Produzido pela DoubleMoose Games e publicado pela Raw Fury, Last Man Sitting é um roguelike de ação no estilo bullet heaven, em que inúmeras hordas de inimigos aparecem sem parar e temos que sobreviver uma determinada quantidade de tempo. Ambientado em um escritório dos anos 2000, o título até possui boas ideias e tenta fazer o básico bem-feito, no entanto, sofre pela falta de elementos que deem mais variedade ao gameplay.
Humanos vs robôs
A história de Last Man Sitting existe mais como simples pretexto para justificar a ação. O título se passa no ano de 2002 e nos coloca em meio a uma guerra: de um lado, os trabalhadores; do outro, uma revolta liderada por robôs. A ambientação se baseia no interior da organização ICARUS, com fases distribuídas por diferentes andares do prédio, cada um trazendo pequenas variações visuais dentro de um estereotipado ambiente corporativo.
Os inimigos seguem essa mesma proposta temática. Nós enfrentamos robôs baseados em objetos de escritório, como impressoras, computadores, pilhas de papéis e outros equipamentos do dia a dia, dando um teor bem-humorado ao jogo. No fim, nosso objetivo é derrotar todas essas máquinas e impedir que tomem conta do prédio. Não há grande desenvolvimento narrativo, com a maior parte da história se desenrolando por caixas de diálogos, mas, por sua proposta, isso não chega a afetar a experiência negativamente.
De modo geral, a experiência visual acaba sendo um pouco monótona. Apesar da proposta de explorar diferentes andares da ICARUS, a variação entre os cenários é pequena e não traz mudanças realmente interessantes ao longo da campanha. O level design também deixa a desejar, com fases que apresentam uma estrutura bastante simples, sem muitos elementos para explorar ou que ajudem a tornar cada partida mais dinâmica. No fim, a sensação é de que estamos sempre enfrentando os mesmos espaços, o que impacta diretamente na variedade da experiência.
Por outro lado, a trilha sonora é um dos pontos altos do jogo. Com músicas puxadas para um rock mais pesado e animado, a trilha ajuda a dar um ritmo mais frenético às partidas e combina muito bem com a proposta caótica do gameplay. É o tipo de complemento que mantém a energia alta durante os combates e contribui para deixar a experiência mais envolvente, mesmo quando outros aspectos do jogo não acompanham esse mesmo nível.
Muitos inimigos, pouca variedade
Seguindo a base já conhecida do gênero, antes de cada partida temos que escolher nossos equipamentos . Podemos carregar uma arma principal, como minigun, sniper, lança-chamas ou até uma espada, e também equipar um tipo de arma na cadeira, que funciona mais como uma habilidade ativa. Essas opções incluem golpes giratórios, explosões ou até habilidades de hackear inimigos, por exemplo. Além disso, também é possível equipar habilidades passivas que aumentam atributos como mobilidade, dano ou alcance de coleta de experiência.
Durante as fases, precisamos sobreviver por 12 minutos enfrentando hordas de inimigos, com um mid-boss na metade do tempo e um chefe final ao término. Cada inimigo derrotado concede experiência, e ao subir de nível escolhemos uma entre três opções de melhoria. Essas habilidades variam entre efeitos elementais, como fogo, gelo, eletricidade e veneno, e bônus passivos que fortalecem nosso personagem.
Nesse ponto, o título acerta ao oferecer uma boa variedade de habilidades equipáveis na cadeira. Com o avanço das partidas, conseguimos acumular até seis habilidades ao mesmo tempo, o que abre espaço para criar sinergias interessantes e testar diferentes combinações. Esse sistema ajuda a manter a jogabilidade dinâmica e é um dos principais fatores que tornam cada tentativa mais divertida. Por outro lado, a variedade de armas principais é mais limitada, o que acaba reduzindo um pouco as possibilidades de combate ao longo do tempo.
Ainda assim, há um problema importante na forma como o jogo lida com a movimentação. Em produções desse gênero, a locomoção costuma ser um dos pontos-chave, já que precisamos constantemente nos reposicionar para lidar com grandes grupos de inimigos. Aqui, isso acaba sendo limitado. O personagem conta basicamente com pulo duplo, uma esquiva e a possibilidade de deslizar em barras específicas do cenário.
Somado a isso, as fases são, em geral, pequenas, o que faz com que passemos muito tempo circulando pelos mesmos espaços. Essa combinação acaba deixando a experiência repetitiva depois de alguns minutos. Além disso, o excesso de inimigos em áreas reduzidas faz com que a tela fique bastante poluída, com muitos efeitos, números e animações acontecendo ao mesmo tempo. Em vários momentos, ficou difícil até entender exatamente o que estava acontecendo, o que me atrapalhou bastante em saber o que fazer na hora do enfrentamento.
Por fim, vale destacar que o jogo possibilita que os jogadores disputem partidas PvP e PvE em modo online. Isso certamente pode trazer uma dinâmica mais interessante do que apenas prosseguir com a campanha. No entanto, durante minha jogatina, não consegui testar essa função, pois em todo horário que tentava me conectar eu passava vários minutos esperando e ninguém aparecia.
Divertido, mas sem brilho
Mesmo sem apresentar algo de inovador, Last Man Sitting até possui boas qualidades que trazem alguns momentos de diversão. O combate frenético, junto de algumas habilidades interessantes e a trilha sonora, conseguem entreter até certo ponto, principalmente se você busca algo descompromissado. No entanto, a falta de variedade de armas e o level design ruim deixam a experiência cansativa com o tempo e o faz ficar bem atrás de outros jogos do gênero.
Prós
- O combate dinâmico e frenético;
- Há uma variedade interessante de habilidades, permitindo criar diferentes sinergias e builds;
- A trilha sonora é energética, com destaque para faixas de rock que intensificam a ação;
- Os modos online podem ajudar a dar uma sobrevida com o tempo.
Contras
- A baixa variedade de armas principais limitam o combate no longo prazo;
- O level design é simplista, com mapas pequenos e pouca diversidade estrutural;
- A ambientação é repetitiva, com pouca diferenciação visual entre os andares;
- A movimentação limitada prejudica a dinâmica das partidas;
- O excesso de elementos visuais em tela causa poluição visual e dificulta a leitura da ação.
Last Man Sitting — PC — Nota: 6.0
Revisão: Thomaz Farias
Análise feita com cópia digital cedida pela Raw Fury









