Impressões: The Player Who Can’t Level Up é promissor e criativo mas precisa de variedade

O roguelite nascido dos manhwas tem estilo e potencial, mas precisa variar os tipos de inimigos e combos para não perder o fôlego.

em 23/04/2026

Imagine um game nascido dos manhwas e webnovels sul-coreanos: uma torre misteriosa surge no mundo, portais se abrem por toda parte, monstros começam a emergir, e, com eles, os humanos despertam poderes que jamais imaginaram ter. Agora chamados de "jogadores", eles enfrentam as forças monstruosas e ascendem por um rígido sistema de castas que dita sua evolução. Este é The Player Who Can't Level Up, um roguelite de ação com elementos de hack'n'slash construído sobre essa premissa. Desenvolvido pela Tripearl Games e publicado pela Smilegate, o título está previsto para 2026 no PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC via Steam, chegando totalmente legendado em português.


Nele, controlamos Kim Gikyu, um jogador que despertou seus poderes aos 18 anos e que, mesmo após cinco anos de batalhas intensas e aprendizado, continua preso no nível 1. Até que um portal misterioso se abre diante dele, um que só ele parece capaz de atravessar. A partir daí, segredos há muito tempo enterrados começam a vir à tona. Ao lado de suas duas espadas sencientes, Lou e El, cabe a Kim desvendar esses mistérios e, quem sabe, finalmente escapar do nível 1.



Hack’n’Slash? em 2026?

Como dito, o jogo é um roguelite de ação com toques de hack'n'slash. O loop de gameplay funciona assim: entramos em uma fase, eliminamos inimigos, coletamos power-ups (nomeados de "Fragmentos de Ego") que podem ser equipados nos slots de cada espada e seguimos para a próxima. O tempero à la Devil May Cry vem do sistema de combate: é possível encadear combos entre ataques leves e pesados, esquivar no tempo certo e, no limite, cravar Lou no próprio peito para liberar uma segunda forma temporária do protagonista, onde os ataques se tornam torrentes de dano e destruição. Durante essa forma, os ataques de Kim têm velocidade extremamente reduzida, porém acertam com a força de um caminhão, e é possível aumentar o tempo da transformação.




Além disso, Kim possui quatro habilidades que operam em cooldown. "Bi" invoca um lobo que avança contra os inimigos causando dano. "Oberon" (uma das que mais usei) congela os monstros no tempo dentro de uma área, criando a janela perfeita para encadear combos. "Hermes" acelera os movimentos e ataques de Kim. E, por último, "Broomheart" gera um escudo que anula o primeiro golpe recebido e acumula o dano seguinte para devolvê-lo em uma explosão de energia ao pressionar o botão da habilidade novamente.

Se o jogador morrer, retorna ao lobby da torre, onde pode comprar upgrades permanentes, melhorar habilidades e aprimorar as espadas antes de tentar de novo. Outra mecânica que merece atenção é a de erosão: quanto mais tempo o jogador passa dentro de uma run, mais uma porcentagem chamada "erosão" cresce. Ao atingir 100%, Kim passa a perder vida gradualmente, forçando um senso de urgência que impede o jogador de ficar farmando indefinidamente. A cada vitória contra o chefão da demo, o protagonista ganha roupas novas, mais Fragmentos de Ego e uma habilidade devastadora para quando a tela estiver lotada de inimigos. O menu também oferece desafios opcionais que, ao serem completados, desbloqueiam "Metanos" (um dos tipos de upgrades permanentes) e novas combinações de Fragmentos de Ego.



Detalhes e mais detalhes

A direção de arte também chama atenção, com um estilo cartunesco que remete a Genshin Impact. As partículas dos ataques, animações e transformações são coloridas e bem polidas. Mas o charme principal fica por conta das cutscenes: algumas são animadas tradicionalmente, enquanto outras apresentam painéis de manhwa com animação e dublagem, trazendo a essência das origens do jogo para dentro da experiência. Já a trilha sonora e o design de som não chegam a se destacar: cumprem seu papel sem comprometer a experiência, mas também não ficam na memória depois que se fecha a demo.




Outro destaque são as interações com Lou e El durante o gameplay. Enquanto caminhamos pelos cenários e enfrentamos inimigos, as espadas vão conversando conosco por meio de balões de fala no canto da tela, com piadas e comentários sarcásticos que dão personalidade à exploração. El tem uma aparência e personalidade angelical, enquanto Lou carrega um visual mais sombrio: não exatamente um demônio, mas um homem de terno com uma meia máscara demoníaca no rosto, algo como um Fantasma da Ópera em versão infernal.



Boas impressões, mas alguns pontos para acertar

Ao longo da demo, porém, alguns pontos me chamaram a atenção de forma negativa. O fator replay pode se tornar cansativo para alguns jogadores, já que os combos são limitados e não dão muita margem para experimentação. Os inimigos também se repetem demais: chega um momento em que lutar contra os mesmos monstrinhos pela enésima vez perde completamente a graça.

No fim das contas, The Player Who Can't Level Up me deixou com uma boa impressão. A proposta é sólida: a mistura de roguelite com toques de hack'n'slash funciona, o sistema de combate tem potencial e a ambientação nascida dos manhwas dá ao jogo uma identidade própria. Ainda falta polimento, especialmente na variedade de inimigos e na profundidade dos combos, mas o alicerce está ali. Com os ajustes certos, pode se tornar uma aventura que vale muito a pena acompanhar.

Revisão: Johnnie Brian
Texto de impressões produzido com chave de acesso cedida pela Tripearl Games
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Vincenzo Augusto Zandoná
Apaixonado por games desde que nasci, gosto de passar horas tagarelando sobre, principalmente Metal Gear! Ah e também faço café...