Problemas em família
A história começa com a morte da mãe dos irmãos Colwall, um acontecimento que reúne os quatro irmãos adotivos — controlados pelos jogadores — com os filhos biológicos dela, Deorcas e Rickard. O que a princípio seria apenas um reencontro familiar para o velório da matriarca, rapidamente se transforma em algo muito maior quando um ato de intervenção divina transporta o grupo para o distante continente de Neokos. Perdidos em uma terra desconhecida, e herdando um antigo conflito deixado sem resolução, os irmãos acabam envolvidos com facções divididas, alianças frágeis e o peso de um legado que nunca pediram para carregar.
A jornada em Solasta II gira em torno de temas como família, redenção e o peso das escolhas. Ao longo da campanha, os jogadores descobrirão mais sobre a linhagem dos protagonistas, enquanto decisões tomadas durante a aventura definirão o destino do continente.
Uma base sólida para evoluir bem
Durante o período de testes em acesso antecipado, já foi possível observar diversos elementos que demonstram como o estúdio pretende expandir a experiência do primeiro jogo.
Antes de entrar nas impressões sobre sistemas e gameplay, vale entender exatamente o que estará disponível na versão inicial de acesso antecipado, disponível a partir de 12 de março.
Conteúdo inicial
- Criação completa da party;
- Quatro ancestrais (raças) jogáveis;
- Seis classes;
- 13 subclasses;
- Sistema de multiclasse;
- Nível máximo: 4.
Campanha
- Acesso ao Ato 1 da história;
- Aproximadamente 10 a 15 horas de conteúdo;
- Mapa-múndi interativo;
- Chefes escondidos;
- Locais bônus para exploração;
- Diálogos totalmente dublados.
Conteúdo planejado para atualizações futuras
- Novos ancestrais;
- Novas classes;
- Aumento do nível máximo;
- Multiplayer;
- Sistema de facções;
- Crafting;
- Mais conteúdos ainda não detalhados.
Visual de encher os olhos
O primeiro contato é com o criador de personagens e causa sentimentos mistos. Há uma evolução clara em relação ao que foi visto em Solasta: Crown of the Magister, principalmente na qualidade técnica dos modelos e na variedade de opções disponíveis para montar o grupo de aventureiros.
Uma das melhorias mais perceptíveis está no salto técnico proporcionado pela Unreal Engine 5, aqui utilizada na versão 5.6. O mundo de Solasta II apresenta ambientes significativamente mais ricos em detalhes quando comparado ao jogo anterior.
Iluminação, mobílias, elementos decorativos, ciclos de dia e noite e a densidade dos cenários ajudam a criar áreas visualmente mais interessantes e agradáveis de explorar. É nítido o cuidado aplicado à construção dos cenários.
A exploração também ganha dinamismo graças a pequenas animações contextuais. Sempre que possível, os personagens saltam naturalmente por pequenas fissuras (pontes quebradas, buracos, etc.) ou engatinham por buracos em paredes, o que torna a movimentação mais fluida e menos dependente de comandos específicos.
Apesar do salto visual, alguns elementos ainda demonstram inconsistências. Certas peças de armadura (especialmente cotas de malha) apresentam comportamento semelhante ao de tecidos, dobrando de forma pouco natural durante as animações. Em áreas mais densas, como a grande cidade inicial, também é possível notar a repetição de alguns modelos de NPCs.
Feedback visual torna o combate mais claro
Um detalhe interessante aparece na forma como Solasta II comunica erros durante o combate.
Em muitos CRPGs, ataques aparentam acertar o inimigo e apenas um texto informa que houve falha ou erro no cálculo do dano. Aqui, o feedback é muito mais visual: quando uma magia ou projétil falha, o disparo realmente passa longe do alvo.
Esse tipo de abordagem ajuda a tornar as batalhas mais fáceis e agradáveis de interpretar, algo especialmente importante em um RPG tático baseado nas regras de D&D 5.2, nas quais diversos modificadores e probabilidades influenciam cada ação realizada.
Na prática, essa escolha de design reduz a dependência de textos ou números na interface e permite que o jogador compreenda rapidamente o que está acontecendo no campo de batalha
Esse cuidado com a leitura visual também funciona bem quando combinado com o posicionamento estratégico dos personagens, um dos pilares da série desde o primeiro jogo. A clareza das animações e dos impactos facilita entender rapidamente o resultado das ações, permitindo que o foco permaneça na tomada de decisões táticas em vez de na interpretação de números e mensagens na interface.
Elenco de dublagem reúne nomes de peso
A dublagem também merece destaque em Solasta II. Em RPGs focados em narrativa e interações entre personagens, a qualidade das vozes tem papel fundamental na construção da imersão, e o novo título da Tactical Adventures reúne um elenco bastante reconhecido entre fãs do gênero.
Entre os nomes presentes está Ben Starr, que vem ganhando destaque na indústria após sua elogiada atuação em Clair Obscur: Expedition 33. O jogo também conta com a participação de Amelia Tyler e Devora Wilde, conhecidas por seus trabalhos como narradora e Lae’Zel em Baldur's Gate III, além de Ellen Thomas, que interpretou Ambessa Medarda na série animada Arcane.
Exploração e eventos dinâmicos
Um sistema interessante presente em Solasta: Crown of the Magister que retorna em Solasta II, é o mapa-múndi, que funciona como o principal ponto de navegação entre as diferentes regiões da campanha.
A partir dele, o jogador escolhe para onde viajar, seja para avançar na missão principal, explorar atividades secundárias ou investigar eventos que surgem dinamicamente ao longo da jornada. Esse sistema ajuda a reforçar a sensação de estarmos em uma campanha de RPG de mesa digital, com o visual do mapa sendo basicamente uma representação da mesa tradicional.
Um detalhe relevante é que o tempo exerce influência direta sobre essas atividades. Missões secundárias e eventos aleatórios podem sofrer alterações, ou até desaparecer, dependendo das decisões tomadas e do tempo gasto pelo grupo durante suas viagens. A campanha principal, ao menos num primeiro momento, não será afetada.
Esse tipo de mecânica adiciona uma camada extra de estratégia ao progresso, incentivando o jogador a pensar melhor suas prioridades antes de decidir qual rumo seguir. Ao mesmo tempo, ela contribui para dar mais dinamismo ao mundo do jogo, reforçando a ideia de que os acontecimentos continuam evoluindo mesmo enquanto o grupo está em movimento.
Um CRPG pensado para novos jogadores
Um dos focos mais claros de Solasta II é tornar o gênero mais acessível sem abrir mão de sua profundidade estratégica.
O sucesso de Baldur's Gate III ajudou a recolocar os CRPGs no centro das atenções, e o primeiro título, Solasta: Crown of the Magister, acabou ganhando notoriedade justamente por utilizar essencialmente o mesmo sistema de regras e até mesmo aplicá-las melhor em alguns aspectos.
Ainda assim, a apresentação mais simples do jogo original — especialmente em termos visuais e de interface — acabava funcionando como uma barreira para parte do público. A sequência parece determinada a reduzir esse obstáculo não apenas com gráficos mais modernos, mas também com uma organização muito mais clara das informações.
Textos de habilidades, itens e fichas de personagem foram cuidadosamente ajustados para evitar descrições excessivamente longas, sem deixar de apresentar os dados realmente importantes. O resultado beneficia tanto quem está chegando agora ao gênero quanto veteranos que preferem uma interface mais limpa.
Além disso, o jogo oferece uma ampla variedade de ajustes de dificuldade, permitindo personalizar a experiência de acordo com o nível de familiaridade de cada jogador com RPGs táticos.
Preparado para controles e Steam Deck
Outro aspecto que chama atenção em Solasta II é o cuidado da equipe em adaptar o jogo para diferentes formas de controle.
Mesmo no PC, a experiência utilizando controle funciona de maneira surpreendentemente fluida, algo que demonstra a preocupação da Tactical Adventures em tornar a navegação pelos menus e sistemas do jogo mais intuitiva. Em um gênero conhecido por interfaces densas e grande quantidade de informações na tela, essa adaptação representa um avanço importante.
Essa abordagem também garante boa compatibilidade com dispositivos como o Steam Deck, permitindo que o RPG seja jogado de forma confortável em um formato portátil.
O estúdio já tem também planos de levar o jogo aos consoles após a conclusão do período de acesso antecipado, o que explica o cuidado em estruturar desde cedo uma interface capaz de funcionar bem tanto com mouse e teclado quanto com controle.
Impressões iniciais
Mesmo em acesso antecipado, Solasta II já demonstra avanços claros em relação ao seu antecessor. As melhorias na interface, o salto visual, aliado a ambientes mais detalhados e a uma exploração mais dinâmica, contribui para tornar a jornada significativamente mais envolvente.
Naturalmente, alguns aspectos ainda devem evoluir ao longo do período de acesso antecipado, mas a base apresentada até aqui, com poucos problemas de desempenho e bugs, indica que teremos uma sequência que expande as ideias do primeiro jogo e tem potencial para consolidar a franquia como uma referência moderna dentro do universo dos CRPGs.
Revisão: Vitor Tibério
Texto de impressões produzido com cópia digital cedida pela Kepler Interactive

