Análise: Skull Horde te coloca no comando de uma horda de mortos vivos em busca de vingança

Gerencie uma tropa de guerreiros esqueléticos em um roguelike de ação intenso e estratégico.

em 10/04/2026

Skull Horde
é um roguelike de ação e sobrevivência que coloca o jogador na pele — nos ossos, mais precisamente — de um crânio necromante movido por vingança. Você será capaz de liderar uma tropa de guerreiros esqueléticos para alcançar seu objetivo? Para responder a essa pergunta, confira nossa análise.

Toda carne perecerá

Skull Horde tem uma premissa macabra e curiosa. Um homem, prestes a realizar sua ascensão, é traído e morto pelo próprio corpo. Após ser decapitado e ter sua cabeça enterrada pelo restante de seu corpo, o crânio retorna à vida, sedento por vingança e com a habilidade de invocar soldados esqueléticos para servir à sua vontade.


Com o objetivo de liquidar a própria carne que o traiu, o necromante parte em uma jornada até um local sagrado, onde seu corpo pútrido e corrompido pretende realizar o ritual de ascensão. O caminho não será fácil, pois é guardado por abominações de carne criadas justamente para impedir seu avanço — e frustrar sua tão desejada vingança.

Liderando os mortos

Em Skull Horde, o jogador assume o papel do crânio necromante e tem como objetivo concluir uma série de etapas em diferentes masmorras, enfrentando monstros de carne e evoluindo suas tropas de mortos-vivos para completar cada fase.

A jogabilidade principal se dá por meio do recrutamento de unidades, que atuam de forma automática e independente. Cabe ao jogador percorrer a masmorra em busca de equipamentos para melhorar seu esquadrão, adquirir habilidades e novas unidades, e encontrar a saída — tudo isso enquanto é escoltado por seus lacaios.


O necromante pode dar comandos simples a eles, como reuni-los ou ativar uma ação especial que conceda alguma vantagem, como bônus de ataque, velocidade ou vida. No entanto, não é possível controlá-los diretamente, como em um jogo de estratégia. O crânio também pode atacar, geralmente à distância, mas o ideal é deixar que seus lacaios façam o trabalho sujo.

A vida dos soldados está diretamente ligada à do crânio. Quando uma unidade é abatida, ela entra em uma fila de renascimento e precisa aguardar alguns segundos para retornar à batalha. Se o crânio sofre dano direto, a vida perdida é distribuída igualmente entre as unidades. Caso toda a vida se esgote, o jogador perde uma vida e todas as unidades mortas retornam imediatamente ao combate. Ao perder todas as vidas — geralmente três —, o jogador é derrotado.


Durante a partida, a cada etapa concluída, o necromante pode recrutar mais unidades usando Ducados, a moeda do jogo. É possível ter até seis classes diferentes, cada uma composta por até três unidades. Ou seja, o jogador pode ter até 18 lacaios à sua disposição durante a partida.

Uma mecânica interessante está na forma como o jogador administra o recrutamento dessas unidades. Na fase de compra, ao adquirir várias unidades do mesmo nível, elas evoluem para uma versão mais poderosa. São três categorias: plebeu, veterano e campeão. No nível máximo, a unidade geralmente ganha uma habilidade extra e libera um selo de juramento de acordo com sua classe. Quando três selos são ativados, um bônus significativo é concedido a todas as unidades dessa mesma classe.

A exploração das masmorras também conta com eventos que complicam a vida do jogador. Por padrão, uma ampulheta no canto superior direito da tela marca 30 segundos. Sempre que o tempo se esgota, o nível da masmorra aumenta e os inimigos passam a ter mais vida, causar mais dano e aparecer em maior quantidade. Esse parâmetro pode ser ajustado no menu de opções para tornar o jogo mais acessível ou mais desafiador.


O que isso significa na prática? Basicamente, que o tempo investido na masmorra é crucial. É possível gastar alguns segundos a mais em busca de baús e itens para fortalecer a tropa, mas vale avaliar se a demora realmente compensa.

Há eventos na masmorra que podem reverter esse efeito, mas como grande parte do que acontece depende de sorte, o jogador precisa avaliar constantemente sua situação: vale a pena avançar direto até o chefe ou explorar mais os corredores em busca de melhorias, isso torcendo para que elas sejam realmente úteis?

Unindo roguelike com estratégia

Skull Horde quebra um pouco da rotina dos roguelikes de sobrevivência atuais ao trazer uma camada de estratégia que cria uma identidade própria e renova o estilo do gênero. Em vez de se fortalecer de forma desenfreada para chegar ao chefe, o jogador precisa tomar decisões acertadas para não comprometer sua run.

Os elementos de roguelike se manifestam no desbloqueio progressivo de novas unidades, equipamentos e masmorras conforme o jogador avança na aventura. Melhorias permanentes, novos crânios para liderar as tropas, cada um com habilidades especiais únicas, além de dezenas de unidades para conhecer e montar o time dos sonhos — dos pesadelos, neste caso.


O jogo inicialmente aparenta ser de um jeito, mas na prática é diferente. Comecei jogando como em qualquer outro roguelike, deixando minhas unidades atacarem livremente, e aprendi da pior forma que essa não era a abordagem correta.

Ao rever estratégias e formas de jogar, consegui avançar de maneira mais orgânica e entender que há momentos para avançar com tudo e momentos para recuar. Situações em que é preciso ser mais ágil por conta da pressão da ampulheta, e outras em que já é possível se dar ao luxo de fazer uma limpa no andar.

Há ainda eventos que, apesar de disponíveis e não obrigatórios, devem ser avaliados se forem prejudiciais mais do que benéficos. São camadas adicionais de decisão, além dos aspectos de ação e estratégia, que envolvem saber como organizar e liderar as tropas para avançar no jogo. Um tempo bem investido em um título que ainda tem muito a oferecer em termos de conteúdo a desbloquear e desafios a superar.



Usando a cabeça, literalmente

Skull Horde é um produto único dentro de um gênero saturado. Ao combinar a imprevisibilidade dos roguelikes com uma camada estratégica genuína, o jogo consegue se destacar sem abrir mão da acessibilidade, dando a qualquer jogador a capacidade de entrar e entender sua proposta, mas dominá-la é outro desafio.

Sua camada estratégica e identidade própria o diferenciam positivamente, e a progressão bem estruturada garante motivação para continuar jogando. No entanto, a curva de aprendizado pouco intuitiva e a dependência de sorte impedem que a experiência seja consistentemente satisfatória.

É uma recomendação clara para fãs de roguelikes que buscam algo além da ação frenética, mas pode afastar jogadores menos pacientes pela complexidade estratégica que exige para se obter progresso real dentro desta experiência com tom macabro.

Prós

  • Identidade própria dentro do gênero;
  • Progressão bem estruturada, com níveis bem definidos e progresso aparente;
  • Profundidade que se revela aos poucos, principalmente na jogabilidade;
  • Rejogabilidade elevada, com muito conteúdo para desbloquear;
  • Dificuldade ajustável, indo do acessível ao extremamente desafiador.

Contras

  • Curva de aprendizado pouco intuitiva, por trazer camadas além dos roguelikes de ação já conhecidos;
  • Dependência de sorte para criar builds poderosas;
  • A pressão causada pela ampulheta afeta a tomada de decisões constantemente.
Skull Horde — PC — Nota: 7.5
Revisão: Beatriz Castro
Análise produzida com cópia digital cedida pela 8BitSkull
OpenCritic
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Alexandre Galvão
Produtor do BlastCast. Entusiasta da era 16-bit, fã declarado do PS2 e apreciador de jogos de cartas e de tabuleiro. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Também conhecido como @XelaoHerege
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