Análise: MotionRec — uma boa gravação pode te levar longe

Refaça seus passos e repita quantas vezes precisar para alcançar plataformas e superar obstáculos.

em 23/04/2026
O que você faria se pudesse rebobinar seus melhores passos e usá-los no futuro? Essa é a proposta de MotionRec, que chegou ao PS5 e ao Switch após ser lançado no PC ano passado. Um puzzle de plataforma simples e direto ao ponto, com muito mais desafios do que aparenta.

Poderia repetir, por favor?

Em MotionRec, não há uma história para seguir, mas fica bem claro o que está acontecendo: nosso pequeno robô precisa escapar de vários espaços que misturam natureza e escombros, como uma usina, florestas, fábricas e outros tipos de construção. Pelo caminho, ele deve coletar notas musicais, que devem ser apresentadas a um computador central para que ele possa prosseguir.

Como comandos, podemos apenas saltar e correr. Parece pouco, mas para superar os obstáculos do caminho, contamos com a habilidade de gravar uma sequência de movimentos e depois reproduzi-la de maneira automática. Por exemplo, se uma plataforma está muito distante, basta encontrar no cenário um trecho em que seja possível simular como seria o caminho para chegar nela, fazer a gravação da sequência que desejamos e depois dar o “play” quando estivermos mais próximos.

A mecânica simples funciona muito bem, pois, independentemente do tamanho do trecho, a resposta sempre estará na nossa cara. Assim, cada solução depende da criatividade do jogador. Basta ele entender como usar cada parte do cenário ao seu favor. É uma maneira inteligente de usar o level design em conjunto com a principal característica do jogo.

A dificuldade vai aumentando gradativamente com a inclusão de alguns elementos, como plataformas móveis, portais, chaves, blocos de vidro e até autômatos perseguidores. E as tais notas musicais nem sempre estão em salas visíveis ou no caminho mais fácil, então, às vezes, vale a pena avançar, usar o layout da sala seguinte e voltar para pegá-la.

Tudo se desenrola de maneira bem intuitiva, com uma curva de aprendizagem bastante generosa. Mesmo na base de tentativa e erro, é nítido que a evolução do nível de dificuldade também é acompanhada pelo aumento de percepção de quem está no controle, que já começa a reconhecer alguns padrões para progredir pelas fases.

A única coisa que poderia ser melhorada é a opção de revisitar um ponto já jogado. Se passamos alguma das notas, temos que rejogar um capítulo inteiro até encontrá-la, em vez de ir direto para a sala específica. Não que isso seja um grande problema, mas ajudaria a economizar um certo tempo, principalmente quando perdemos algum colecionável no final de um capítulo mais longo.

O charme monocromático

O fato de se apresentar inteiramente em preto e branco traz uma composição visual para MotionRec que combina com a estética baseada em computadores dos anos 70/80 e fitas cassete. As únicas cores utilizadas são o vermelho, para mostrar o momento em que os movimentos estão sendo gravados — remetendo ao sinal de “recording/gravando” dos equipamentos antigos —, e o verde, para simbolizar o momento em que damos o play no que está memorizado.

Há quem possa estranhar a presença sonora mais branda, mas, particularmente, achei que combinou bem com a proposta. Inclusive, o total silêncio em alguns momentos se encaixa perfeitamente com o que está ocorrendo na tela, como a transição de um capítulo para outro, o que até confere uma certa dramaticidade, mesmo sem diálogos.

Por fim, de maneira até que surpreendente, os elementos narrativos existem, mesmo que de maneira mais sugestiva, deixando as interpretações à cargo dos jogadores. Quem conseguir alcançar o final verdadeiro vai ter uma boa surpresa com o desfecho de MotionRec.

Essa fita merece ser tocada novamente

MotionRec traz um desafio inteligente, que se apoia principalmente na criatividade do jogador por meio de uma mecânica simples. É o jogo ideal para quem gosta de puzzles e plataformas, com um toque de carisma retrô.

Prós

  • A mecânica de gravar seus passos é simples e explora bem a criatividade do jogador;
  • O level design é inteligente e com uma curva de aprendizado bastante justa;
  • O visual monocromático traz um charme único para os elementos do cenário.

Contras

  • É necessário rejogar o capítulo inteiro para recuperar algum colecionável que ficou para trás.
MotionRec — PC/PS5/Switch — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Heloísa D'Assumpção Ballaminut
Análise feita com cópia digital cedida pela PLAYISM
OpenCritic
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Carlos França Jr.
é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no @carlos_duskman
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