Quando falamos em jogos de terror, a grande maioria das pessoas pensa em títulos que abusam de violência gráfica ou dos famosos jumpscares para tornar a experiência assustadora. São poucos os que realmente se propõem a entregar algo que leve em conta a atmosfera e a narrativa para gerar a tensão que nos deixa genuinamente assustados com a história diante de nós.
É o caso de The Occultist. No papel de um investigador paranormal, somos levados a uma ilha remota com o objetivo de descobrir o paradeiro do pai desaparecido do protagonista. Entretanto, segredos que não deveriam ter sido revelados vêm à tona e transformam sua busca por respostas em uma jornada pela própria sobrevivência, mas sem abrir mão de alguns sustos pelo caminho.
Em busca de respostas
Alan Rebels é um investigador paranormal que usa seu conhecimento das artes ocultas para resolver os mistérios mais desafiadores. Um de seus casos o levou à remota ilha de Godstone, onde seu pai, Gabriel Rebels, nasceu e viveu seus primeiros anos de vida.
Com o desaparecimento repentino de Gabriel, Alan parte para a ilha em busca de respostas sobre seu paradeiro. Além do vasto conhecimento ocultista, ele tem à sua disposição um poderoso artefato: um pêndulo em forma de crânio de corvo com um cristal. É por meio desse instrumento que Alan consegue interagir com o sobrenatural e enxergar o que nenhum ser humano comum jamais poderia.
Sua chegada a Godstone, no entanto, começa a revelar segredos que deveriam permanecer ocultos. Na década de 1950, a ilha foi vitimada por um estranho fenômeno que dizimou seus habitantes, e as almas dos que morreram continuam vagando pelo local, presas por um ódio que as impede de partir.
Cabe a Alan desvendar esse macabro mistério que, de alguma forma, pode estar relacionado ao paradeiro de seu pai. Com conhecimento e coragem, o Ocultista embarca em uma jornada onde qualquer pista pode ser a chave para esclarecer tudo o que aconteceu em Godstone.
Detetive sobrenatural
The Occultist é um jogo de aventura em primeira pessoa no qual assumimos o papel de Alan Rebels em sua investigação em Godstone, à procura do pai desaparecido. O principal instrumento durante a aventura é o pêndulo místico, ferramenta fundamental para guiar Alan em sua jornada.
Por meio dele, Alan pode enxergar coisas que o olho humano é incapaz de perceber. Sua habilidade central é a de vislumbrar o passado, revelar objetos removidos ou destruídos e, por vezes, materializar itens essenciais para o avanço da investigação.
No decorrer da jornada, Alan aprende a manifestar novas habilidades com o pêndulo, como reverter o tempo ou invocar um corvo espectral. Essas técnicas, combinadas com o conhecimento do Ocultista, fundamentam a principal dinâmica do jogo: resolver enigmas ligados à investigação.
A exploração de Godstone leva o jogador a diversas localidades, cada uma revelando peças do elaborado quebra-cabeça sobre o destino fatídico dos habitantes da ilha. Ao longo do caminho, Alan cruza com entidades fantasmagóricas e criaturas originadas dos antigos moradores do lugar.
Outra ferramenta importante é o diário de Alan. Por meio dele, o jogador acessa duas seções de informações: anotações sobre a investigação e lembretes das pistas encontradas, úteis para a resolução dos enigmas espalhados pelo caminho.
A dinâmica central do jogo consiste em coletar objetos e usá-los para solucionar os desafios presentes em cada área explorada. Paralelamente, Alan precisa se manter atento às entidades sobrenaturais que ameaçam sua vida, como fantasmas e outras criaturas. O jogo também reserva pequenos eventos de susto para reforçar que Godstone é tudo, menos um lugar seguro.
Suspense e horror bem dosados
Algo que costuma me afastar de jogos de horror é justamente o abuso de sustos que muitos desses títulos empregam. Enquanto grande parte apela para uma ambientação que nos deixa incomodados com ruídos perturbadores ou com o medo de algo surgir de repente na próxima curva, The Occultist segue um caminho diferente.
A DALOAR optou por construir uma atmosfera assustadora em doses mais equilibradas, recorrendo a diversos elementos para manter o tom de suspense adequado à proposta do jogo. Os ambientes são, em geral, locais que evocam desconforto pela situação em si, e não por serem visualmente aterrorizantes.
Percorrer uma ilha onde todos morreram por motivos ainda desconhecidos, tendo que lidar com almas que não conseguem descansar, pode parecer algo clichê. No entanto, dentro do contexto proposto pelo jogo, tudo faz bastante sentido. O que começa como a busca pelo paradeiro de um homem logo se transforma em um mistério de proporções muito maiores, e o desejo de descobrir o que ocorreu vai se tornando uma necessidade.
Apesar das poucas horas de duração — concluí o jogo em menos de seis —, a narrativa sob o ponto de vista de Alan foi uma experiência gratificante, que foi ganhando camadas que eu não esperava. Me vi imerso em um ciclo envolvente de gameplay e narrativa que me conduziu até uma conclusão surpreendente.
O diferencial está nos detalhes
A experiência é levemente aprimorada no PlayStation 5 graças aos recursos do DualSense. Ao nos aproximarmos de um ponto de ressonância com o pêndulo místico, o controle vibra e sua iluminação acompanha a reação do instrumento, intensificando a percepção do ambiente.
Na parte sonora, os monólogos constantes de Alan para nos guiar durante a jornada foram uma boa solução para reforçar a imersão. Vale recomendar o uso de fones para tornar a experiência ainda mais completa.
Ainda no PlayStation 5, a Unreal Engine 5 cobra seu preço com uma performance irregular. Embora a parte artística mereça elogios com cenários detalhados que ajudam a contar a história, o console enfrenta momentos de instabilidade na taxa de quadros devido à alta exigência gráfica, principalmente em áreas mais abertas. A título de registro, o sistema usado foi um PS5 padrão, não o PRO.
Apesar desse detalhe de ordem técnica, a experiência não fica comprometida, já que a ação não é o ponto central do jogo. Desvendar os segredos ocultos de Godstone enquanto eu solucionava quebra-cabeças variados e criativos foi uma experiência gratificante, que deve agradar os fãs do gênero que apreciam uma narrativa bem executada aliada a uma jogabilidade com bom nível de desafio.
The Occultist é uma prova de que o terror não precisa apelar para gritos e gore para assustar. A DALOAR entregou uma experiência que aposta na atmosfera, na narrativa e em uma jogabilidade inteligente para conduzir o jogador por uma jornada que prende tanto pela curiosidade quanto pelo mistério que envolve Godstone e seus habitantes.
Alan Rebels é um protagonista carismático, e seu pêndulo místico se revela uma mecânica criativa que vai muito além de um simples acessório narrativo. Os quebra-cabeças são inteligentes e bem integrados ao ambiente, a história surpreende e a ilha tem identidade suficiente para se tornar um cenário minimamente memorável.
As instabilidades de desempenho no PlayStation 5 são um tropeço que, felizmente, não compromete o conjunto da obra. Para quem aprecia jogos que tratam o horror com inteligência e elegância, The Occultist é uma recomendação certeira de uma pequena grande aventura que vale cada minuto de sua duração.
Prós
- Atmosfera que aposta no suspense em vez de sustos fáceis;
- Narrativa bem construída, com camadas que surpreendem ao longo da jornada;
- Mecânica do pêndulo místico criativa e bem integrada à investigação;
- Quebra-cabeças variados e inteligentes;
- Cenários detalhados que contribuem para a construção da história;
- Integração bem executada com os recursos do DualSense;
- Trilha sonora e monólogos de Alan reforçam a imersão.
Contras
- Instabilidade na taxa de quadros no PlayStation 5, especialmente em áreas abertas;
- Duração curta, podendo ser finalizado em seis horas, em média.
The Occultist — PC/PS5/XSX — Nota: 7.5Versão utilizada para análise: PlayStation 5
Revisão: Heloísa D'Assumpção Ballaminut
Análise produzida com cópia digital cedida pela Daedalic Entertainment












