RPGs de ação são famosos no mundo dos jogos por garantirem recursos como combates frenéticos e características como árvores de habilidades vastas. Kingdom’s Return: Time-Eating Fruit and the Ancient Monster entrega esses dois elementos e ainda apresenta belos gráficos em 2D, mas, durante minha experiência, ficou notável que a obra sofre com problemas de repetição.
O chamado da aventura
A trama nos ambienta em um mundo medieval de fantasia no continente de Norlant, onde temos o reino de Almacia. O local está passando por um problema devido a ataques de monstros que geraram uma crise que destruiu o local. É nesse cenário que os quatro heróis protagonistas desta história aparecem: a imperial, o alquimista, a maga e o Zipamgu.
O quarteto não possui vozes ou personalidade; são arquétipos de personagem mudos. O que os diferencia é sua jogabilidade e aparências. Mas, para dar sequência à narrativa, temos uma fada do tempo que sempre fala por nós, quando necessário. Fica fácil entender ela graças à tradução para português que o título possui, embora ela precise de umas atualizações para arrumar alguns erros de tradução.
Os protagonistas também podem conversar com aldeões e lojistas no reino; o local funciona como base principal durante a jogatina. Acredito que, se eles tivessem no mínimo algum traço de personalidade, eles seriam mais interessantes.
A história na totalidade acaba sendo bem desinteressante; os personagens, como o rei, a fada, entre outros, são divertidos e suas interações sempre possuem um humor cômico, mas mesmo assim teria sido algo benéfico se a trama tivesse um pouco mais de foco em vez de servir como uma “desculpa” para os campeões terem que sair em incursões reino afora.
Missões em fases lineares e repetitivas
Kingdom’s Return: Time-Eating Fruit and the Ancient Monster é um RPG de ação com visuais pixel art e elementos de plataforma. O jogo pode ser dividido em duas etapas. Durante a preparação no castelo, como comentado, você pode interagir com cidadãos, mas, além disso, também pode aceitar missões secundárias, trocar de herói e escolher em qual missão você deseja ir.
O problema delas é que os objetivos são muito repetitivos; é sempre algo como “mate tantas criaturas” ou “colete tantos itens”. Essa falta de variedade, alinhada a uma baixa diversidade de inimigos, torna rapidamente monótona a principal atividade do jogo.
Após escolher a missão, somos levados a um mapa com vários monstros e masmorras. O problema é que essas dungeons são muito similares em sua ambientação e estrutura, o que as torna muito desinteressantes. Para compensar isso, os combates são dinâmicos.
Cada personagem possui seu próprio estilo de luta, mas divide os mesmos comandos básicos. Eles podem utilizar ataques fracos, defender e esquivar. Conforme você vai vencendo inimigos, vai ganhando pontos que podem ser gastos numa árvore de talentos, liberando novos movimentos ou habilidades exclusivas.
Na minha experiência, passei a maior parte do tempo com a Imperial, que é a personagem mais equilibrada do grupo. As lutas, no começo, eram pouco cadenciadas devido à baixa variedade de movimentos, mas, conforme ganhavam mais níveis, elas se tornavam mais dinâmicas, sendo possível criar combos simples e destruir muitos inimigos com as habilidades espalhafatosas.
O fato de termos mais opções de personagens, com golpes únicos e estratégias diferentes para utilizá-los, ajuda a tornar as fases menos repetitivas e maçantes. Mas, por outro lado, o jogo não incentiva você a alternar entre eles. Como os pontos não são compartilhados entre eles, acaba sendo chato ficar alternando e liberando tudo do zero.
Um reino para chamar de lar
Outro elemento da jogabilidade é o gerenciamento da cidade. Como comentado, é possível fazer algumas atividades nela; e isso inclui construir estabelecimentos, como lojas de armas e armaduras. Toda construção dá um bônus permanente ao quarteto, deixando-os mais fortes.
Para construir, precisamos de recursos achados durante as incursões, como ferro e madeira. O problema é o sistema ser muito limitado no começo e, mesmo avançando na história, o modo ainda continua bem limitado, o que o torna mais um meio para se fortalecer do que propriamente um gerenciamento de cidade.
Uma aventura divertida, mas repetitiva
Kingdom’s Return: Time-Eating Fruit and the Ancient Monster entrega um RPG de ação competente, com uma boa jogabilidade e quatro heróis únicos para utilizar, cada um tendo movimentos e habilidades distintas. Tudo isso em um mundo feito em pixel art muito bonito.
Entretanto, essas qualidades não sustentam uma narrativa que não é interessante, tarefas repetitivas que se tornam monótonas muito rápido e a falta de personalidade dos campeões os faz ser desinteressantes e carismáticos.
Prós:
- Os heróis possuem jogabilidades distintas, o que torna prazeroso alternar entre eles durante as fases;
- Os gráficos em pixel art são charmosos, gerando ambientes muito bonitos e golpes visualmente interessantes;
- O gerenciamento do reino é simples e divertido de utilizar;
- Legendas em português.
Contras:
- Mesmo podendo alterar entre os guerreiros, as missões continuam tendo objetivos muito repetitivos, o que as torna monótonas;
- Os cenários são bonitos, mas se repetem muito nas masmorras;
- Falta carisma nos quatro aventureiros.
Kingdom’s Return: Time-Eating Fruit and the Ancient Monster — PS5/XSX/PC/SWITCH 2/SWITCH — Nota: 6.5Versão usada para análise: PlayStation 5
Revisão: Ives Boitano
Análise produzida com cópia digital cedida pela INTI CREATES CO., LTD










