Análise: MARVEL MaXimum Collection é um compilado histórico com tesouros e títulos controversos

Do cultuado X-Men ao punitivo Silver Surfer, os principais títulos beat ‘em ups da produtora estão aqui, mas sem dar o devido carinho à sua história.

em 08/04/2026
Seja nos arcades ou nos consoles, super-heróis e beat ‘em ups sempre foram um casamento perfeito em jogos de ação para mais de um participante. A Marvel que o diga, pois X-Men, Vingadores e o Homem-Aranha figuram em umas boas dezenas de fliperamas e cartuchos.

Para resgatar algumas dessas lendas, a Konami e a Limited Run trouxeram, em MARVEL MaXimum Collection, algumas pérolas do início dos anos 90, que colocavam os nomes mais notáveis da Casa das Ideias em jogos que levaram muitas pessoas a gastar uma boa quantia em dinheiro — seja com fichas ou com diárias na locadora.

Do famoso ao infame, apenas clássicos

Títulos de ação da Marvel não faltam, então dificilmente daria para colocar todos em um compilado só, até porque isso também envolveria muitas licenças de estúdios e publishers que nem existem mais. E vale lembrar que, se você estiver atrás dos jogos de luta especificamente, a Capcom já resolveu isso com MARVEL vs. CAPCOM Fighting Collection Arcade Classics.

Foram selecionados seis jogos, alguns deles com diferentes versões, totalizando 13 ROMs. São os seguintes:

Silver Surfer (1990) – NES: a jornada do arauto de Galactus ficou famosa pela sua dificuldade elevada, mesmo para os padrões da geração 8-bit. Controlamos o Surfista Prateado em seu voo, no qual ele só conta com o lançamento de esferas metálicas para destruir os inimigos. As fases se alternam com visão lateral e aérea, mas a grande dificuldade está em distinguir o que é obstáculo do cenário ou não, visto que esbarrar no que está pelo caminho também drena a barra de vida.

Captain America and the Avengers (1991) – Arcade, Mega Drive/Genesis e NES: nas versões de Arcade e MD, podemos escolher entre Capitão América, Gavião Arqueiro, Visão e Homem de Ferro em um clássico beat ‘em up, no qual temos que derrotar o Caveira Vermelha, que ganhou o auxílio de outros vilões, como Garra Sônica, Ossos Cruzados e Ultron. Já na versão de NES, controlamos apenas Capitão América ou Gavião Arqueiro, podendo revezar entre os dois em cenários mais voltados para um plataforma de ação. A versão para Arcade suporta até quatro jogadores de maneira local.

Spider-Man and the X-Men in Arcade's Revenge (1992) – SNES, Mega Drive, Game Gear e Game Boy:
um título no qual as quatro versões trazem o mesmo ritmo e composição de fases, mesmo com as diferenças significativas entre os hardwares de cada console. O vilão Arcade prendeu Homem-Aranha, Gambit, Tempestade, Wolverine e Ciclope em uma simulação baseada em suas habilidades e fraquezas. Agora, cabe ao grupo superar os desafios, um de cada vez, para derrotá-lo.

X-Men (1993) – Arcade: provavelmente o título mais chamativo da coletânea, por ser o único que nunca teve uma versão doméstica. Neste beat ‘em up, os X-Men devem combater Magneto e a Irmandade de Mutantes, que capturou o Professor Xavier. Podemos escolher entre Ciclope, Wolverine, Colossus, Tempestade, Noturno (Nightcrawler) e Cristal (Dazzler), e é o único que tem a opção de multiplayer online para até seis participantes.

Spider-Man and Venom: Maximum Carnage (1994) – SNES e Mega Drive:
com a possibilidade de alternar entre Homem-Aranha e Venom em alguns momentos, Maximum Carnage obrigou os antigos rivais a juntarem suas forças contra Carnificina e mais alguns inimigos. É possível contar com a assistência de alguns heróis, como Manto, Adaga, Capitão América e Punho de Ferro.

Venom/Spider-Man: Separation Anxiety (1995) – SNES e Mega Drive: a continuação de Maximum Carnage também oferece a possibilidade de alternar entre Spidey e Venom, mas agora também é possível utilizar os dois ao mesmo tempo, com uma dupla de jogadores. Carnificina volta a ser o inimigo principal, junto de outras criaturas criadas a partir dos simbiontes que criaram Venom.

Com exceção dos jogos arcade, todos os demais contam com trapaças — como vidas infinitas, poderes máximos e continuações infinitas —, e o recurso de rebobinar está disponível para uso irrestrito. Pode parecer até que isso “fere” a essência clássica destes títulos, mas convenhamos que isso torna alguns deles bem mais palatáveis, como é o caso de Silver Surfer.

A emulação dos jogos é bastante satisfatória, com destaque óbvio para X-Men e para a versão de fliperama de Captain America and the Avengers, que comportam mais participantes ao mesmo tempo. E, mesmo sem poder usar trapaças neles, podemos inserir fichas (virtuais) infinitamente — então, dá para chegar até o final de cada aventura, mesmo sofrendo um pouquinho.

Em contrapartida, mesmo contando com algumas artimanhas, as versões portáteis e 8-bit, como as de Game Gear e Game Boy, não são tão atraentes assim. Isso se dá principalmente por causa da sua jogabilidade, cheia de delays e imprecisões. Inclusive, é bem provável que alguns jogadores só gastem tempo nelas para caçar troféus e conquistas. 

A disposição das telas também conta com uma série de opções. Quem quiser pode ocupar toda a dimensão widescreen (16:9), o que pode deixar alguns títulos mais esticados e feios. Aos que optarem por algo mais clássico, pode-se usar os formatos padrões e ocupar os “cantos mortos” com um papel de parede temático, e até usar filtros CTR para imitar visores antigos, com scanlines e bordas arredondadas. Por fim, cada ROM conta com um espaço de salvamento. Logo, não há perigo de um save sobrescrever outro.

Nada disso é muito diferente do que é apresentado em diversas outras coletâneas, mas também não deixam de ser recursos interessantes para quem quer curtir jogos mais antigos. A dificuldade dos tempos mais distantes podia ser, e era, bastante punitiva, o que pode afastar o público mais jovem. Por isso, é importante contar com esses facilitadores.

Uma história tão louvável merecia uma apresentação mais caprichada

Claro que, tratando-se de uma coletânea da Marvel, a curiosidade para saber o que haveria no Museu ou na Galeria é inevitável. Para o bem ou para o mal, foram incluídos arquivos de artes promocionais, vinculados a revistas da época, além de scans das caixas oficiais dos cartuchos e dos manuais. Não deixa de ser algo bacana, mas, dada a importância do conteúdo da coletânea, particularmente sinto que poderia ter sido feito um trabalho mais caprichado.

Estamos falando de uma gigante midiática, detentora de um enorme rol de personagens que muitos fãs atualmente não conhecem, pois ainda não apareceram em produções cinematográficas ou séries, ou fizeram apenas pequenas aparições. Diferente de antigamente, quando tanto os desenhos quanto os quadrinhos não poupavam esforços para mostrar cada herói e vilão com certo destaque, mantendo a mesma estética visual em mais de um tipo de veículo.

Posso estar sendo chato? Sim. Mas é impossível não comparar, por exemplo, com o trabalho feito em Cowabunga Collection, que também teve o dedo da Konami e trouxe uma galeria não só baseada nos jogos, mas também nos quadrinhos e nas séries animadas das Tartarugas Ninjas.

Logo, sinto que poderia ter sido feito um esforço para trazer, pelo menos, um perfil de personagens como Manto, Adaga, Grito (Shriek), Lasher, Phage, Agony, Riot, Demogoblin, Mercúrio, Wonderman, entre outros que muita gente sequer ouviu falar. Até mesmo apresentar as versões clássicas de Visão, Homem de Ferro e os X-Men viria a calhar.

Fechando a memorabilia disponível, também há um reprodutor de músicas completo, com cada tema disponível nos jogos. Fazendo comparações de novo — só que estas mais divertidas —, é bacana poder comparar rapidamente a diferença entre versões de uma mesma melodia, principalmente pelas particularidades de cada console da época. Especialmente entre Mega Drive e SNES, que nem sempre tinham jogos desenvolvidos pelos mesmos estúdios, mas partilhavam o nome.

Jogos excepcionais, mas que mereciam uma bagagem maior

Os títulos escolhidos para compor a MARVEL MaXimum Collection são bem interessantes, desde o pesaroso Silver Surfer até o duo de Spider-Man 16-bits e o célebre X-Men dos arcades. Ter todos eles reunidos em apenas um lugar é muito bom; entretanto, a parte deficiente desta coletânea está justamente na galeria, que poderia ser muito mais rica e apresentar os jogos nela contidos — que já estão todos acima dos 30 anos — de maneira mais convincente e detalhada para as gerações atuais.

Prós

  • A seleção de jogos da coletânea é variada e conta com nomes curiosos e interessantes;
  • É possível jogar X-Men em até seis pessoas pelo multiplayer online;
  • Ter trapaças para os títulos de console ajuda a assimilar os que são mais tortuosos, como Silver Surfer;
  • Diversos filtros de tela e recursos para emular televisores antigos;
  • A galeria traz uma quantidade razoável de materiais, como caixas, manuais e artes promocionais.

Contras 

  • Apenas X-Men pode ser jogado online. Companheiros em rede também viriam a calhar na versão arcade de Captain America and the Avengers;
  • A galeria poderia aproveitar a presença multimídia da Marvel e fazer uma apresentação mais detalhada dos personagens dos jogos, como um cartão de visitas para as novas gerações;
  • Alguns jogos, como as versões portáteis e 8-bit, não envelheceram tão bem.
MARVEL MaXimum Collection — PC/PS5/Switch/XSX — Nota 7.5
Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Mariana Marçal
Análise feita com cópia digital cedida pela Limited Run Games
OpenCritic
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Carlos França Jr.
é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no @carlos_duskman
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