar aquela dose de adrenalina que se espera de um jogo com ação acelerada.

Por fim, em alguns momentos, para priorizar tudo o que está acontecendo, a câmera se afasta e Hidalgo fica pequeno em meio ao caos de luz, lasers e criaturas que rumam em sua direção. Essa bagunça pode ocasionar na perda de alguns preciosos pontos de vida também.

Synthwave de penas

Por mais que a jogabilidade tenha suas mancadas, a trilha sonora e o estilo artístico cumprem bem o seu papel. O artista XENNON assina as faixas de Atomic Owl, com um synthwave que acompanha bem a ação que acontece na tela, independente da confusão. Inclusive, tanto as fases finais quanto os estágios bônus têm um ritmo mais acelerado, o que fez delas minhas favoritas. Para quem quiser conferir, deixarei o álbum abaixo:



O visual em pixel art das fases também é uma ótima escolha, com cores vibrantes que conseguem retratar bem a mistura de ambientes neon e pássaros xenomorfos com roupas de guerreiros orientais. Por mais que esse estilo pareça ser uma escolha segura e até batida para games bidimensionais, ele funciona muito bem.

Por fim, também devo dar o devido destaque para as interações e provocações de Mezameta. A espada de Hidalgo rouba a cena em diversos momentos, cortando diálogos sérios com piadas ácidas e comentários totalmente descabidos, fazendo dela uma parceira na narrativa e justificando o porque tem uma arma falante na aventura. Só é uma pena estar disponível apenas com textos em inglês, sem a opção de localização para o nosso idioma.

Precisa de mais um período de muda

Mesmo com uma ótima presença sonora e visual, Atomic Owl precisa de algumas correções e polimento na jogabilidade. O modo de jogo que retira, em partes, os elementos roguelite pode ser uma boa para quem não tem paciência de ficar juntando ponto de habilidades para deixar o herói mais forte, mas fica faltando algo que deixe o desafio mais encorpado, seja da maneira tradicional ou na simplificada.

Prós

  • Passarinhos com armaduras de guerreiros orientais são mais legais do que aparentam;
  • O novo modo de jogo retira alguns elementos roguelite, como o grinding por pontos de habilidade e torna o jogo mais convidativo para novatos;
  • O visual em pixel art faz um bom trabalho, com ambientes variados e cores vibrantes;
  • Excelente trilha sonora em synthwave, que evoca bem o aspecto futurista da narrativa.

Contras

  • A distância da câmera altera muitas vezes de acordo com a bagunça na tela;
  • Saltar entre diversas plataformas se torna mais irritante do que desafiadora, pois parece que elas são escorregadias, sendo fácil cair delas;
  • Não ter estágios gerados de maneira aleatória acaba minando o charme do desafio, seja no modo roguelite ou no simplificado;
  • Ausência de textos em português (para acompanhar as piadinhas da Mezameta).
Atomic Owl — PC/PS4/PS5/Switch/Switch 2/XBO/XSX — Nota: 6.5
Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Beatriz Castro
Análise feita com cópia digital cedida pela eastasiasoft
OpenCritic
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Carlos França Jr.
é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no @carlos_duskman
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