Análise: Life is Strange: Reunion entrega um final digno para a história de Chloe e Max

Max e Chloe retornam para sua última aventura e uma despedida emocionante.

em 06/04/2026
Desde o seu lançamento, Life is Strange chamou a atenção pela sua narrativa dramática, repleta de decisões complexas e temas sensíveis. Mas, com a saída da Don’t Nod e a chegada da Deck Nine, os jogos começaram a perder o impacto, com Life is Strange: Double Exposure sendo o fundo do poço. Felizmente, Life is Strange: Reunion consegue consertar a maioria das escolhas questionáveis de seu antecessor e entrega um final digno para a dupla de protagonistas que marcou uma geração.

Max e Chloe contra o mundo novamente

Life is Strange: Reunion coloca Max em mais uma encruzilhada contra o destino, após o final de Life is Strange: Double Desde então, passaram-se nove meses e tudo estava em paz, até que, quando Max estava voltando de uma viagem a trabalho em Nova York, recebeu a notícia de que a faculdade onde trabalha está pegando fogo.


Mesmo chegando a tempo, ela fracassa em tentar apagar o incêndio que se espalhou por todo o campus. Então, desesperada, ela utiliza seus poderes de viagem no tempo para voltar três dias no passado. Agora ela deve tentar descobrir quem orquestrou o incêndio e por qual motivo. Contudo, ela não estará sozinha, pois Chloe Price aparece no campus para tentar resolver os pesadelos que ela vem tendo, que coincidentemente estão relacionados a Max.

A trama se garante pelos momentos em que as heroínas estão juntas. A química entre elas continua excelente, fazendo com que seus diálogos sejam divertidos e emocionantes, fazendo-me rir e emocionar em várias ocasiões. Isso também se deve à excelente dublagem de Hannah Telle (Max Caulfield) e Rhianna DeVries (Chloe Price). Infelizmente, a dubladora original Ashly Burch não retorna para dar voz a Chloe uma última vez. Mas Rhianna faz um bom trabalho.


Além disso, os momentos do romance entregam um “fan-service” que os fãs há muito tempo aguardavam. Mesmo assim, senti que a história usou muito a nostalgia para tentar esconder alguns pontos fracos. Como a parte investigativa da trama, presente desde o primeiro game.

O suspense começa intrigante, trazendo boas reviravoltas, mas, conforme o enredo avança, vai ficando previsível quem é o culpado, resultando em uma conclusão decepcionante. Acredito que um dos motivos para isso ter ocorrido foi a mudança no formato da narrativa; estamos saindo do modelo episódico para algo mais tradicional.


Não achei isso tão benéfico, pois a história ficou muito apressada. Esse problema afeta o retorno da dupla dinâmica, o qual mal temos tempo para observar algumas mudanças importantes em suas vidas, como o fato de que Max agora é professora em tempo integral, porém isso quase não é explorado.

Enquanto Chloe é gerente de uma banda, vemos muito pouco sobre a sua vida antes do reencontro. Pelo menos algo notável é a evolução pessoal dela, que me surpreendeu. Ela deixou de ser a adolescente revoltada e impaciente — que, sinceramente, me irritava bastante no primeiro jogo — para ser uma adulta mais controlada e calma, que ainda mantém a sua “língua afiada” e seu característico sarcasmo. 


Junto a isso, a sua mecânica exclusiva, o bate-boca apresentado em Life is Strange: Before the Storm, voltou. Ela permite que Chloe manipule as pessoas por meio de argumentos ou xingamentos. Para isso, basta escolher as perguntas certas. A “novidade” é intrigante, mas não foi bem aprofundada, resultando em bate-bocas triviais, que não exigem atenção na conversa para vencer.

Os demais personagens marcantes, como Safi, Amanda, Moses e Vinh, retornam, mas eles quase não têm tanto destaque, sem contar alguns retcons que prejudicam personagens como a Safi, que ficou um pouco perdida na trama atual.

O retorno das voltas no tempo, mas sem novidades

Life is Strange sempre foi um jogo com foco na narrativa, então um de seus pilares são as escolhas. Desde que a Deck Nine assumiu esse aspecto, passou por uma redução na quantidade de opções de resposta disponíveis para os diálogos e no peso de cada uma delas.


Infelizmente, essas características se mantiveram no novo capítulo; ainda só estão disponíveis duas escolhas de diálogos nas conversas e quase não existem diferenças entre as duas. O que torna alguns diálogos um pouco monótonos. Além de limitar bastante o fator de rejogabilidade, ainda mais com a volta dos poderes temporais.

O poder de retroceder o tempo volta com jogabilidade idêntica à sua primeira aparição; sendo assim, é possível utilizá-lo durante os finais das conversas. Ao apertar um botão, o tempo retrocede, mas Max mantém suas memórias, o que permite que você mude o rumo dos diálogos ou até mesmo explore outros caminhos.

Uma universidade bela, porém pequena

Desde o último jogo, a franquia agora se passa em um campus universitário. Em Double Exposure, o local era bem grande, sendo possível, em vários capítulos, andar por ele e observar os alunos, projetos acadêmicos e tirar fotos como colecionáveis. Ainda havia uma rede social própria da instituição acessível pelo celular da protagonista, o que auxiliava o ambiente a ficar fiel à sua proposta.


No entanto, o formato das fases volta aos moldes mais tradicionais da série, conferindo menos liberdade para explorar, além de detalhes, como Max trocar de roupa todo dia, que não existem mais. Em contrapartida a isso, os colecionáveis, embora em menor número, continuam divertidos de serem encontrados e a trilha sonora mantém a qualidade que sempre teve, com faixas mais tranquilas para momentos de reflexão.

Já a parte gráfica não recebeu muitas mudanças, mas as expressões faciais continuam excelentes, principalmente nas protagonistas e em outros personagens secundários. Entretanto, a obra apresenta alguns bugs, como serrilhados e, durante um capítulo, a tela ficou azul; nada que algumas atualizações não resolvam.

Um jogo narrativo que se prende à nostalgia


Life is Strange: Reunion
consegue arrumar os erros de seu antecessor e entregar um retorno agradável de Max e Chloe. A química entre elas está perfeita e ambas amadureceram muito, enriquecendo a experiência. Tudo isso resulta em um final digno para as personagens, que vai agradar os fãs novos e antigos. Além disso, a trilha sonora e os colecionáveis continuam excelentes. 

Apesar disso, a parte do mistério sobre quem é o incendiário deixa a desejar. A obra continua tendo poucas opções de alternativas nos diálogos, afetando o fator rejogabilidade, e um campus menor para explorar, tirando a pouca liberdade que o jogo dava e afetando a imersão.

Prós:

  • A química entre Max e Chloe carrega a história;
  • As protagonistas passaram por um amadurecimento que enriqueceu a obra;
  • Os poderes de voltar no tempo retornaram; mesmo sem novidades, continuam divertidos;
  • A trilha sonora mantém a qualidade característica da franquia.

Contras:

  • O mistério sobre a identidade do incendiário poderia ser melhor explorado;
  • O sistema de escolhas continua limitado a apenas duas opções de diálogos, o que limita bastante a rejogabilidade;
  • Alguns bugs, como serrilhados;
  • Os ambientes não têm mais tanta liberdade para explorar quanto antes.
Life is Strange Reunion — PS5/PC/XSX — Nota: 7.0
Versão usada para análise: PlayStation 5
Revisão: Thomaz Farias
Análise produzida com cópia digital cedida pela Square Enix

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Thiago da Silva e Silva
É um universitário se formando em engenharia na UFRRJ,apaixonado por jogos desde a infância, principalmente RPGs.
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