Desenvolvido pela Come On Studio e publicado pela tinyBuild, Hozy é um cozy game focado na limpeza, reforma e decoração de ambientes. O game aposta em sistemas simples de controle e em uma progressão cadenciada, permitindo que o jogador relaxe e aproveite cada tarefa sem a necessidade de correr contra o tempo. Mesmo com problemas bem pontuais, o jogo se mostra uma excelente opção para quem procura algo dentro do gênero.
Entre vizinhos e reformas
A narrativa de Hozy funciona mais como um contexto para justificar as ações do que como uma trama complexa. A obra nos coloca na pele de uma jovem que deixa a cidade grande para retornar à sua terra natal. Lá, o objetivo é ajudar o pai na reforma da casa da família e auxiliar os vizinhos com melhorias em seus próprios lares.
A campanha é dividida em nove fases, representadas por edifícios em uma pequena rua. Visualmente, o progresso é visto pela estética dos prédios, que inicialmente estão sem cor e ganham vida e detalhes à medida que completamos cada fase. Começamos no apartamento dos nossos pais, mas logo passamos por locais com identidades bem únicas, como uma cafeteria, a casa de um mágico, uma casa na árvore e até um farol. Cada espaço é apresentado como um diorama em câmera isométrica, permitindo um certo grau de liberdade para movimentarmos a visão e observarmos os detalhes de cada cômodo.
O trabalho de ambientação é um dos pontos altos de Hozy, especialmente pela forma como a narrativa é construída com o cenário. Antes mesmo de iniciarmos a limpeza, o local fala sobre quem mora ali e como aquele lugar chegou ao estado atual de sujeira e abandono. Esse estado de bagunça desperta uma curiosidade sobre o que aconteceu na residência antes da nossa chegada, criando um contraste interessante com a foto do morador mostrada no início da fase.
A partir dessa ideia pré-concebida, passei a imaginar como aquela pessoa utilizaria o espaço após o nosso trabalho, transformando a reforma em um esforço real para melhorar a vida de quem vai ocupar o ambiente. Esse sentimento reforçou o meu interesse ao longo da campanha e também me deu uma motivação de tentar coisas diferentes até chegar no objetivo que idealizei no início.
Um loop de gameplay satisfatório
A proposta de Hozy é ser um jogo para passar o tempo, por isso não há cronômetros, pontuações ou elementos de pressão. Essa sensação de tranquilidade é reforçada pela trilha sonora composta por Yann Van Der Cruyssen (responsável pelas músicas de Stray). As faixas instrumentais são suaves e ajudam a ditar o ritmo relaxante da campanha.
Mecanicamente, o título não busca complexidade. O loop de cada fase é semelhante: entramos no local destruído e utilizamos ferramentas para realizar uma faxina completa, removendo lixo, poeira e manchas. O movimento com o mouse tenta imitar a ação real de limpeza, o que torna o processo gratificante. Em alguns momentos, também é necessário realizar reparos estruturais, como a troca de pisos e telhados. A pintura de paredes também está presente, embora seja limitada pela presença de apenas três cores por estágio.
No entanto, há alguns pequenos problemas que acabam interferindo um pouco na experiência. Em alguns momentos, a câmera pode apresentar dificuldades de posicionamento, tornando o controle meio atrapalhado em certos ângulos. Isso ocorre principalmente quando queremos um pouco mais de precisão, como para alinhar um quadro com outros na parede. É um detalhe que não quebra a experiência, mas que exige um pouco de paciência.
A surpresa da decoração
O ponto de maior brilho acontece após a reforma, quando desbloqueamos os móveis. Os itens vêm em caixas catalogadas por categorias, e a surpresa ao abrir cada uma delas é genuína, pois revelam objetos que tentamos encaixar dentro do pensamos que é a personalidade do morador. A variedade de itens permite também dar um toque pessoal a cada cômodo e qualquer objeto não utilizado pode ser guardado em uma caixa de descarte para uso posterior, se for de nosso interesse.
Visualmente, o jogo entrega texturas e animações de alta qualidade que dão peso aos objetos, fazendo com que o ambiente pareça realmente habitado por alguém. Após finalizar a decoração, o modo foto é bem estruturado para a gente registrar nossas decorações, principalmente pela presença de filtros únicos.
Como as nove fases podem ser concluídas rapidamente (cerca de três horas), o fator replay acaba dependendo da nossa vontade em revisitar os cenários para tentar novas combinações de design. Aqui, senti falta de um recurso como a possibilidade de salvar uma decoração finalizada antes de desmontá-la. Muitas vezes, eu ficava com receio de fazer uma nova decoração para não perder a antiga, ao qual me dediquei e criei identificação.
Mãos à obra
Hozy é uma aventura acolhedora que cumpre com maestria sua proposta de ser um refúgio para relaxar. Mesmo com uma campanha curta e algumas limitações na câmera e no sistema de salvamento de layouts, a experiência de transformar um local sujo em um ambiente ricamente detalhado é extremamente satisfatória. É o tipo de jogo ideal para quem busca uma jogatina descompromissada e visualmente recompensadora.
Prós
- Os cenários são variados e refletem bem a personalidade de cada morador;
- Boa variedade de itens para decoração, permitindo diferentes abordagens de trabalho;
- Trilha sonora impecável e bem integrada à proposta relaxante;
- O processo de limpar e reformar os ambientes é visualmente gratificante;
- A qualidade das texturas e o modo foto aumentam a imersão.
Contras
- A câmera apresenta problemas de controle em certos ângulos;
- A campanha é curta, contando com poucas fases;
- Ausência de um sistema para salvar decorações antes de reiniciar um cenário.
Hozy — PC — Nota: 8.0
Revisão: Thomaz Farias
Análise feita com cópia digital cedida pela tinyBuild









