Impressões: Parasite Mutant mostra potencial como sucessor espiritual de um clássico da Square

Combinando elementos de RPG e terror, o título busca resgatar a essência de Parasite Eve.

em 17/04/2026
Em 1998, a Square, então conhecida como SquareSoft, lançava Parasite Eve para o primeiro PlayStation. Desenvolvido por profissionais que futuramente marcariam história em diversos projetos importantes da própria empresa, o título trouxe uma proposta incomum para o período, misturando elementos de RPG com terror e ficção científica.

Além de uma sequência lançada no ano seguinte para o mesmo console da Sony, a franquia ainda recebeu um novo capítulo com The 3rd Birthday, lançado para o PlayStation Portable em 2010. Desde então, a série não voltou a ser explorada pela empresa. No entanto, alguns projetos independentes têm buscado resgatar essa proposta, sendo Parasite Mutant, que tem lançamento previsto para 2026, um dos exemplos mais notáveis.

Um começo misterioso, mas ainda pouco impactante

Em Parasite Mutant, acompanhamos a história de Nova, uma jovem agente com habilidades psíquicas enviada para investigar uma cidade isolada após um misterioso incidente. Ao chegar ao local, ela se depara com diversas criaturas mutantes e rapidamente passa a questionar se a missão será realmente tão simples quanto lhe fizeram acreditar.

Diferentemente da obra em que se inspira, cuja introdução apresentava um conceito e um desastre capazes de criar grande entusiasmo sobre aquele universo, o início de Parasite Mutant é bastante vago e não desperta o mesmo nível de expectativa. Ainda assim, ao final da demo, é revelada uma particularidade sobre Nova que gera curiosidade para entender que rumos a trama poderá tomar.

Assim como em muitos jogos de terror, encontramos diversos documentos espalhados pelos cenários, responsáveis por apresentar personagens e relatar os incidentes ocorridos no local. O problema, ao menos nesta versão demonstrativa, é que os textos não conseguem transmitir muita humanidade aos envolvidos.

Em vários momentos, a impressão que fica é a de que todas as pessoas se comunicam da mesma forma, de uma maneira excessivamente artificial. Essa fragilidade acaba prejudicando a imersão e deixa claro que uma única mente está por trás da criação de todos esses registros. Por outro lado, vale destacar, positivamente, que Parasite Mutant contará com legendas em português.


Exploração nos moldes da obra que a inspira

No que diz respeito à jogabilidade, Parasite Mutant traz uma estrutura de exploração bastante similar à de Parasite Eve, com ambientes apresentados por meio de uma câmera posicionada em ângulos semifixos, que em alguns momentos acompanha a protagonista.

Para auxiliar na navegação, contamos com um mapa que pode ser acessado a qualquer momento. Além de marcar em vermelho as áreas que ainda guardam algum segredo, os locais com eventos, documentos e itens coletáveis também são diretamente sinalizados, o que acaba facilitando bastante a orientação, especialmente considerando o alto grau de backtracking presente na experiência.

Durante a demo de Parasite Mutant, temos acesso a uma região explorável que, segundo o desenvolvedor, representa apenas cerca de 5% do conteúdo total. Nesse trecho, já é possível notar que o jogo apostará bastante em puzzles, muitos dos quais envolvem a revisita a áreas já exploradas para desbloquear novos caminhos antes inacessíveis, uma estrutura bastante comum em obras de terror.

Um quebra-cabeça interessante presente na demonstração envolve utilizar o reconhecimento facial de um corpo morto para desbloquear um celular, com Nova usando seus poderes para aumentar a temperatura corporal do cadáver durante o processo. Antes de chegar a essa solução, no entanto, há diversos passos a serem executados, incluindo descobrir uma senha para abrir o armário onde o aparelho está guardado.

No quesito exploração, Parasite Mutant parece ter uma base sólida, e a demo empolga pelo que foi apresentado até aqui. Nesse sentido, os cenários passam a sensação de que a vida no local foi interrompida abruptamente, como se algo muito grave tivesse acontecido de maneira repentina, reforçando a atmosfera de mistério e tensão que a obra busca construir.

Batalhas dinâmicas

No combate, Parasite Mutant também demonstra inspiração clara em Parasite Eve, trazendo batalhas em tempo real com nuances de RPGs por turnos. Assim como no clássico que o influenciou, os confrontos se desenrolam no próprio ambiente explorado, surgindo de forma repentina durante a navegação em pontos específicos do mapa.

Durante as batalhas, Nova pode se movimentar livremente dentro de uma área delimitada. Essa mobilidade não é apenas um detalhe estético, como em alguns jogos similares, mas um elemento essencial para a sobrevivência, já que podemos mapear os padrões de ataque dos oponentes para desviar de seus golpes e escolher o momento certo para agir.

O jogo adota um sistema denominado Active Time Chains, que funciona de maneira similar ao Active Time Battle de Final Fantasy. Com ele, é necessário aguardar o preenchimento de uma barra específica para então poder atacar, usar habilidades ou itens. O diferencial é que o jogador pode acumular mais de uma barra, o que lhe permite desencadear múltiplas ações em sequência.

Assim como Aya Brea, protagonista de Parasite Eve, Nova utiliza diferentes armas de fogo, característica que faz com que o jogador precise coletar e gerenciar munições com cuidado. No entanto, Parasite Mutant parece dar um foco maior aos golpes físicos, já que a personagem principal também dispõe de uma pequena espada.

Além da tradicional melhoria de atributos por meio do aumento de níveis, também é possível fortalecer a heroína com itens específicos de aumento de status, o que incentiva a exploração minuciosa dos cenários. Armas e coletes de proteção também podem ser encontrados e aprimorados.

De forma geral, o sistema de combate de Parasite Mutant se mostra promissor e interessante, conseguindo trazer um grau de dinamicidade similar ao da obra da Square. Além disso, mesmo com a curta duração da demo, já é possível perceber uma preocupação em apresentar inimigos com padrões de ataque variados (mesmo que alguns deles tenham visual bastante familiar), algo que pode se intensificar ainda mais na versão final do jogo.

Vale destacar que, ao término da demonstração, é desbloqueado um sistema de troca de trajes para a protagonista. Alguns desses visuais funcionam como referências diretas a Aya Brea, servindo como um agrado especial aos fãs do clássico.

Primeiras impressões animadoras, ainda que com espaço para refinamento

Parasite Mutant se apresenta como um projeto bastante promissor, especialmente para aqueles que sentem falta de uma experiência similar à de Parasite Eve. A exploração minuciosa é constantemente incentivada, os puzzles são consideravelmente criativos e o sistema de combate é divertido e dinâmico.

Embora a narrativa inicial ainda não possua muito impacto e muitos dos textos careçam de mais humanidade, a base demonstrada na demo indica que o título possui potencial. Resta agora torcer para que a obra consiga sustentar um nível de qualidade digno de um verdadeiro sucessor espiritual do clássico que a inspirou.

Revisão: Heloísa D'Assumpção Ballaminut
Texto de impressões produzido com demonstração gratuita disponível no Steam
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Lucas Oliveira
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