Saros promete caos frenético em um shooter exigente e sombrio

Com opções de acessibilidade e algumas novidades notáveis, o novo título tem a intenção de aprimorar a fórmula do anterior sem diminuir o desafio.

em 17/04/2026
O novo shooter da Housemarque, Saros, surge com a sensação de continuidade de ideias vistas em Returnal, embora pareça disposto a expandi-las em várias direções. A estrutura lembra o trabalho anterior, com ciclos de tentativa e erro e combates intensos, porém há sinais de mudanças importantes, em especial em relação à acessibilidade e progressão. Com uma trama aparentemente mais elaborada, alto nível de desafio e uma abordagem de ação que flerta com o bullet hell em ritmo acelerado, fica a impressão de que estamos diante de uma experiência exigente, porém, ao mesmo tempo, potencialmente empolgante. Coletamos as informações divulgadas de forma oficial para entender o que essa nova aventura pode oferecer.

Ecos de loucura em um planeta enigmático

Na trama, acompanhamos Arjun Devraj, integrante da Echelon 4, uma unidade de agentes de elite enviada ao misterioso planeta Carcosa em busca de colonistas desaparecidos. Esse ponto de partida já sugere um enredo que mistura investigação com sobrevivência, enquanto pouco a pouco surgem indícios de que a missão envolve mais do que apenas resgates. 


Carcosa, por sua vez, está preso sob um eclipse constante, um fenômeno que, para mais do que dominar o céu, interfere de modo direto na matéria e na mente de quem se aventura por lá. Aos poucos, os membros da equipe vão perdendo a sanidade, e o ambiente parece reagir a isso de maneiras imprevisíveis. Arjun precisa explorar esse planeta insípido em busca das pessoas desaparecidas, enquanto tenta encontrar uma forma de salvar sua equipe e lidar com seus próprios objetivos. Existe a promessa de uma narrativa mais rica em comparação a Returnal, possivelmente com mais personagens e interações moldando os acontecimentos.

A ambientação reforça essa proposta ao apostar em uma ficção científica sombria e atmosférica. Carcosa é descrito como um lugar hostil e visualmente perturbador, tomado por criaturas bizarras que parecem resultado direto da influência do eclipse. Esse fenômeno intensifica ainda mais a sensação de distorção, alterando não só o ambiente, mas também a percepção do que é real. A trilha sonora eletrônica acompanha esse clima se distorcendo com tons densos, enquanto a parte técnica retoma o visual impressionante de Returnal com combates recheados de partículas, iluminação impactante e cenários amplos.



Dançando entre projéteis em tiroteios de tirar o fôlego

No campo da jogabilidade, Saros se apresenta como um action shooter em terceira pessoa com ritmo acelerado e foco em combates frenéticos. A movimentação constante parece ser essencial, exigindo esquivas precisas e leitura dos padrões inimigos em meio a uma enxurrada de projéteis. A forte presença de elementos de bullet hell, com padrões complexos preenchendo a tela, dá origem a algo que vem sendo chamado de “bullet ballet”, uma espécie de dança caótica onde ataque e defesa se misturam o tempo todo.


Pelo caminho, Arjun encontra todo tipo de arma, como pistolas, rifles ou estranhos construtos alienígenas. Além dos projéteis normais, cada armamento possui também um poder alternativo poderoso — essas opções são aleatórias, então até mesmo armas da mesma classe podem ter usos diferentes. Assim como no título anterior, a força empregada nos gatilhos adaptativos do DualSense determina o modo de operação dos equipamentos.

A estrutura segue o modelo de runs típico dos roguelikes, com mapas e desafios que mudam a cada tentativa. A morte deixa de ser apenas uma punição e passa a fazer parte do processo, criando um ciclo em que podemos morrer, aprender, evoluir e voltar mais fortes. Ainda assim, existem indícios de que esse ciclo será menos rígido do que em experiências anteriores do estúdio, o que pode alterar bastante o ritmo de progressão. A produtora também promete partidas mais ágeis e curtas, o que pode reduzir o desgaste e a frustração da derrota.



Entre o risco e a adaptação

Muito do que chama atenção em Saros parece vir da evolução das ideias vistas em Returnal. Há uma tentativa de incentivar uma postura mais agressiva durante os confrontos, ao mesmo tempo em que novas mecânicas sugerem caminhos para tornar essa experiência mais acessível. O equilíbrio entre risco e recompensa parece estar no centro dessas mudanças, ainda que de forma menos rígida do que antes.

Um dos elementos mais interessantes é o Soltari Shield. Trata-se de um escudo capaz de bloquear e absorver projéteis inimigos, convertendo essa energia em ataques mais poderosos. Isso muda a lógica dos combates, já que evitar completamente o dano pode não ser sempre a melhor escolha. Em certos momentos, aceitar o risco pode significar ganhar vantagem, criando um ritmo mais dinâmico e imprevisível.


O sistema de Eclipse também merece atenção. Ele não funciona apenas como elemento narrativo, mas influencia diretamente a jogabilidade. Armas, artefatos e até os cenários podem ser corrompidos e alterados, introduzindo novos perigos e limitações. Com isso, cada tentativa tende a apresentar variações mais significativas, o que reforça a sensação de um mundo instável e em constante transformação.

Outro ponto relevante está nas opções de acessibilidade e progressão. Existe a possibilidade de manter armas após a morte, iniciar novas tentativas a partir de biomas específicos e contar com o recurso de Second Chance, que permite reviver Arjun imediatamente uma vez por partida. Fora das missões, o progresso continua em Passage, um templo que serve como base, onde melhorias permanentes podem ser desbloqueadas, como aumento de vida ou ganho de recursos. 


Também há espaço para customização, com diferentes armas Soltari e Carcosan, além das Power Weapons, que utilizam a energia do eclipse ao custo de efeitos negativos. A dificuldade pode ser ajustada por meio de modificadores, que tanto reduzem quanto aumentam os desafios, impactando diretamente as recompensas. A presença de tantas opções permitirá moldar a experiência ao gosto do jogador, mas sem deixar de lado o desafio intenso característico da proposta.



Um eclipse promissor

Saros parece caminhar para ser uma experiência intensa, desafiadora e envolvente, ao mesmo tempo em que busca suavizar algumas das barreiras vistas no trabalho anterior do estúdio. As novidades na narrativa e nos sistemas sugerem uma tentativa de tornar essa jornada mais ampla e flexível, sem abrir mão da identidade marcada por combates exigentes e ritmo acelerado. Com um forte cuidado técnico e ideias que apontam para maior variedade e adaptação, tudo indica que o projeto tem potencial para ser mais um dos destaques do gênero.
Saros - PlayStation 5
Desenvolvedor: Housemarque
Gênero: Aventura, Ação, Tiro
Lançamento: 30 de abril de 2026
Revisão: Thomaz Farias
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Farley Santos
é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.
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