Análise: Icarus: Console Edition tem boa proposta de sobrevivência, mas adaptação para consoles decepciona

Apesar de pecar em alguns aspectos, o jogo ainda consegue entregar a base sólida que se espera de um jogo de sobrevivência.

em 09/04/2026

Icarus: Console Edition
foi um jogo que me chamou bastante atenção com seu trailer e me fez pensar que eu poderia passar horas e horas explorando um novo mundo hostil, tentando sobreviver a tudo o que poderia acontecer ao meu redor. E, apesar de ter me frustrado quando peguei o jogo para analisar, depois de algumas atualizações pude aproveitar melhor a experiência que o jogo propõe.

A história de Icarus se passa no planeta Wolf 1061cA, onde, além de sobreviver a condições extremas, você precisa desativar instalações orbitais e retornar à Terra. Isso porque, quando o planeta foi descoberto, a humanidade enviou veículos de terraformação para torná-lo habitável, mas o processo falhou.

Começando a aventura

Testei a versão para PlayStation 5 e, logo no início, percebi que o jogo manteve muitas características da versão de PC. Isso pode ser positivo, mas, para quem nunca teve contato com ela, causa certa estranheza.

As opções de customização de personagem são boas, mas poderiam oferecer mais variedade. Além disso, com o passar das telas, ficou evidente que o tamanho e as cores das letras em algumas caixas de texto não ajudam na leitura, chegando ao ponto de eu precisar me aproximar da TV para entender o que estava escrito. Outro ponto que incomoda é a necessidade de movimentar um cursor na tela, que se desloca de forma lenta.

Após essa etapa, o jogo apresenta três modos: mundo aberto, missões e postos avançados. Eles possuem poucas diferenças entre si, mas a opção “missões” exige mais do jogador, enquanto “postos avançados” é um pouco menos exigente. Fora isso, as duas primeiras opções sempre trazem objetivos, com a diferença de que, em “missões”, há um limite de tempo para cumpri-los.

Além dessas opções, também é possível jogar online com amigos ou em sessões privadas, mas ambas exigem uma assinatura de serviço online. Para quem não tem, resta a opção offline, que acaba sendo mais punitiva, já que, ao ser nocauteado, você não terá ajuda e precisará retornar sozinho ao local para recuperar os itens.

Aprofundando-se no planeta

Optei pelo mundo aberto por parecer a opção mais equilibrada e escolhi a região Olympus, indicada como a mais fácil. Em seguida, há outra etapa de customização, dessa vez voltada aos equipamentos e ao nome da missão. Escolhi uma área com gelo, e foi aí que a frustração começou.

Se você não for direto ao ponto, perde muito tempo não só com as customizações, mas também tentando entender o que está acontecendo na tela. O personagem chega ao planeta e você precisa basicamente descobrir sozinho o que fazer. A proposta de sobrevivência exige raciocínio lógico, mas tem problemas na execução.


Dependendo do local onde você começa, os recursos são escassos. E, ao tentar encontrá-los, você rapidamente se depara com animais selvagens que podem te atacar e matar com facilidade, algo que aconteceu comigo diversas vezes na área gelada.

Decidi tentar outra região, desta vez seguindo a recomendação do jogo, e a experiência começou a melhorar. Consegui coletar recursos e fabricar itens básicos, como picareta e machado, o que ajudou na progressão inicial.

A dificuldade em sobreviver

Na hora do combate, as mecânicas são muito boas e você precisa usar a lógica para enfrentar os inimigos. É praticamente impossível vencer um lobo apenas no soco, por exemplo. O ideal é investir nos níveis de habilidade para liberar ferramentas e equipamentos, sendo possível entrar em combate com mais segurança assim que tiver um machado, por exemplo, algo que já fica disponível nos primeiros níveis.

O combate, dependendo do animal que você enfrenta e com a arma em punho, pode ser rápido e até fácil. Ainda assim, senti falta de um sistema de esquiva mais eficiente. Tentei até pular para evitar alguns golpes, mas mesmo assim acabava sendo atingido. Com o tempo e a evolução das habilidades, tudo fica mais tranquilo, principalmente com a liberação de armas de longo alcance. No início, porém, é essencial ter cautela e pensar bem antes de entrar em qualquer confronto.


Durante os combates, fica ainda mais evidente que a versão para consoles não foi bem adaptada. É difícil manter o foco nos inimigos, já que a câmera não se comporta de forma consistente, o que faz com que você se perca facilmente durante os confrontos.

Uma mecânica até ajuda: ao ser nocauteado, é possível recuperar os recursos anteriores. Mas há um problema: você precisa lembrar exatamente onde morreu, o que pode ser complicado dependendo da região. Também é necessário lidar com as condições climáticas. Tempestades surgem de forma repentina e exigem abrigo imediato. À noite, a situação se agrava, já que é preciso descansar em segurança para evitar ataques ou outros perigos. Há também o fator alimentação e hidratação, já que é preciso consumir alimentos variados e beber água limpa, caso contrário o personagem pode sofrer consequências como disenteria.


O problema é que, para construir estruturas básicas como abrigos e purificadores, o jogo exige um nível de progressão que demanda tempo e paciência. Então, se você busca um jogo realmente desafiador, Icarus: Console Edition entrega exatamente isso, e até um pouco mais. A missão inicial já exige bastante, pois, para construir o que é pedido, você precisa atingir níveis mais altos e, claro, sobreviver até lá.

A proposta de sobrevivência é interessante, e o jogo não deixa você esquecer disso em momento algum. Todos os fatores possíveis te afetam: fome, sede, exposição ao ambiente, disposição e até o oxigênio ao nadar. É preciso equilibrar tudo isso com a hostilidade da natureza, seja pelo clima ou pelos animais.

Apesar da dificuldade, vale a pena

Icarus: Console Edition poderia ser um pouco mais polido graficamente. Não é um jogo feio, mas dá para perceber que poderia ser mais bonito com um pouco mais de cuidado. Por outro lado, a parte sonora é muito bem trabalhada, sendo imersiva e acompanhando perfeitamente a ambientação, especialmente em momentos como mudanças climáticas e combates.

A narrativa é emergente e naturalmente mais lenta, o que faz sentido dentro da proposta de sobrevivência. O jogo constantemente reforça a necessidade de se empenhar, não só para cumprir objetivos, mas também para se manter vivo. Apesar do ritmo mais cadenciado, pode ser uma boa escolha para quem busca desafios constantes.


Icarus tem uma proposta interessante e provavelmente funciona melhor no PC, já que foi desenvolvido com esse foco. Nos consoles, ele funciona, mas talvez não seja ideal para quem busca uma experiência mais rápida e acessível. Por outro lado, se você quer um jogo que te desafie a todo momento e que te incentive a evoluir constantemente, Icarus: Console Edition pode ser exatamente o que você procura.

Prós

  • Alto nível de desafio, tirando o jogador da zona de conforto;
  • Ambientação imersiva que eleva a tensão;
  • Sistema de sobrevivência profundo;
  • Fatores climáticos impactam diretamente o progresso;
  • Exige gestão constante dos recursos e status do personagem.

Contras:

  • Modos online exigem assinatura de serviço;
  • Progressão punitiva e ritmo lento podem frustrar;
  • Poderia ser mais polido graficamente.
Icarus: Console Edition – PS5/XSX – Nota: 7.0
Versão utlizada para análise: PlayStation 5
Revisão: Vitor Tibério
Análise produzida com cópia digital cedida pela Grip Digital
OpenCritic
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Felipe Vieira
Formado em publicidade, amante de cultura pop, amo o universo nerd e geek e fã de musica pop. Provavelmente eu vou te mostrar tudo isso junto e misturado. Pode procurar por @felipeabody nas redes sociais pra gente trocar uma ideia.
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