Neva encantou com sua bela aventura que retratava a luta de uma garota e uma loba contra uma terrível corrupção. Agora a desenvolvedora Nomada Studio retorna a este universo com Neva: Prologue, uma expansão que, como o nome indica, se passa antes da trama principal. O estilo artístico elaborado apoiado nas emoções retorna, em conjunto com algumas novidades, no entanto, a brevidade do conto faz com que o DLC não passe de uma experiência efêmera.
Visitando o passado
No prólogo, acompanhamos a história de como se originou a relação entre as duas protagonistas. A guerreira conhece sua companheira quase que por acaso: ao seguir borboletas brilhantes, Alba acaba em um local tomado pela corrupção e, pelo caminho, encontra a lobinha, que ainda é um filhote indefeso. Em face de uma grande ameaça, Alba vai fazer de tudo para proteger a pequena Neva.Na expansão, Alba está sozinha na maior parte do tempo, porém ainda conta com suas habilidades padrão, como pulo duplo e investida aérea. Apesar de ser um prólogo, é recomendado jogá-lo depois de completar a campanha: a dificuldade é a mesma dos momentos finais da jornada, exigindo bons reflexos e domínio dos movimentos da personagem.
Combates e puzzles familiares, mas novos
Em sua essência, Neva: Prologue é uma continuação das ideias da história principal com uma aventura 2D de plataforma e combates. Há uma sensação constante de mais do mesmo, contudo, algumas ideias inéditas se destacam.Na exploração, há algumas novidades que resultam em puzzles interessantes. Mãos negras surgem das águas de um pântano, nos forçando a pular em momentos específicos para evitá-las; em vastas ruínas, relâmpagos iluminam as sombras frequentemente revelando momentaneamente plataformas e outros obstáculos; já para atravessar trechos com longos buracos, é necessário acertar monstros voadores que lançam Alba para o alto.
Já no combate, a novidade é um novo tipo de inimigo que só recebe dano pelas costas. Além disso, as arenas contam com mais recursos, como partes difíceis de acessar ou monstros que só podem ser acertados em situações específicas. Também é comum aparecer muitas criaturas simultaneamente, o que aumenta o nível de desafio. Por fim, há um chefe inédito que impressiona com sua imponência.
Os trechos mais notáveis acontecem depois que Alba encontra Neva. A lobinha é indefesa e receosa, então é necessário conquistar sua confiança. Alguns puzzles exigem guiá-la à distância, já em outros momentos é necessário carregá-la para evitar perigos — Alba tem sua mobilidade reduzida ao levar a loba, tornando as sessões de plataforma mais complicadas.
No geral, apreciei os novos conceitos, apesar de serem pouco desenvolvidas por terem trechos curtos. O ponto alto envolve o grande monstro antagonista em partes de furtividade e perseguições implacáveis. O desafio mais acentuado é bem-vindo: morri algumas vezes, o que me forçou a ser mais cuidadoso, mas sem nunca se tornar algo frustrante. No entanto, algumas partes têm um pouco de tentativa e erro, exigindo mais memorização do que perícia, por sorte são pouco frequentes.
Perdendo-se na beleza efêmera
A ambientação elaborada de Neva continua sendo um dos destaques do prólogo. O visual desenhado é belo, e os cenários e situações são capazes de evocar emoções. O tom é mais sombrio, como uma cena com uma tempestade ou um trecho em que a dupla é perseguida por um monstro imenso — a tensão é palpável.Mesmo assim, fica a sensação de que a atmosfera é menos inspirada que a da campanha. Muitos dos cenários parecem releituras de locais da história principal, o que reduz um pouco o impacto da novidade. Ao meu ver, foi uma oportunidade perdida de explorar ideias diferentes e únicas.
O novo capítulo é curto, durando por volta de uma hora e meia. É interessante ver que ele é direto e não enrola, porém esse é também seu maior problema: a breve duração impede que a narrativa e que as mecânicas sejam desenvolvidas o suficiente. Com isso, a expansão passa a sensação de algo efêmero e quase dispensável, apesar de oferecer qualidade dentro do que se propõe.
Um prelúdio satisfatório
Neva: Prologue retorna ao universo original ao mostrar o início do vínculo entre Alba e a pequena loba, preservando o combate ágil, a plataforma desafiadora e a direção artística marcante, agora com tom mais sombrio. As novas ideias de puzzles e inimigos acrescentam variedade e elevam a dificuldade, contudo, são pouco exploradas devido à curta duração. Embora traga momentos intensos e visualmente impactantes, a sensação de mais do mesmo e a brevidade reduzem seu impacto. Ainda assim, é uma expansão recomendada para quem deseja revisitar essa história sob uma nova perspectiva.Prós
- Jornada curta, mas com ideias inéditas interessantes;
- Bom ritmo que alterna entre plataforma, combate e puzzles;
- Visual e música deslumbrantes.
Contras
- Ambientação tímida e menos inspirada que a da campanha original;
- A curta duração impede que a narrativa e que as mecânicas sejam desenvolvidas o suficiente.
Neva: Prologue — PC/PS4/PS5/XSX/Switch — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Thomaz Farias
Análise produzida com cópia digital cedida pela Devolver Digital
Análise produzida com cópia digital cedida pela Devolver Digital









