Desenvolvido pelo estúdio indonésio Gambir Studio, KuloNiku: Bowl Up! é um jogo de cozinhar com toques de gerenciamento e socialização, que aproveita a atual moda dos cozy games. Fortemente inspirado em Cooking Mama e com influências de Persona, será que o jogo se destaca dentro da proposta?
Em KuloNiku: Bowl Up! controlamos um garoto ou uma garota que deve liderar o renomado restaurante Bakuso, herdado da falecida avó, na cidade de Kuloniku. O local é conhecido por sua gastronomia e, apesar de o Bakuso ser lendário na cidade, devemos começar do básico novamente para conquistar espaço em uma ampla concorrência.
Um legado a ser preservado
A principal parte da jogabilidade de KuloNiku é cozinhar. O restaurante é focado em pratos mais orientais, com uso de macarrão no estilo lámen e sopas diversas, e o processo é bem simples a princípio. Basta montar o prato de acordo com o pedido do cliente e entregar.
Claro, há certas nuances na montagem da comida. Cada ingrediente terá características próprias que aumentam o sal, doce, acidez e picância do prato, e os clientes constantemente vão solicitar níveis específicos de sabor. É um elemento de quebra-cabeça interessante que vai ficando levemente mais complexo com o tempo.
Aliás, tempo é algo muito necessário, pois não podemos demorar na entrega do serviço. Porém, tal qual um trabalho de verdade, acabamos decorando os pratos pré-montados e a localização exata de cada ingrediente, deixando o fluxo mais automático.
KuloNiku: Bowl Up! parece funcionar muito melhor com um mouse (ou tela de toque) em mente, pois toda a ação de cozinhar depende de uma certa precisão que não dá para ter com o uso de controles. Os botões ajudam na navegação, mas controlar um cursor com o analógico para fazer cortes e selecionar ingredientes não é nada dinâmico.
Ao final de cada dia, o lucro obtido pode ser gasto com melhorias para o restaurante, tanto de decoração do salão — que dá alguns bônus, como maior ganho de gorjetas — quanto com novos instrumentos para a cozinha, como uma área de cortes e de fritura.
KuloNiku não se restringe apenas à cozinha, já que o elemento social também interage com a culinária. Após o final do expediente, podemos conversar com alguns NPCs e, para evoluir a relação com eles, podemos reservar um dia de folga para passar um tempo com alguém e evoluir mais essa relação.
Além da narrativa, ter contato com os personagens resulta em algumas mudanças na jogabilidade, como na criação de dias especiais semanalmente no restaurante, ou na possibilidade de criação de novos pratos. O progresso da campanha está diretamente ligado ao fator social, e é bastante similar a Persona nesse aspecto. Para nossa apreciação, o jogo contém textos localizados em português, com piadas e termos bem adaptados.
As histórias contadas não são super extensas nem profundas. Os personagens carregam uma característica especial e a linha de história deles segue essa questão, como o excesso de trabalho de Shuga e a timidez de Ume. São momentos fofos que nos rendem boas artes e algum leve poder de decisão, entretanto, nada que se destaque tanto.
Em busca do primeiro lugar
O objetivo principal de KuloNiku: Bowl Up! é fazer do Bakuso o restaurante número um da cidade, e para isso devemos derrotar os chefs concorrentes na Batalha das Almôndegas. Quando somos desafiados, devemos montar um prato de acordo com os desejos dos jurados e, ao vencer, aumentamos a classificação no ranking.
Enquanto KuloNiku acerta no aspecto de cozy game, ele sofre do mesmo mal que muitos jogos do tipo apresentam: a repetição. Fazemos sempre o mesmo looping de jogabilidade, e é fácil enjoar de fazer os mesmos pratos para os mesmos personagens.
Pessoalmente, achei que o ritmo de obtenção de novas receitas deveria ser mais rápido. Como adquirir os novos pratos depende dos vínculos sociais — que evoluem nos dois dias de folga semanais —, o ritmo de novidades para a cozinha pode ser um tanto lento.
Amenizando um pouco a situação, dá para pular alguns dias da semana se queremos ativar algum evento de folga. Em compensação, o dinheiro obtido nos dias de trabalho “não trabalhados” será bem menor.
KuloNiku: Bowl Up! é um título bem charmoso em sua direção de arte, parecendo uma produção saída do PSP ou 3DS, utilizando modelos estilizados sem grande quantidade de detalhes. Isso também se estende para a apresentação no geral, que é fácil de entender e bastante dinâmica.
O design dos personagens é bem legal, puxando para o anime com uma cara bem característica dos anos 2000, misturando o estilo de animação oriental e ocidental. As artes dos momentos de história com NPCs são belíssimas, com um aspecto de pintura que combina com as situações leves.
A parte sonora é funcional nos efeitos, especialmente na parte da cozinha, mas nada que se destaque o suficiente na trilha sonora. Ela até acaba ficando um pouco enjoativa com a repetitividade, então é um jogo bom para jogar ouvindo podcast — que foi o que eu fiz em alguns momentos.
Um prato satisfatório com seus momentos.
KuloNiku: Bowl Up! é bastante simples e direto ao ponto em sua proposta, e cumpre o que propõe. A parte de cozinhar é simples de entender e divertida o suficiente, a arte é belíssima e os personagens são carismáticos, embora não sejam profundos.
Entretanto, o título cai em um loop repetitivo típico de cozy games rapidamente, com os elementos adicionais de jogabilidade demorando para destravar. Vale a pena para doses curtas de jogatina, e é recomendável usar um mouse para a experiência.
Prós:
- O sistema de cozinhar é simples e intuitivo de entender, com diversas receitas para destravar;
- Visual charmoso, misturando animação ocidental e oriental;
- A parte social dá uma quebra necessária para o ritmo da jogabilidade;
- Personagens interessantes, mesmo que não tenham tantas nuances quanto poderiam;
- Textos em português, com boas adaptações para a nossa língua.
Contras:
- Jogabilidade com controles é pouco prática;
- Devido à demora para destravar alguns conteúdos, o jogo tende a ficar repetitivo.
KuloNiku: Bowl Up! — PC — Nota: 8.0
Revisão: Beatriz Castro
Análise produzida com cópia digital cedida pela RawFury

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