Análise: Regions of Ruins: Runegate traz ação sangrenta em um mundo em reconstrução

O título aproveita as boas ideias de ação e exploração para criar uma experiência interessante, mas tropeça no balanceamento do seu combate.

em 16/04/2026

Desenvolvido pela Gameclaw Studio e publicado pela Raw Fury, Regions of Ruins: Runegate é um RPG de ação que combina um combate intenso e estratégico com gerenciamento de recursos e construção de bases. O título nos coloca como o responsável por reerguer o clã dos anões, que foi quase dizimado após inúmeras guerras. A mescla de gêneros se mostrou bem interessante, dando um ritmo agradável entre os combates e a coleta de recursos, mas a experiência acaba sendo um pouco comprometida por conta da alta dificuldade.

A última esperança

Durante muitos anos, os anões enfrentaram diversas guerras e resistiram às maiores tragédias que o mundo já viu. Mesmo lutando bravamente, os números de sobreviventes desse povo ficavam cada vez menores com o passar das gerações e, assim como sua população, as memórias dos anões se tornaram apenas contos passados através dos séculos.

Quando a situação parecia estar se estabilizando, um santuário foi erguido para celebrar a história da raça. No entanto, os anões foram pegos quando estavam com a guarda baixa, em um novo ataque de goblins que destruiu mais uma vez o sonho dessa reconstrução. Agora, restam pouquíssimos sobreviventes escondidos em uma floresta, apenas esperando o tempo passar.




Nós assumimos o controle de um desses anões, o qual podemos personalizar com nome, cabelo, barba e gênero, e somos o último dos guerreiros, a única classe que ainda domina estratégias de combate. Após mais um ataque surpresa dos goblins na floresta, o restante do grupo foge até encontrar ruínas com um portal mágico. Ele leva os sobreviventes para um local oculto e com estruturas destruídas chamado Bastilha do Fendarrio.

Neste novo refúgio, o grupo decide que esta é a última chance de restabelecer a raça, reconstruindo o local e povoando novamente o clã. O portal também é capaz de nos levar a outras regiões para a exploração e coleta de recursos essenciais, como alimentos, madeira e pedras. Além disso, essas incursões permitem recrutar novos anões para o esconderijo, sendo nossa missão liderar esses esforços e trazer o clã de volta aos seus dias de glória.



A reconstrução da sociedade de anões

Um dos pilares de Regions of Ruin é a expansão da Bastilha através dos recursos coletados em nossas incursões. O gerenciamento da base segue um padrão funcional, pois mais do que apenas reconstruir estruturas, as reformas desbloqueiam ambientes estratégicos para a aventura. A Sala de Treinamento, por exemplo, permite redistribuir pontos de habilidade, enquanto o Ferreiro é essencial para reparar armaduras danificadas.

Além de coletarmos materiais manualmente, o jogo permite gerenciar os anões para que possam realizar tarefas. Uma vez que recrutamos novos integrantes, podemos enviá-los para coletar recursos em locais específicos do mapa até que a área toda tenha sido coberta. Esse ciclo incentiva a exploração de zonas não obrigatórias, já que a evolução das estruturas e do personagem é fundamental para enfrentarmos inimigos mais fortes em áreas avançadas.




O mundo semiaberto é dividido em pontos de interesse espalhados por diferentes biomas, apresentados em uma pixel art 2D muito detalhada. A mecânica de exploração é direta: gastamos alimento para desbloquear novas áreas do mapa e liberar pontos de viagem rápida. Essa facilidade de deslocamento é somada à possibilidade de retornar à base instantaneamente caso o combate esteja muito difícil, ditando um ritmo de jogo agradável e sem aquele senso estressante de urgência.

Embora a campanha principal não seja longa, o foco acaba ficando no conteúdo opcional. A progressão se torna recompensadora por conta do que encontramos pelo caminho, seja por meio dos documentos que expandem a história, novas armas ou peças de armadura para personalizar o anão. No fim, a expansão da base deixa de ser uma tarefa maçante para se tornar umas das principais mecânicas do título.



Combate sangrento e desbalanceado

A maior parte das ações nos pontos de interesse envolvem o combate contra goblins em acampamentos ou cavernas, muitas vezes com o objetivo adicional de resgatar anões sequestrados. O sistema de combate é variado e oferece boas opções de armamentos, como espadas, lanças, balestras e facas, o que permite diferentes abordagens, incluindo furtividade. O sistema de raridade dos itens combinado à uma árvore de habilidades dividida em blocos de diferentes características reforçam a personalização e o senso de progressão do nosso anão.

Embora seja estratégico e exija o domínio de ataque, além de defesa com escudo e esquiva, o jogo apresenta um pico de dificuldade punitivo, mesmo na configuração padrão. A curva de aprendizado é acentuada e qualquer tipo de erro é muito punitivo, o que torna as primeiras horas de jogo trabalhosas até que se consiga equipamentos melhores e adaptação aos comandos. Existe um Modo História mais acessível, o que é positivo para a inclusão de jogadores, mas o abismo de dificuldade entre esse modo e o padrão cria um gap que pode não atender nem aos jogadores casuais e nem aos que procuram uma ação mais descompromissada.




Outro ponto que prejudica a experiência é a falta de clareza visual durante os confrontos. Os inimigos possuem pouco contraste com o fundo, camuflando-se facilmente em meio à vegetação e as pedras, o que dificulta a leitura da ação quando há múltiplos oponentes na tela. Somado a isso, o alto detalhamento dos cenários em diferentes planos por vezes atrapalha o combate, quando em cavernas ou florestas, elementos do primeiro plano (como troncos e pedras) chegam a tapar completamente a nossa visão do cenário.

Esse loop de gameplay se repete constantemente, mas ele não se torna desinteressante. Mesmo com os pequenos problemas apresentados, a campanha do jogo consegue equilibrar bem suas mecânicas, além de expandi-las com novas opções para sua base, companheiros de combate e áreas de exploração, que são curtas e divertidas, principalmente para quem gosta de desafios.



Um ciclo de reconstrução gratificante

Regions of Ruin: Runegate entrega uma proposta sólida ao unir o combate estratégico com a satisfação de ver uma base crescer. O jogo se destaca pela liberdade que dá ao jogador para explorar no seu próprio ritmo e pela profundidade da árvore de habilidades, que permite uma personalização interessante do protagonista. Por outro lado, ele exige paciência para superar as falhas técnicas e de design no combate, que acabam atrapalhando em muitos momentos. No saldo geral, é um RPG competente que recompensa o esforço de quem decide dominar suas mecânicas.

Prós

  • A mistura de gêneros é bem executada e viciante;
  • Direção de arte em pixel art 2D muito detalhada e expressiva;
  • Sistema de progressão e árvore de habilidades com boas opções de personalização;
  • Mecânicas de exploração e viagem rápida facilitam o fluxo do jogo.

Contras

  • Problemas de clareza visual e obstáculos de cenário que atrapalham o combate;
  • Balanceamento de dificuldade punitivo, mesmo no modo padrão;
  • Inimigos com pouco contraste em relação aos cenários.
Regions of Ruins: Runegate — PC — Nota: 8.0
Revisão: Juliana Piombo dos Santos
Análise feita com cópia digital cedida pela Raw Fury

OpenCritic
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Gustavo Souza
é geólogo, entusiasta de tecnologias e apenas mais um mineiro que não vive sem café e pão de queijo. Está sempre com um console portátil na mão e gosta de passar o tempo jogando uma partida de FIFA, cuidando de uma pequena fazenda e dirigindo seu caminhão pelas estradas europeias.
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