Polvos são criaturas cheias de artimanhas. Vivem no fundo do mar e são capazes de se defender com jatos de tinta, se camuflar e usar seus oito tentáculos para escapar de diversas ameaças. Mas será que isso inclui uma invasão espacial?
Darwin’s Paradox coloca um molusco no centro da ação: salvar o planeta de uma raça alienígena, que vai tentar controlar os humanos pelo estômago.
Readaptar e evoluir… ou morrer tentando
O nosso protagonista octópode navegava tranquilamente pelos mares, até ser tragado por uma máquina estranha e se ver em um ambiente totalmente diferente do que estava acostumado. O que parecia uma captura acaba se revelando uma trama muito mais elaborada, na qual seres de outro planeta usavam criaturas marinhas para criar uma nova linha de alimentos enlatados, que seria usada para dominar os habitantes da Terra.
O instinto de sobrevivência do polvo fala mais alto, e agora ele terá que escapar da tal fábrica, revezando entre trechos terrestres e aquáticos. É na jogabilidade que Darwin’s Protocol brilha. Nas partes submersas, o polvo pode se locomover rapidamente, cobrindo grandes distâncias de maneira precisa. Já na terra, ele se torna um pouco mais desengonçado e lento, mas com a habilidade de grudar nas paredes e no teto.
Não há um sistema de combate, e a tônica do desafio está em aliar momentos de camuflagem e escapatória com sessões de obstáculos. Entre suas habilidades, ele pode se mesclar ao ambiente, ficando imperceptível para a maioria das criaturas no caminho. No caso de sistemas de segurança, pode-se usar o jato de tinta para escurecer o campo de ação por alguns segundos e passar despercebido. Entretanto, a dificuldade dá algumas guinadas desproporcionais, o que pode gerar uma certa frustração devido ao modelo de tentativa e erro.
Duas partes bastante frustrantes são as perseguições do peixe-luz, pois, além delas envolverem uma rapidez absurda, também acontecem em um espaço labiríntico. Ou seja, além de fugir de uma ameaça veloz, não sabemos para onde ir. A quantidade de repetições para concluir esse trecho, além de alguns outros que envolvem plataformas giratórias, que se movem em diferentes velocidades, pode ser agonizante para quem não é fã desse tipo de progressão.
Entretanto, também é notável a criatividade utilizada para criar cada tipo de ambiente e desafio, utilizando as próprias construções como parte vital da progressão. Desde tentar atravessar um escritório cheio de robôs, escondendo-se em uma estante de livros, até utilizar jatos de tinta para cegar câmeras de segurança ou se esgueirar por tubulações que podem superaquecer e tostar o molusco em segundos.
De morrer de rir
Outra característica que confere um charme irresistível a Darwin’s Paradox é seu bom humor. A escolha de modelos tridimensionais, mesmo que para uma progressão 2D, confere um ar de animação divertido, e as cenas de flashbacks ajudam a contextualizar muito bem o que está acontecendo, sem nem haver necessidade de vozes.
A quantidade de absurdos que ocorre com os aliens que estão tentando nos conquistar também ajudam a trazer a sensação de que o polvo não é um herói de fato, e sim que ele apenas quer voltar para o mar e o caminho para isso desencadeia uma série de eventos malucos.
Não é incomum falhar em um trecho pois o que está acontecendo ao fundo rouba a cena, e a nossa atenção, arrancando algumas gargalhadas. Até porque não é sempre que um exército de alienígenas disfarçados de operários pratica o chute da garça, de Karate Kid.
Os segredos escondidos pelas fases são a cereja do bolo: folhetos de instruções alienígenas e jornais nada suspeitos mostram como os extraterrestres avaliam nossa existência e como funciona seu plano de conquista. E, para quem ainda se dedicar a explorar todas as possibilidades disponíveis, é possível liberar skins extras para o polvo, desde uma vaca até um certo espião com um codinome de cobra.
Um sério problema de performance
Agora, deixando as piadas de lado, a versão de PlayStation 5 de Darwin’s Paradox traz um defeito grave. Jogar no modo Desempenho (Performance), que traz uma taxa de 60 frames por segundo, faz com que o console, em determinado momento, exiba a mensagem de superaquecimento e desligue imediatamente, independente de quanto tempo ele esteja ligado. Para quem quiser identificar o momento exato, é ainda no primeiro ato, na cena em que escapamos da fábrica em um caminhão e começa o flashback sobre como usar a camuflagem.
Só para constar: meu review foi conduzido em um PlayStation 5 Slim — o mesmo no qual já analisei alguns jogos mais pesados graficamente, como Ride 6, Madden NFL 26 e Tekken 8, por exemplo — e nunca tive nenhuma ocorrência de superaquecimento, mesmo após horas de jogatina. Alternar para o modo Beleza (Beauty), que trava a qualidade da imagem nos 30 fps, resolveu a questão, mas, ainda assim, dá para escutar o ruído do PS5 aumentando em certos momentos.
Consultei algumas páginas de discussão e postagens sobre o corrido antes de pontuar meu veredito sobre o jogo. E, mesmo com a Konami mostrando ter ciência do problema em suas redes sociais, nenhuma atualização ou correção foi feita até a publicação deste texto.
Há relatos em fóruns mostram que donos do modelo Fat do PS5 passam por esse problema mesmo na resolução mais baixa. Já quem tem um PS5 Pro pode enfrentar diferentes tipos de falhas jogando no modo Beleza ou morrendo diversas vezes no mesmo ponto, como relatado pela própria Konami em seu site oficial.
Sendo assim, deixo claro que consegui chegar até o final da aventura de Darwin’s Paradox, mas tomando esse susto. Infelizmente, o mesmo pode não ser possível para os donos de PS5. Até o momento, não há nenhum relato de problemas similares nas demais plataformas para as quais o game foi lançado, apesar de já terem ocorrido reclamações anteriores sobre a demo lançada no Steam no começo deste ano.
Por levar em consideração a seriedade desse defeito, provavelmente minha nota para o jogo será mais baixa que a de outros veículos que o avaliaram, ainda mais pelo fato dele já ter sido lançado há alguns dias e nada ter sido feito para solucioná-lo. Sei que avaliações são subjetivas, mas não dá para ignorar uma questão dessa gravidade.
A evolução da espécie precisa se aperfeiçoar
Não dá para negar que Darwin’s Paradox é engraçado e traz uma dinâmica interessante entre fases terrestres e aquáticas, mesmo com trechos que podem ser extremamente frustrantes, a ponto de desmotivar o jogador. Entretanto, quem estiver no PlayStation 5 talvez deva esperar uma solução definitiva para o problema de crash, que pode até mesmo acabar causando algum tipo de dano ao console.
Prós
- A história do jogo é divertida, e a maneira como é contada esbanja carisma e bom humor;
- Os colecionáveis e ambientes têm um papel importante de apoio, a ponto de roubar a cena;
- Ter o povo se movimentando de maneiras diferentes na terra e na água adiciona uma camada interessante de desafio.
Contras
- Alguns trechos dão uma guinada brusca na dificuldade;
- O modelo de repetir e morrer até triunfar pode ser frustrante em diversas partes;
- A versão de PS5 tem um bug que encerra o jogo e desliga o console, como se tivesse ocorrido um superaquecimento.
Darwin’s Paradox — PC/PS5/Switch 2/XSX — Nota: 7.0Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Mariana Marçal
Análise feita com cópia digital cedida pela Konami












