Impressões: Morbid Metal brilha no combate, mas tropeça no ritmo

Com um sistema de troca de personagens impecável, o roguelite da Screen Juice compensa a falta de originalidade com um combate técnico e fluido.

em 06/04/2026
A premissa de Morbid Metal nos coloca no papel de uma IA criada por uma figura misteriosa. Presos em uma simulação pós-colapso da humanidade, nosso objetivo é eliminar outras IAs para evoluir e teoricamente, repovoar a Terra.

Mais um futuro pós apocalíptico

Visualmente, o jogo é muito bonito. A estética é polida e entrega exatamente o que se espera de um projeto que tem como inspirações NieR e Cyberpunk. Contudo, aqui entramos em um dilema: embora seja bonito, ele não me parece nada original. A narrativa está ali claramente apenas para justificar o gameplay. No fim das contas, a sensação é de estar diante de "mais um" jogo pós-apocalíptico focado em uma IA sobrevivente, um tema que temos visto à exaustão em dezenas de títulos que saem a todo momento. É funcional e bem executado visualmente, mas não tenta reinventar a roda no quesito história.

Dança das máquinas

Se na narrativa o jogo é até o momento comum, é no combate que Morbid Metal mostra a que veio. O grande diferencial aqui é o sistema de troca instantânea entre os três personagens principais disponíveis até o momento:
  • Flux: o personagem inicial, focado em ataques rápidos contra um único inimigo por vez;
  • Ekku: o “tanque” que utiliza uma alabarda para causar dano em área;
  • Vekta: focado em combate à distância, ideal para controlar o ritmo e eliminar os inimigos voadores.
A mecânica de troca é extremamente bem executada e rápida. A transição é praticamente imperceptível em termos de performance, o que é um feito técnico que merece destaque. Em outras experiências do gênero que joguei, sempre havia aquela "travada" ou um leve delay que quebrava o ritmo do combo, mas aqui a fluidez é impressionante.

O que realmente brilha é como essa rapidez permite alternar entre as propostas bem distintas de cada herói: você pode começar com combos rápidos e ataques de precisão do Flux em um inimigo por vez, alternar para o Ekku para limpar a área com golpes pesados e finalizar com o controle de campo à distância do Vekta. O game se sustenta nessa dinâmica e faz com que a troca constante seja natural, em cerca de meia hora a mecânica já me era algo natural.

Quebra de ritmo

Como todo roguelike moderno, Morbid Metal se estrutura em ciclos: você entra na simulação, luta nos biomas (Jardim Sublime e Santuário de Aço) e, ao morrer, retorna ao Hub do Vazio para investir em melhorias passivas e permanentes.

No entanto, aqui é justamente onde ele perde o ritmo. A progressão acaba quebrando o fluxo da experiência de forma incômoda. O título se propõe a ser um roguelike de ação frenética, mas a necessidade de retornar a um local central para iniciar cada nova tentativa interrompe o fluxo do gameplay.

Diferente de um Hades, em que o retorno à "central" é enriquecido por narrativa, interações e uma ambientação viva, o Hub de Morbid Metal é desinteressante. Ele parece apenas uma parada obrigatória, um vazio que não oferece o mesmo estímulo de descoberta ou desenvolvimento de personagem que justifique a pausa na ação. Para um jogo que brilha tanto na fluidez do combate, essa parada forçada em um local sem alma acaba pesando contra a vontade de iniciar a próxima jogada.

Vale ressaltar ainda a falta de uma trilha sonora durante a travessia de cenário, o que nos obriga a ouvir chatíssimos toques metálicos todo o tempo, e quando a trilha entra durante os combates, recebemos um péssima música que tenta mistura techno e Heavy Metal, porém resulta em uma música vazia que não gera a devida adrenalina. Tendo como uma das influências a série de games Devil May Cry, esse é um erro que não poderia ser cometido.

A base vem forte

Apesar dos problemas de fluxo e da sensação de estarmos em um cenário genérico, Morbid Metal é um título que merece atenção. O combate é, sem dúvida, o ponto alto e entrega uma gameplay fluida que muitos indies do gênero falham em alcançar.

Acredito que vale a pena ficar de olho no desenvolvimento. O combate é bastante promissor e os pontos que hoje parecem desinteressantes — como o ritmo quebrado pela central — podem ser facilmente ajustados durante o período de Acesso Antecipado.

Mesmo que a sensação de "já vi isso antes" persista na narrativa, essa percepção está muito ligada ao fluxo atual do jogo. Pequenos ajustes na transição entre as fases e a adição de novos biomas e personagens podem dar ao título a musculatura necessária para se destacar no mercado. Para quem busca um hack and slash técnico e com uma performance de trocas impecável, a base de Morbid Metal já é extremamente sólida.

Revisão: Thomaz Farias
Texto de impressões produzido com chave cedida pela Ubisoft
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Windsor Santos
Jogadorino desde os áureos anos 90, geralmente surpreende amigos com a quantidade de títulos que já finalizou. Divide o amor por games com seus mangás, Hq's e filhotes. Agora seu objetivo é registar seus conhecimentos para as novas gerações de jogadores.
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