WOLFHOUND é um metroidvania que mistura ação de tiro em ritmo acelerado com exploração em um mapa interligado, apostando em uma combinação pouco comum no gênero. Além disso, o jogo aposta em uma ambientação que une Segunda Guerra Mundial, elementos sobrenaturais e estética retrô, resultando em um conceito intrigante. Tive a oportunidade de testar uma demo e a impressão inicial foi positiva: é um título competente no que se propõe, ainda que, nesse primeiro contato, pareça jogar seguro demais nas ideias.
Uma guerra que esconde algo mais
Na trama, acompanhamos o capitão Chuck “Wolfhound” Rossetti, enviado para investigar o desaparecimento de uma embarcação aliada nas proximidades do Triângulo das Bermudas. A missão inicial envolve infiltrar-se em uma instalação nazista secreta localizada em uma ilha isolada e resgatar possíveis sobreviventes.No entanto, ao chegar ao local, tudo foge do esperado: a ilha está dominada por experimentos grotescos conduzidos por um cientista nazista, com criaturas mutantes e fenômenos inexplicáveis tomando conta do ambiente. O que começa como uma operação de resgate rapidamente se transforma em uma luta pela sobrevivência e em uma tentativa de entender — e conter — algo muito maior escondido naquele lugar.
Na prática, WOLFHOUND se estrutura como uma aventura de ação e plataforma em 2D. A progressão segue o modelo clássico do gênero: exploramos um mapa amplo e interconectado, encontramos bloqueios que exigem habilidades específicas e, aos poucos, desbloqueamos novas formas de avançar. O diferencial está na forma como essa exploração é atravessada por combate intenso, com foco em armas de fogo em vez de ataques corpo a corpo.
O tiroteio é peça-chave na experiência. Há uma variedade de armamentos disponíveis, cada um com características próprias, o que incentiva a adaptar a abordagem conforme a situação. Ao mesmo tempo, a ilha está repleta de caminhos alternativos, melhorias e segredos, criando um fluxo constante entre combate, descoberta e progressão. É um jogo que valoriza tanto avançar quanto revisitar áreas já conhecidas em busca do que ficou para trás.
Entre disparos, estratégia e caminhos ocultos
A ação é ágil e constante, com um ritmo que lembra bastante jogos de tiro em 2D mais clássicos. Quase tudo que aparece na tela representa uma ameaça, e precisamos reagir rapidamente, alternando entre movimentação precisa e disparos bem calculados. Ainda assim, não se trata de simplesmente atirar sem pensar: a arma principal tem alcance limitado e exige recargas frequentes, o que obriga a escolher bem os momentos de ataque.Além disso, as armas secundárias funcionam como recursos mais escassos. Na demo, por exemplo, o rifle se mostrou extremamente poderoso, mas com um clipe pequeno e recarga lenta, tornando seu uso mais estratégico. Esse equilíbrio entre poder e limitação dá um bom ritmo aos confrontos. A dificuldade também se mantém bem ajustada, com inimigos surgindo de diferentes direções e exigindo atenção constante. Chefes, por sua vez, são um destaque, com batalhas que pedem observação de padrões e precisão. Em vários momentos morri e precisei insistir para superar trechos mais exigentes.
A estrutura do mundo lembra uma sequência de áreas conectadas, com rotas relativamente definidas e um caminho principal mais evidente. Ainda assim, há desvios e bloqueios que incentivam a exploração. Algumas habilidades já aparecem desde cedo, como atravessar passagens estreitas ou se segurar em beiradas, e há indícios de que poderes mais incomuns entram em cena conforme avançamos.
O design das áreas equilibra bem combate, plataforma e exploração, o que fica bem aparente nas duas áreas que percorri na demo. A primeira área é uma floresta tomada por zumbis, soldados e criaturas bizarras, que conta com progressão mais linear. Já a região das cavernas é mais labiríntica, onde foi preciso ativar elevadores e mecanismos para seguir adiante. Essa segunda área traz mais verticalidade e muda o ritmo da exploração. Espalhados pelo mapa, há diversos colecionáveis, como melhorias de armas e aumentos de vida. Muitos desses itens ficam em locais de difícil acesso, incentivando revisitar áreas quando novas habilidades são adquiridas.
Precisão sem ousadia
No geral, WOLFHOUND demonstra domínio sobre sua proposta. A combinação entre tiroteio intenso e exploração funciona bem, e o jogo mantém um ritmo envolvente durante boa parte do tempo. Existe uma base sólida aqui, especialmente para quem aprecia experiências mais focadas em ação dentro desse tipo de estrutura.Por outro lado, a sensação predominante, ao menos nessa demo, é de familiaridade excessiva. Apesar da ambientação curiosa, com a mistura de guerra e elementos sobrenaturais, o que vemos na prática ainda parece pouco explorado em termos de ideias. Falta algo que realmente marque identidade.
O visual em pixel art é bem trabalhado, com uma direção que remete a jogos mais antigos e ajuda a construir personalidade, enquanto a trilha sonora em estilo chiptune cumpre seu papel, embora não traga temas muito memoráveis. Fica a impressão de que há espaço para ir além.
Entre uma base sólida e o que pode vir a ser mais
WOLFHOUND se apresenta como um metroidvania competente, com uma boa integração entre ação de tiro e exploração. O ritmo run and gun acelerado e o design das áreas ajudam a manter o interesse, criando uma experiência consistente. Ainda assim, falta um pouco mais de ousadia para que ele se destaque de verdade. No estado atual, é promissor, mas fica a expectativa de que a versão final traga ideias mais marcantes e aproveite melhor o potencial dessa proposta.Revisão: Heloísa D'Assumpção Ballaminut
Texto de impressões produzido com cópia digital cedida pela Bit Kid
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