Entretanto, podendo agora realmente testá-lo, é possível ver que algumas das promessas foram cumpridas de maneira magistral e outras superaram minha expectativa, porém em alguns aspectos ainda existem polimentos a serem feitos, como os controles confusos e uma câmera que mais atrapalha do que ajuda.
Esses pontos citados se estendem também ao Orc, Oongka e à espadachim Damiane, os quais são companheiros jogáveis; contudo, infelizmente, ambos não têm a devida atenção do roteiro e, por não terem personalidades, parecem apenas “cópias” do protagonista. Além disso, praticamente falta um antagonista marcante e ameaçador para essa história.
Mesmo com esses problemas, que devem ser resolvidos com atualização, os confrontos são divertidos e brutais, com muitas finalizações; entretanto, a câmera se mostrou ser um problema. Ela atrapalha muito, principalmente nos confrontos contra chefões em arenas fechadas e quando há muitos adversários ao mesmo tempo. Muitas vezes a câmera fixa na parede e, mesmo com a trava de mira, a situação não melhora.
O que exige que você farme mais deles especificamente para cada um, o que é uma tarefa chata que tira o interesse em usá-los. Também existem poucos equipamentos bons para a dupla de fácil aquisição, e eles passam uma boa parte da campanha bloqueados, o que praticamente faz com que só você possa trocar livremente entre eles na reta final.
Cada cidade é muito bem arquitetada e única, fazendo parecer que realmente estamos dentro de um mundo de fantasia. É possível entrar em todas as construções, o que permite fazer coisas como roubar tudo que vê pela frente, o que traz consequências caso os guardas vejam isso, e participar de vários mini-games como tiro ao alvo, briga na lama e uma espécie de pôquer. Entretanto, essas atividades são aprofundadas, o que faz com que fiquem repetitivas.
No entanto, chegou uma hora em que minha imersão foi diminuindo, devido à falta de missões secundárias marcantes e personagens principais mais interessantes. O sentimento era de que falta um propósito maior para fazer tudo isso. Além disso, mesmo sendo um mundo vasto com muitas espécies diferentes, a maior parcela de inimigos encontrados ainda são humanos, tornando o combate contra eles um pouco monótono.
As incursões que os mercenários fazem levam muito tempo para serem concluídas; contudo, o que atrapalha é que elas são reiniciadas automaticamente, ou seja, a não ser que você vá ao acampamento desativá-las, vai ficar repetindo a mesma. O que pode desmotivar jogadores a investir nessas mecânicas.
Crimson Desert cumpre sua promessa; ele entrega um mundo aberto rico em atividades para se fazer e um combate divertido. Entretanto, o título não atinge seu ápice por não ter um protagonista tão interessante e desperdiçar os outros personagens jogáveis. Além disso, o projeto ainda precisa de alguns polimentos em seus controles, câmera e em alguns quebra-cabeças do Abismo que realmente precisam de umas dicas.
Uma jornada que tinha potencial
Crimson Desert nos coloca abruptamente na pele de Kliff, um dos membros dos Jubas Cinzentas, um grupo de guerreiros que defendem a região de Pailune. Eles não estão passando por um bom momento por acabarem de sofrer um ataque de seus rivais, os Ursos Negros, resultando em baixas consideráveis, como o líder do bando, Jean. Para piorar a situação, os adversários aproveitam a oportunidade para atacar novamente e destruir de uma vez o grupo; o confronto termina com a morte do protagonista.
No entanto, o herói é misteriosamente salvo da morte por uma figura que o leva até um local chamado Abismo. Agora, de volta ao mundo dos vivos, o herói deve reconstruir sua facção do zero enquanto descobre outros mistérios, como quem é a figura que o salvou e por que ela fez isso.
A trama começa lenta, mas, ao longo do tempo, vai ficando interessante. Ela ainda é recheada de cutscenes épicas com lutas magistrais muito bem coreografadas, porém isso não salva o enredo, que carece de um personagem principal marcante e bem desenvolvido. Klif se comporta como uma “porta” em todas as cenas; seus diálogos são vazios e sem emoção, mesmo em momentos em que tais características são necessárias. Com isso, acaba que ele se torna uma figura desinteressante.
Esses pontos citados se estendem também ao Orc, Oongka e à espadachim Damiane, os quais são companheiros jogáveis; contudo, infelizmente, ambos não têm a devida atenção do roteiro e, por não terem personalidades, parecem apenas “cópias” do protagonista. Além disso, praticamente falta um antagonista marcante e ameaçador para essa história.
Um combate excelente, perdido em controles confusos.
Crimson Desert é uma obra de ação e aventura; como de costume no gênero, seu combate é um ponto de destaque. Embora ele pareça complicado, na verdade é bem “simples” até certo ponto, porém possui decisões que o tornam menos intuitivo. Podemos usar ataques fracos e fortes com diversas armas ou usar os punhos.
A partir disso, criamos combos poderosos que podem ser incrementados com golpes corpo a corpo, como agarrões, rasteiras e voadoras, ou habilidades mágicas. O segredo é não ficar apertando os botões de ataque básico, mas sim segurá-los; assim, o personagem vai fazer sequência de ataques automaticamente. Admito que isso me confundiu bastante até eu me acostumar.
Novos movimentos são liberados com pontos de habilidades ou usando a observação, que permite aprender vendo um NPC ou inimigo fazendo algum movimento. No entanto, não achei essa mecânica tão útil quanto parecia ser nos trailers. Na prática, é difícil achar adversários que realmente têm algo a ensinar, tornando muito mais simples usar um ponto de talento.
Outro problema é que muitos botões possuem mais de uma função, tornando os embates confusos. É comum, por exemplo, querer executar uma ação e o personagem fazer o oposto. Exemplo: a combinação de triângulo + quadrado funciona para agarrar inimigos ou objetos; contudo, se um estiver próximo do outro, é normal ele agarrar o inimigo em vez do objeto.
Mesmo com esses problemas, que devem ser resolvidos com atualização, os confrontos são divertidos e brutais, com muitas finalizações; entretanto, a câmera se mostrou ser um problema. Ela atrapalha muito, principalmente nos confrontos contra chefões em arenas fechadas e quando há muitos adversários ao mesmo tempo. Muitas vezes a câmera fixa na parede e, mesmo com a trava de mira, a situação não melhora.
Por fim, Oongka e Damiane são jogáveis, possuindo movimentos e habilidades muito diferentes das de Kliff. A espadachim pode usar rapieiras e disparar raios, enquanto o orc consegue segurar armas grandes com apenas uma mão. Entretanto, falta incentivo para que você os utilize. Pontos de habilidades não são compartilhados entre os três guerreiros, com exceção dos gastos na vida, vigor e magia.
O que exige que você farme mais deles especificamente para cada um, o que é uma tarefa chata que tira o interesse em usá-los. Também existem poucos equipamentos bons para a dupla de fácil aquisição, e eles passam uma boa parte da campanha bloqueados, o que praticamente faz com que só você possa trocar livremente entre eles na reta final.
Pywell é um continente vasto e lindo
A exploração é o ponto mais alto da obra do mundo criado pela Pearl Abyss. É grande, com vários biomas diferentes; é possível ver castelos medievais, aldeias nórdicas e até montanhas com inspiração asiática. Em cada um desses locais, os NPCs são interativos; é possível conversar com eles e criar afinidade que gera presentes aleatórios.
Cada cidade é muito bem arquitetada e única, fazendo parecer que realmente estamos dentro de um mundo de fantasia. É possível entrar em todas as construções, o que permite fazer coisas como roubar tudo que vê pela frente, o que traz consequências caso os guardas vejam isso, e participar de vários mini-games como tiro ao alvo, briga na lama e uma espécie de pôquer. Entretanto, essas atividades são aprofundadas, o que faz com que fiquem repetitivas.
Durante minha experiência vagando, encontrei muitos quebra-cabeças do Abismo, comandantes épicos com confrontos desafiadores, animais para domesticar e paisagens deslumbrantes. Achei até mesmo um circo com várias pessoas curtindo os espetáculos. Tudo isso faz com que Pywell seja um mundo vivo. Ao final de tudo, minha curiosidade era sempre recompensada com algum equipamento poderoso.
No entanto, chegou uma hora em que minha imersão foi diminuindo, devido à falta de missões secundárias marcantes e personagens principais mais interessantes. O sentimento era de que falta um propósito maior para fazer tudo isso. Além disso, mesmo sendo um mundo vasto com muitas espécies diferentes, a maior parcela de inimigos encontrados ainda são humanos, tornando o combate contra eles um pouco monótono.
As missões de facção são um pouco melhores do que as secundárias, terminando na maior parte do tempo em embates contra chefões que sempre entregam embates desafiadores e cinematográficos. Também descobri durante minha aventura que é possível convocar um aliado para explorar junto, porém eles não interagem com Kliff e a inteligência artificial não funciona bem; na maioria das vezes, eles ficam parados.
Por fim, os quebra-cabeças do Abismo começam divertidos e desafiadores, mas, após algumas horas, tornam-se apenas injustos. Como não tem dicas, acaba ficando bem chato resolvê-los e frustrante às vezes. Alguns, como os puzzles elementais que liberam novos poderes para o Juba Cinzenta, são alguns dos mais frustrantes de conseguir passar. Nesse caso, acho que no mínimo alguma dica seria essencial.
Um acampamento para chamar de lar
Uma das atividades mais relevantes que existem é o gerenciamento da base dos Jubas Cinzentas; ele me surpreende por ser complexo e trazer possibilidades para conseguir dinheiro e recursos enviando mercenários em missões. Também tem missões de companheiros que tentam desenvolver os membros do grupo, mas, por terem ritmo muito lento, são apenas desinteressantes.
As incursões que os mercenários fazem levam muito tempo para serem concluídas; contudo, o que atrapalha é que elas são reiniciadas automaticamente, ou seja, a não ser que você vá ao acampamento desativá-las, vai ficar repetindo a mesma. O que pode desmotivar jogadores a investir nessas mecânicas.
Por fim, no geral, após algumas atualizações, o desempenho no PlayStation 5 está muito bom; embora, quando há muitos adversários em tela, seja possível ver quedas de FPS. Além disso, independentemente do modo usado no console, é possível perceber alguns serrilhados e bugs na luz e sombras de alguns locais.
Um ótimo título de ação e aventura
Crimson Desert cumpre sua promessa; ele entrega um mundo aberto rico em atividades para se fazer e um combate divertido. Entretanto, o título não atinge seu ápice por não ter um protagonista tão interessante e desperdiçar os outros personagens jogáveis. Além disso, o projeto ainda precisa de alguns polimentos em seus controles, câmera e em alguns quebra-cabeças do Abismo que realmente precisam de umas dicas.
Prós:
- Exploração densa, com muitas atividades, paisagens distintas e puzzles para resolver;
- Cidades vivas, com estruturas muito bem feitas e vários mini-jogos disponíveis;
- Jogabilidade divertida e extensa, oferecendo muitas possibilidades para criar combos versáteis usando várias mecânicas;
- As lutas contra chefes são cinematográficas e épicas.
Contras:
- História interessante, mas o protagonista não se desenvolve, tornando-se esquecível;
- A falta de missões secundárias mais marcantes pode tornar a exploração “vazia” a partir de um certo ponto;
- Devido ao fato de vários botões terem várias funções, é comum que isso cause confusão durante as brigas;
- Oongkai e Damiane não foram bem utilizados narrativamente e não têm incentivo para usá-los;
- A câmera nas lutas contra chefes mais atrapalha do que ajuda;
- Alguns quebra-cabeças do Abismo precisavam ter algumas dicas para se tornarem menos frustrantes.
Crimson Desert — PS5/PC/XSX — Nota: 7.5Versão usada para análise: PlayStation 5
Revisão: Thomaz Farias
Análise produzida com cópia digital cedida pela Pearl Abyss.













